Rio suspende vacinação de adolescentes por falta de doses; retomada depende de entrega nesta terça

Adolescentes com deficiência, incluindo aqueles com síndrome de down e autismo, finalmente recebem proteção contra Covid-19 após meses de espera, mas população geral de adolescentes enfrenta atrasos na imunização.
Agora vamos poder fazer isso vacinado
Adolescente autista fala sobre poder sair de casa após receber a primeira dose da vacina.

Calendário de vacinação interrompido: apenas adolescentes com deficiência a partir de 12 anos podem se vacinar nesta segunda-feira no Rio. Secretário Daniel Soranz espera receber nova remessa de vacinas Pfizer terça-feira para retomar vacinação de 17 anos (69 mil doses) e 16 anos (40 mil doses).

  • Prefeitura suspendeu vacinação de adolescentes com 17 anos por falta de doses
  • Apenas adolescentes com deficiência a partir de 12 anos puderam se vacinar naquela segunda-feira
  • Expectativa de 30 mil adolescentes com deficiência vacinados; 69 mil com 17 anos e 40 mil com 16 anos aguardavam
  • Secretário Daniel Soranz esperava receber remessa de Pfizer na terça-feira para retomar calendário

A Prefeitura do Rio suspendeu a vacinação de adolescentes com 17 anos por insuficiência de doses, mantendo apenas imunização de adolescentes com deficiência. O calendário pode ser retomado se novas doses chegarem terça-feira.

O Rio de Janeiro começou a segunda-feira de 23 de agosto com um calendário de vacinação em ruínas. A prefeitura havia planejado iniciar a imunização de adolescentes com 17 anos naquele dia, mas não tinha doses suficientes. A Secretaria Municipal de Saúde suspendeu o plano. O secretário Daniel Soranz explicou que o município esperava receber uma nova remessa de vacinas Pfizer na terça-feira para retomar o cronograma — um cronograma que previa chegar aos jovens de 15 anos antes do fim do mês. Até lá, apenas adolescentes com deficiência a partir dos 12 anos poderiam se vacinar, junto com gestantes, puérperas, lactantes e adultos acima de 25 anos em busca da segunda dose.

A mudança foi abrupta, mas não inesperada. O Rio vinha enfrentando atrasos recorrentes no repasse de imunizantes pelo Ministério da Saúde, e a vacinação de grupos mais jovens havia exposto essa fragilidade na logística. Soranz esperava vacinar cerca de 30 mil adolescentes com deficiência naquele dia. Para os grupos que ficaram suspensos, os números eram maiores: aproximadamente 40 mil pessoas com 16 anos e cerca de 69 mil com 17 anos aguardavam suas doses.

Na Cidade das Artes, Ivy Faria, filha caçula do senador Romário, recebeu sua primeira dose das mãos do próprio secretário de saúde. Ivy tem 16 anos e síndrome de down. Não longe dali, João Pedro Aragão, de 17 anos, autista, foi vacinado pela manhã. Sua mãe, a relações públicas Denise Aragão, de 48 anos, descreveu o momento como um alívio imenso. "Essa é uma parcela da população que deveria ter sido vacinada antes pelas comorbidades. Eles têm uma facilidade de pegar a Covid", disse ela. Denise havia mantido o filho em quarentena rigorosa durante meses. A noite anterior à vacinação, ela não conseguiu dormir.

Depois de receber a injeção, João Pedro falou sobre o que mais desejava: "Eu adoro passear e agora vamos poder fazer isso vacinado." Felipe Almeida, de 17 anos, também com síndrome de down, foi vacinado acompanhado pelo pai. "Eu estou muito feliz. Há dias eu esperava essa dose. Eu estou fora desde a pandemia e fiquei estudando de casa", disse após a aplicação. Seu pai, o representante comercial Eduardo Gonçalves, de 53 anos, emocionado, explicou que os últimos meses haviam sido de ansiedade constante. "Ele tinha um risco maior de pegar a doença. E por ele a gente evitava sair de casa, deixava de estar com a família e amigos por conta dele. Agora, ganhamos uma semi liberdade."

O estado do Rio continuava a distribuir doses naquela segunda-feira. A Secretaria Estadual de Saúde repassava 330.810 doses: 12.500 de Oxford AstraZeneca para segunda dose, 151 mil de CoronaVac e 167.310 de Pfizer para primeira e segunda etapas. As caixas seriam levadas às regiões Norte e Noroeste por helicóptero. Na semana anterior, o Ministério da Saúde havia entregue a quarta remessa, somando mais de 1,5 milhão de doses.

Mas havia outras preocupações além dos adolescentes. Soranz alertou que quase 100 mil pessoas ainda não haviam tomado a segunda dose, apesar de já poderem fazê-lo. Mais preocupante ainda: mais de 283 idosos internados com Covid-19 nunca haviam recebido nenhuma dose. O secretário anunciou uma grande campanha para estimular a vacinação nos próximos dias, pedindo que todos acima de 25 anos procurassem os postos de saúde.

Há também a questão das crianças menores de 12 anos. A Secretaria Municipal aguardava uma diretriz do governo federal. Na semana anterior, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária havia negado o pedido de uso da CoronaVac para esse grupo, argumentando que os dados do Instituto Butantan mostravam apenas a produção de anticorpos, não a eficácia em reduzir casos sintomáticos. Soranz disse que qualquer decisão da Anvisa sobre a CoronaVac influenciaria diretamente no programa de vacinação infantil.

O calendário do Rio dependia agora de uma entrega que deveria chegar na terça-feira. Se as doses chegassem, a vacinação de adolescentes com 17 anos poderia ser retomada na quarta-feira. Se não chegassem, o atraso se estenderia. Para os adolescentes com deficiência que finalmente estavam sendo imunizados naquela segunda-feira, a espera havia terminado. Para os outros, a incerteza continuava.

É um alívio imenso. Essa é uma parcela da população que deveria ter sido vacinada antes pelas comorbidades.
— Denise Aragão, mãe de adolescente autista vacinado
Agora, ganhamos uma semi liberdade. Com a vacina ele terá um respaldo para não ter uma complicação maior.
— Eduardo Gonçalves, pai de adolescente com síndrome de down vacinado
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Por que exatamente o Rio parou a vacinação de adolescentes naquele dia?

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Não havia doses suficientes. O município havia planejado começar com 17 anos, mas as remessas do Ministério não chegavam no ritmo esperado. Quando você expande a vacinação para grupos mais jovens, o consumo de doses cresce exponencialmente, e a logística não acompanhou.

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E os adolescentes com deficiência conseguiram se vacinar?

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Sim, eles foram o único grupo de adolescentes que pôde se vacinar naquele dia. Havia uma expectativa de imunizar cerca de 30 mil pessoas. Para muitos deles, era o fim de meses de isolamento rigoroso.

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Qual era o risco real para esses adolescentes?

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Adolescentes com deficiência — síndrome de down, autismo, outras comorbidades — têm maior facilidade de contrair Covid-19 e desenvolver formas graves. Muitos haviam ficado em quarentena extremamente rigorosa. A vacinação era esperança concreta.

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O que o secretário disse sobre quando o calendário voltaria ao normal?

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Soranz esperava receber uma remessa de Pfizer na terça-feira. Se chegasse, a vacinação de 17 anos seria retomada na quarta. Mas ele deixou claro que isso ainda era incerto. A palavra "esperança" aparecia muito em suas falas.

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Havia outras preocupações além dos adolescentes?

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Sim. Quase 100 mil pessoas ainda não haviam tomado a segunda dose. Mais alarmante: mais de 283 idosos internados nunca haviam recebido nenhuma dose. Isso sugeria que o problema não era apenas logístico, mas também de adesão e comunicação.

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E as crianças menores de 12 anos?

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Estavam completamente fora do calendário. A Anvisa havia rejeitado o pedido para usar CoronaVac nessa faixa etária porque os dados não mostravam eficácia, apenas produção de anticorpos. O Rio aguardava uma decisão federal que não vinha.

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