Rio recebe exposição inédita sobre relação artística com Nápoles no século XIX

Um diálogo que estava ali, mas invisível
A exposição reúne obras que permitem compreender a relação artística entre Nápoles e Rio de Janeiro no século XIX.

No coração do Rio de Janeiro, o Paço Imperial abre espaço para um diálogo que existia há séculos, mas permanecia invisível: a afinidade artística entre Nápoles e o Brasil, mediada por pintores italianos que cruzaram o Atlântico no século XIX. A exposição 'Cores da Paisagem Nápoles – Rio' reúne cerca de 50 obras inéditas no país, revelando como um casamento imperial e uma sensibilidade napolitana moldaram, silenciosamente, a pintura de paisagem brasileira. É um encontro único — sem itinerância prevista — entre duas cidades que compartilharam uma linguagem visual sem jamais ter sido plenamente reconhecidas por isso.

  • Cinquenta pinturas e fotografias datadas entre 1844 e 1899 chegam ao Brasil pela primeira vez, trazendo à luz conexões artísticas que a crítica sempre intuiu, mas nunca aprofundou.
  • O casamento de d. Pedro II com a napolitana Teresa Cristina foi o elo que permitiu a artistas como Luigi Stallone atravessar o oceano e instalar-se no Brasil como professores e criadores.
  • A exposição não circulará por outras cidades — quem não for ao Paço Imperial até fevereiro de 2023 perderá a única chance de ver essas obras reunidas em solo brasileiro.
  • Organizada em quatro módulos temáticos — dia, noite, terra, mar e os tons do preto e branco fotográfico — a mostra tece uma trama que vai além da pintura, passando pela música, arqueologia e antropologia.
  • Com entrada gratuita e curadoria de Paulo Knauss de Mendonça, a iniciativa do Instituto Italiano de Cultura transforma um vínculo histórico esquecido em experiência acessível a todos os cariocas.

No dia 23 de novembro, o Paço Imperial recebe uma exposição sem precedentes no Brasil: 'Cores da Paisagem Nápoles – Rio, no olhar de artistas italianos do século XIX'. Resultado de uma parceria entre o Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro, a Embaixada da Itália e o Consulado Geral italiano na cidade, a mostra reúne cerca de 50 pinturas e fotografias datadas entre 1844 e 1899 — muitas delas jamais exibidas no país. Não há itinerância prevista: as obras ficam apenas aqui.

O fio condutor da exposição é um vínculo histórico pouco explorado. O casamento de d. Pedro II com d. Teresa Cristina, princesa napolitana, abriu caminho para que artistas italianos viessem ao Brasil, trazendo consigo uma sensibilidade visual formada em Nápoles. Entre eles, Luigi Stallone, que se tornou professor de pintura da imperatriz, e outros como Edoardo de Martino e Nicolau Facchinetti, que se estabeleceram no país ao longo do século. O curador Paulo Knauss de Mendonça aponta esse vínculo matrimonial como o motor de toda uma circulação de ideias e imagens entre os dois países.

A mostra está organizada em quatro módulos temáticos que exploram as cores sob diferentes ângulos: o dia e a noite, a terra e o mar, e os matizes do preto e branco fotográfico. Para Livia Raponi, diretora do Instituto e idealizadora do projeto, a exposição vai além das obras em si — ela tece relações culturais e antropológicas entre as duas cidades, incorporando também a música e a arqueologia ao percurso expositivo.

O que a exposição oferece, em última análise, é visibilidade para um diálogo que sempre existiu, mas permanecia invisível por falta de acesso às imagens. Reunidas no Paço Imperial, essas obras permitem compreender como dois lugares distantes compartilharam uma mesma linguagem visual. A entrada é gratuita, e a mostra funciona de terça a domingo, das 12h às 18h, até 12 de fevereiro de 2023.

No próximo dia 23, o Paço Imperial abre as portas para uma exposição que nunca antes havia sido montada no Brasil: um encontro entre duas cidades através dos olhos de artistas italianos do século XIX. A mostra "Cores da Paisagem Nápoles – Rio, no olhar de artistas italianos do século XIX" é resultado de uma parceria entre o Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro, a Embaixada da Itália no Brasil e o Consulado Geral da Itália na cidade.

O que torna este projeto singular é seu caráter único. Não há itinerância prevista — as obras que serão apresentadas ao público carioca permanecerão apenas aqui. A exposição busca contar uma história que a crítica de arte sempre mencionou, mas raramente aprofundou: como Nápoles e Rio de Janeiro se encontraram na história da arte através da criação artística em torno da paisagem das duas cidades. Para isso, reúne cerca de 50 pinturas e fotografias italianas e brasileiras, datadas entre 1844 e 1899, muitas delas nunca antes exibidas entre nós.

Entre os artistas cujas obras estarão em exposição está Luigi Stallone, pintor napolitano que veio ao Brasil para ser professor de pintura da imperatriz Teresa Cristina. Também aparecem trabalhos de Edoardo de Martino e Nicolau Facchinetti, outros pintores italianos que se estabeleceram no Brasil durante aquele século. O casamento de d. Pedro II com d. Teresa Cristina, conforme destaca o curador Paulo Knauss de Mendonça, foi fundamental para essa circulação de artistas e ideias entre os dois países. Esse vínculo matrimonial abriu portas para que a criação artística italiana — particularmente a da região siciliana de Nápoles — dialogasse com a pintura de paisagem que se desenvolvia no Brasil.

A estrutura da mostra foi pensada em quatro módulos temáticos que exploram as cores sob diferentes perspectivas: o dia e a noite, a terra e o mar, além dos matizes do preto e branco presentes nas fotografias da época. Segundo Livia Raponi, diretora do Instituto Italiano de Cultura e idealizadora da exposição, a importância do projeto vai além da excelência das obras pictóricas. A mostra tece uma trama densa de relações culturais e antropológicas entre as duas cidades, passando pela música — descrita como parte instigante do percurso expositivo — pela arqueologia e pela fotografia.

O diálogo que a exposição estabelece entre Nápoles e Rio, entre a Itália e o Brasil, é um diálogo que estava ali, mas invisível. Faltava acesso às imagens artísticas para que pudesse ser plenamente compreendido. Agora, reunidas no Paço Imperial, essas obras permitem ao visitante ver como dois lugares geograficamente distantes compartilharam uma linguagem visual, como artistas italianos enxergavam a paisagem carioca através de uma sensibilidade formada em terras napolitanas.

A exposição funciona de terça a domingo e feriados, das 12h às 18h, até 12 de fevereiro de 2023. A entrada é gratuita. Para quem deseja compreender melhor a história da arte no Brasil do século XIX e suas conexões com a Europa, é uma oportunidade que não se repetirá.

A exposição traz um número significativo de pinturas e fotografias italianas nunca antes apresentadas entre nós, estabelecendo um diálogo entre a pintura de paisagem no Brasil do século 19 com a criação artística italiana da região siciliana de Nápoles da mesma época
— Paulo Knauss de Mendonça, curador da exposição
A importância e o caráter inovador desta exposição residem não só no dado puramente artístico, na excelência das obras pictóricas, mas também na riqueza dos temas e linguagens abarcados
— Livia Raponi, diretora do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que uma exposição sobre Nápoles e Rio de Janeiro especificamente? O que essas duas cidades tinham em comum no século XIX?

Model

Ambas eram cidades portuárias, centros de poder político e cultural. Nápoles era um grande centro artístico europeu, e Rio era a capital do Império Brasileiro. Havia uma circulação de pessoas, ideias e sensibilidades entre elas — especialmente através de artistas que viajavam.

Inventor

E o casamento da imperatriz Teresa Cristina foi realmente decisivo para isso?

Model

Absolutamente. Teresa Cristina era napolitana. Seu casamento com d. Pedro II criou um vínculo direto entre as cortes. Isso abriu caminho para que artistas italianos viessem ao Brasil, como Luigi Stallone, que se tornou professor de pintura da própria imperatriz.

Inventor

Mas por que essas obras nunca foram exibidas juntas antes?

Model

Porque estavam dispersas — algumas em coleções italianas, outras no Brasil. Ninguém havia feito o trabalho de reunir essas peças e contar essa história visual. A crítica sempre soube que havia um diálogo, mas sem ver as imagens lado a lado, era difícil aprofundar.

Inventor

O que muda quando você vê uma pintura napolitana ao lado de uma carioca da mesma época?

Model

Você percebe como a sensibilidade artística viajava. Um pintor italiano olhava para o Rio e via através de seus próprios olhos, sua própria formação. As cores, as formas, a maneira de representar a paisagem — tudo carrega essa marca dupla.

Inventor

A exposição é só sobre pintura?

Model

Não. Há fotografias também, e música é parte importante do percurso. A ideia é mostrar como essa relação entre as cidades se expressava através de diferentes linguagens artísticas e culturais.

Inventor

E depois de fevereiro, essas obras desaparecem de novo?

Model

Sim. Não há itinerância prevista. É uma mostra única, feita especificamente para o Rio. Quem quiser ver precisa ir agora.

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