Residência artística sobre bairros de Manaus abre 15 vagas com inscrições até 27 de junho

construir arte fora do padrão estético que nos é imposto
Andrew Ponto explica a proposta central do coletivo Caramelos Trabalhando e do projeto.

Em Manaus, onde os bairros periféricos guardam memórias vivas e paisagens ainda não traduzidas em arte, o coletivo Caramelos Trabalhando abre pela segunda vez as portas de uma residência artística itinerante. O projeto 'De Olho no Meu Bairro' oferece 15 vagas gratuitas para que artistas, estudantes e curiosos atravessem os territórios da cidade com olhos renovados, transformando o que encontram em obras coletivas. É um convite à escuta do lugar como matéria criativa — e ao reconhecimento de que a arte também nasce nas margens.

  • Com inscrições abertas até 27 de junho e sem custo algum, o projeto cria uma janela rara de acesso à formação artística fora dos circuitos convencionais de Manaus.
  • A residência se distribui em cinco encontros entre julho e agosto, levando participantes a zonas periféricas onde a produção simbólica comunitária pulsa com intensidade própria.
  • Cerca de 25 obras autorais devem emergir dos encontros, em linguagens que vão da cerâmica à performance, todas enraizadas nas memórias e paisagens dos bairros visitados.
  • A experiência da primeira edição — que reuniu oito artistas e resultou em exposição no Shopping Cidade Leste — moldou as escolhas desta segunda fase, priorizando territórios de urbanização periférica.
  • Além da arte, a residência inclui ações de cuidado com animais de rua nos bairros percorridos, integrando sensibilidade social ao processo criativo.
  • Ao final, uma exposição coletiva aberta ao público reunirá tudo o que foi criado, devolvendo à cidade aquilo que a cidade inspirou.

Manaus ganha uma nova edição do projeto 'De Olho no Meu Bairro', residência artística organizada pelo coletivo Caramelos Trabalhando que oferece 15 vagas gratuitas para artistas, estudantes e entusiastas da arte. As inscrições vão de 12 a 27 de junho, sem custo, e os selecionados participarão de cinco encontros distribuídos por diferentes zonas da cidade — marcados para julho e agosto — em espaços comunitários, associações e áreas públicas.

A proposta central, nas palavras do coordenador Andrew Ponto, é levar os participantes para além de seus trajetos habituais, criando oportunidades de conhecer contextos e territórios pouco frequentados. Cada oficina será conduzida por artistas e pesquisadores ligados aos bairros visitados, permitindo uma imersão genuína nas formas de perceber a cidade. Espera-se que cerca de 25 obras autorais sejam produzidas em linguagens diversas — cerâmica, videoarte, pintura, performance e práticas híbridas —, todas inspiradas em memórias e paisagens urbanas locais, e reunidas ao final em uma exposição coletiva aberta ao público.

A segunda edição prioriza bairros de urbanização periférica e intensa produção simbólica comunitária, escolha que nasceu da escuta dos oito artistas que participaram da primeira edição, realizada em novembro de 2025. Muitos relataram maior identificação com trabalhos voltados aos contextos urbanos locais. A residência também incluirá ações de cuidado com animais de rua nos territórios percorridos, com distribuição de água e alimentação em pontos estratégicos, em parceria com voluntários e moradores.

O projeto conta com apoio do Governo do Estado do Amazonas, do Conselho Estadual de Cultura, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Governo Federal, via Política Nacional Aldir Blanc. As inscrições e o regulamento estarão disponíveis no perfil do coletivo no Instagram (@caramelostrabalhando).

Manaus está abrindo portas para artistas que queiram mergulhar nos bairros da cidade de uma forma diferente. O projeto "De Olho no Meu Bairro" lança sua segunda edição com 15 vagas disponíveis, e as inscrições começam nesta quinta-feira, 12 de junho, seguindo até o dia 27. Não custa nada se inscrever.

O trabalho é organizado pelo coletivo Caramelos Trabalhando e funciona como uma residência artística distribuída em cinco encontros espalhados por diferentes zonas de Manaus. Quem participa — artistas, estudantes, curiosos pela arte — terá acesso a formação técnica, pesquisa territorial e a chance de criar suas próprias obras. Tudo isso acontecerá nos bairros, em espaços comunitários, associações e áreas públicas que ainda serão divulgados. Os encontros estão marcados para 11, 18 e 25 de julho, e depois 1º e 8 de agosto.

Andrew Ponto, coordenador do projeto, explica que a ideia central é levar os participantes para além de seus caminhos habituais. "A gente quer criar oportunidades de conhecer diferentes contextos, territórios e formas de perceber a cidade de Manaus", diz ele. Cada oficina será conduzida por artistas e pesquisadores ligados aos territórios visitados, o que permite que os participantes aprendam processos criativos diversos e ampliem seu olhar sobre a cidade.

Durante os cinco encontros, espera-se que cerca de 25 obras autorais sejam produzidas em linguagens variadas: cerâmica, videoarte, pintura, performance e práticas híbridas. As criações serão inspiradas em memórias, narrativas e paisagens urbanas dos bairros de origem dos participantes. Ao final, tudo será reunido em uma exposição coletiva aberta ao público.

A segunda edição prioriza bairros marcados pela urbanização periférica, diversidade cultural e intensa produção simbólica comunitária. Essa escolha surgiu da escuta dos participantes da primeira edição, realizada em novembro de 2025, que reuniu oito artistas em uma exposição no Shopping Cidade Leste. Muitos deles relataram maior identificação com trabalhos voltados para os contextos urbanos locais. Ponto destaca que a troca de experiências foi fundamental: "muitos dos participantes já possuíam experiências na área artística, cultural ou educacional, e acompanharam de perto o desenvolvimento do projeto".

Além das atividades artísticas, a residência contará com ações voltadas ao cuidado e à preservação dos animais que vivem nos bairros visitados. Durante os encontros, a equipe disponibilizará recipientes com água e alimentação em pontos estratégicos. "Pode parecer um gesto simples, mas para animais que passam o dia inteiro expostos ao calor intenso da cidade, ter acesso à água limpa e alimentação pode fazer uma grande diferença", ressalta Ponto. Essas ações serão realizadas em parceria com voluntários e moradores das comunidades.

Para o coordenador, o projeto representa uma oportunidade de ampliar as formas de produção artística na cidade, pensando "na construção da arte fora do padrão estético que nos é imposto". Ele convida os interessados a se inscreverem: "espero que as pessoas gostem bastante do projeto, que a gente está dando um duro danado para fazer ficar o melhor possível".

O projeto conta com apoio do Governo do Estado do Amazonas, do Conselho Estadual de Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Para se inscrever, os interessados devem preencher uma ficha de inscrição e enviar os documentos exigidos em edital. O regulamento será disponibilizado no perfil do coletivo Caramelos Trabalhando (@caramelostrabalhando), onde também serão divulgados os resultados.

A ideia é levá-los para além de seus percursos habituais, criando oportunidades de conhecer diferentes contextos, territórios e formas de perceber a cidade de Manaus
— Andrew Ponto, coordenador do projeto
Para animais que passam o dia inteiro expostos ao calor intenso da cidade, ter acesso à água limpa e alimentação pode fazer uma grande diferença
— Andrew Ponto
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que essa segunda edição escolheu especificamente bairros periféricos? Não seria mais fácil trabalhar em espaços já consolidados?

Model

A primeira edição mostrou que os participantes se identificavam mais com trabalhos voltados para contextos urbanos locais. Ouvir as pessoas é fundamental — elas queriam ver suas próprias realidades refletidas na arte.

Inventor

E essa questão de levar água e comida para animais de rua durante os encontros — como isso se conecta com a produção artística?

Model

Não é uma coisa separada. É sobre estar presente no território de verdade, cuidar do que existe ali. Para um animal na rua sob o calor de Manaus, água limpa é transformação real. A arte não acontece isolada disso.

Inventor

Andrew Ponto fala em "construir algo inerte de nós". O que ele quer dizer com isso?

Model

Acho que ele está falando sobre criar fora dos padrões que nos impõem. Não seguir o que a indústria cultural diz que é belo ou válido. Produzir a partir de quem você é, do seu território, das suas memórias.

Inventor

Quinze vagas é pouco ou muito para uma cidade como Manaus?

Model

É um número pequeno, mas é honesto. Permite que cada pessoa tenha atenção real, que os encontros sejam profundos. Qualidade sobre quantidade. E a inscrição é gratuita — isso abre para quem não teria como pagar.

Inventor

O que você acha que vai sair dessa exposição coletiva no final?

Model

Vinte e cinco obras que falam de Manaus de dentro para fora. Não arte sobre a cidade, mas arte feita por quem vive nela. Isso muda tudo.

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