Renda fixa ganha espaço entre investidores brasileiros em busca de melhor rentabilidade

O dinheiro trabalhar para mim, aumentando minha liberdade financeira
Rafael Porto, estudante de 21 anos, explica sua motivação para sair da poupança e investir em renda fixa.

Em um país onde a poupança ainda carrega o peso de décadas de confiança popular, uma parcela crescente de brasileiros começa a descobrir que o dinheiro pode render mais sem abrir mão da segurança. Com a taxa Selic em 11,75% e projeções de queda gradual até 2024, os títulos de renda fixa emergem não como novidade arriscada, mas como alternativa madura a um hábito que a história econômica do Brasil ajudou a cristalizar. A jornada de quem migra da poupança para o Tesouro Direto ou os CDBs é, no fundo, uma pequena revolução silenciosa na relação do brasileiro com o próprio dinheiro.

  • Apenas 1% dos brasileiros investem em renda fixa, enquanto 26% ainda confiam na poupança — uma disparidade que revela o peso da memória econômica sobre as escolhas financeiras do presente.
  • Com a Selic a 11,75%, títulos indexados à taxa básica de juros oferecem retornos que a poupança simplesmente não consegue acompanhar, especialmente em cenários de inflação elevada.
  • O Banco Central projeta redução da Selic para cerca de 9% até o fim de 2024, mas especialistas apontam que a renda fixa ainda deverá superar o CDI — e deixar a poupança para trás mais uma vez.
  • Diversificação entre Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs é apontada como caminho essencial, com a recomendação unânime de buscar orientação profissional antes de qualquer movimento.

Rafael Porto tem 21 anos, estuda Direito na UnB e tomou uma decisão que poucos brasileiros tomam: saiu da poupança e foi para o Tesouro Direto. Ele é parte de apenas 1% dos brasileiros que investem em renda fixa — enquanto 26% ainda guardam dinheiro na caderneta tradicional, um hábito enraizado na história econômica do país.

A lógica da renda fixa é simples: o investidor empresta dinheiro ao governo ou a instituições financeiras e recebe o valor de volta com juros. O risco é baixo, o capital é garantido pelo emissor, e o resgate pode ser feito a qualquer momento. Para Rafael, que começou no mercado de criptoativos em busca de ganhos rápidos, a migração para uma estratégia mais equilibrada foi natural — e reveladora.

O economista Renan Silva, da Bluemetrix Asset, explica a persistência da poupança: nos anos 1970, o governo a garantia diretamente, e essa segurança ficou gravada no imaginário coletivo. Hoje, o FGC protege até R$ 250 mil por CPF e instituição, mas a percepção de que a poupança é o investimento mais seguro ainda domina — mesmo que os números contem outra história.

Com a Selic em 11,75%, 62,8% dos títulos de renda fixa procurados em outubro eram indexados a ela. Títulos atrelados ao IPCA vinham em segundo lugar, com 26,1%, seguidos pelos prefixados, com 11,1%. O professor Otto Nogami, do Insper, pondera: para perfis conservadores, a poupança ainda tem seu lugar — é simples e isenta de IR. Mas para horizontes de médio e longo prazo, CDBs e títulos públicos frequentemente superam esse retorno.

O cenário para 2024 é promissor. Com a Selic projetada para cerca de 9% e um ambiente macroeconômico mais estável, o assessor Bruno Rocio, da Raro Investimentos, acredita que os instrumentos de renda fixa têm grande chance de superar o CDI no próximo ano — como já ocorreu em 2017. A poupança, como em 2023, deve ficar para trás. Para quem quer começar, o caminho passa por bancos ou corretoras, escolha consciente entre as opções disponíveis e, acima de tudo, orientação profissional.

Rafael Porto tem 21 anos, estuda Direito na Universidade de Brasília e, como muitos brasileiros em busca de rentabilidade melhor, decidiu sair da poupança. Sua escolha recaiu sobre títulos de renda fixa — especificamente o Tesouro Direto — um movimento que o afasta da maioria dos seus compatriotas. Apenas 1% dos brasileiros investem nessa modalidade, enquanto 26% mantêm seu dinheiro guardado na poupança tradicional, um hábito que tem raízes profundas na história econômica do país.

Os títulos de renda fixa funcionam de forma simples: o investidor empresta dinheiro ao governo ou a instituições financeiras e recebe de volta o valor principal acrescido de juros. O risco é baixo porque o valor investido é garantido pelo emissor, embora os preços desses títulos possam variar conforme as taxas de juros mudem. Para Rafael, a atração é clara. Comparado à poupança, o Tesouro Direto oferece custos menores e melhor rentabilidade, além de permitir resgate a qualquer momento. Ele vê isso como um passo em direção à independência financeira — seu objetivo declarado é fazer o dinheiro trabalhar para si mesmo, aumentando suas oportunidades futuras.

O caminho de Rafael começou diferente. Seu primeiro mergulho no mundo dos investimentos foi no mercado de criptoativos, onde buscava explorar a volatilidade e as oportunidades de ganhos rápidos. Com o tempo, porém, ele percebeu que precisava de uma abordagem mais equilibrada e diversificada. Essa mudança de estratégia reflete uma tendência mais ampla: brasileiros estão começando a questionar a sabedoria convencional de deixar dinheiro na poupança.

Renan Silva, economista e sócio da Bluemetrix Asset, explica por que a poupança mantém seu domínio apesar de oferecer retornos inferiores. Nos anos 1970, o governo garantia a poupança, e essa segurança ficou gravada no DNA do brasileiro. Hoje, embora o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — mantido pelas instituições financeiras — ofereça proteção de até R$ 250 mil por CPF e instituição, a poupança continua sendo vista como o investimento mais seguro. Mas essa confiança está perdendo força lentamente.

Os números revelam onde está o dinheiro dos brasileiros que investem em renda fixa. A taxa Selic, atualmente em 11,75%, é o índice mais popular para títulos de renda fixa — 62,8% dos títulos procurados em outubro eram indexados a ela. A razão é simples: a Selic brasileira é uma das maiores do mundo, e títulos atrelados a ela sofrem menos com oscilações do mercado financeiro. Em seguida vêm os títulos ligados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com 26,1% da preferência, e os títulos prefixados, com 11,1%.

Otto Nogami, professor do Insper, oferece uma perspectiva mais nuançada. Para investidores conservadores, a poupança continua sendo ideal — é segura, simples e isenta de Imposto de Renda. Mas para quem tem um horizonte de médio a longo prazo e pode tolerar um pouco mais de risco, títulos públicos ou CDBs (Certificados de Depósito Bancário) oferecem rendimentos maiores. Quando a Selic está acima de 8,50% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), o que pode ser competitivo dependendo da inflação. Mas títulos atrelados à Selic ou ao IPCA frequentemente superam esse retorno, especialmente em cenários de inflação alta.

O futuro próximo parece favorável aos títulos de renda fixa. O Banco Central projeta uma redução da Selic para cerca de 9% até o final de 2024. Bruno Rocio, assessor da Raro Investimentos, vê isso como positivo. Com taxas menores em 2024 e um ambiente macroeconômico melhorando — inflação controlada, risco fiscal menor, atividade econômica surpreendendo positivamente — há grande possibilidade de que todos os instrumentos de renda fixa superem o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no próximo ano, assim como aconteceu em 2017. A poupança, porém, será a exceção, como foi em 2023.

Para quem quer começar, o caminho é direto. Bancos e corretoras de valores estão aptos a operar. Basta abrir uma conta e escolher entre as opções disponíveis: Tesouro Direto, CDBs, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Cada uma tem características próprias — prazos de vencimento, taxas de juros e níveis de risco diferentes. Os especialistas concordam em um ponto: diversificação é essencial, e nenhum investimento é 100% seguro. Antes de dar o primeiro passo, buscar aconselhamento profissional não é luxo, é necessidade.

Nos anos 1970, o governo garantia a poupança, e isso ficou registrado no DNA do brasileiro
— Renan Silva, economista da Bluemetrix Asset
Há grande possibilidade de que todos os instrumentos de renda fixa superem o CDI em 2024, assim como aconteceu em 2017
— Bruno Rocio, assessor da Raro Investimentos
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Rafael Porto, um estudante de 21 anos, representa algo importante nessa história?

Model

Porque ele é exatamente o tipo de pessoa que os bancos e especialistas gostariam de ver mudando de comportamento. Ele saiu da poupança, experimentou criptoativos, e agora está em renda fixa. Isso mostra que a mudança está acontecendo, mesmo que lentamente.

Inventor

Mas 1% é um número muito pequeno. Como você explica por que 26% ainda preferem poupança?

Model

É história. Nos anos 1970, o governo garantia a poupança. Isso ficou no DNA do brasileiro. Mesmo que hoje o Fundo Garantidor de Crédito ofereça proteção, a poupança ainda é vista como o investimento mais seguro. Quebrar esse hábito leva tempo.

Inventor

A Selic em 11,75% parece muito alta. Isso é sustentável?

Model

Não. O Banco Central projeta queda para 9% até o final de 2024. Mas mesmo em 9%, as taxas brasileiras continuam altas comparadas ao resto do mundo. É por isso que renda fixa continua atrativa.

Inventor

Então a poupança vai ficar ainda menos competitiva?

Model

Provavelmente. Com a Selic caindo, a poupança vai render menos. Títulos atrelados à Selic ou ao IPCA vão continuar oferecendo mais, especialmente se você conseguir diversificar sua carteira.

Inventor

Qual é o risco real aqui? Você disse que nenhum investimento é 100% seguro.

Model

O risco maior é de oscilação de preço. Se você compra um título prefixado e as taxas de juros sobem, o valor do seu título cai. Mas se você segura até o vencimento, recebe o valor prometido. É por isso que o horizonte de tempo importa.

Inventor

E para quem está começando agora, qual é o conselho?

Model

Abra uma conta em um banco ou corretora, escolha um título que combine com seu prazo e perfil de risco, e não coloque tudo em um único lugar. Diversifique. E se não tem certeza, procure um assessor profissional antes de investir.

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