Refugiado venezuelano de 13 anos é primeiro de sua nacionalidade selecionado para simulação espacial da Nasa

A família enfrentou perdas significativas, incluindo a morte da avó por câncer logo após chegarem a Belo Horizonte, além de desemprego durante a pandemia e dificuldades financeiras contínuas.
Quero que outras crianças migrantes entendam que podem sonhar alto
Horácio reflete sobre o significado de sua seleção para a Missão Moon2 além da realização pessoal.

Em Belo Horizonte, um menino de 13 anos que cruzou fronteiras aos sete anos carregando pouco mais do que a esperança da família tornou-se o primeiro venezuelano selecionado para uma simulação espacial inspirada na NASA. Horácio Rojas, refugiado oriundo da crise venezuelana, acumulou mais de 30 premiações científicas e uma credencial da NASA antes mesmo de chegar à adolescência — provando que o talento não reconhece as linhas que os homens desenham nos mapas. Sua trajetória, tecida entre perdas, recomeços e descobertas astronômicas, coloca em perspectiva o que é possível quando uma sociedade acolhe quem chega com fome de futuro.

  • Um adolescente refugiado acaba de ser selecionado para uma missão espacial simulada, tornando-se o primeiro venezuelano a conquistar essa vaga — e o peso simbólico da conquista vai muito além do currículo.
  • A família Rojas sobreviveu a vendas de picolé nas ruas de Boa Vista, ao luto pela avó diagnosticada com câncer logo após a chegada a Belo Horizonte e ao desemprego durante a pandemia.
  • Com mais de 30 medalhas em olimpíadas científicas e credencial de cientista cidadão pela NASA, Horácio transformou uma bolsa de estudos no Colégio Loyola em trampolim para competições nacionais e internacionais.
  • Entre 12 e 14 de junho, ele treinou simulações lunares, lançamentos de foguetes e operações com drones no Centro de Treinamento Espacial ParkWay, em Brasília.
  • O maior obstáculo agora não é científico: a família não tem condições financeiras de arcar com taxas e deslocamentos para as etapas internacionais das competições que ele já conquistou o direito de disputar.

Horácio Neptaly Rojas Conde tem 13 anos e acaba de se tornar o primeiro venezuelano selecionado para a Missão Moon2, simulação espacial educacional inspirada na NASA. Mas para entender o que essa conquista significa, é preciso voltar ao começo — a uma criança de sete anos deixando Valencia, no estado de Carabobo, ao lado da mãe, do irmão e da avó, fugindo de uma crise que não dava escolha.

A primeira parada foi Boa Vista, onde a mãe, Yaksibith, vendia picolés e recolhia latinhas para sustentar a família. Com apoio de organismos humanitários e do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, chegaram a Belo Horizonte em 2019. O recomeço, porém, veio acompanhado de dor: a avó foi diagnosticada com câncer de estômago logo após a chegada e faleceu em cerca de um mês. A pandemia trouxe mais instabilidade, com o desemprego da mãe. Ainda assim, Yaksibith reconstruiu sua vida na área de segurança privada e hoje fala de Belo Horizonte com gratidão genuína.

Foi nessa cidade que Horácio encontrou seu universo — literalmente. Apaixonado por astronomia e foguetes, acumulou mais de 30 premiações em olimpíadas científicas, tornou-se cientista cidadão credenciado pela NASA e integra ligas e clubes de astronomia. Uma bolsa pelo Instituto Ponte o levou ao Colégio Loyola, onde seu desempenho continuou a abrir portas.

Na Missão Moon2, realizada em Brasília entre 12 e 14 de junho, ele participou de treinamentos técnicos, simulações de exploração lunar e lançamentos de foguetes. Para além da realização pessoal, Horácio quer que sua história sirva de mensagem: crianças migrantes também podem sonhar alto. O obstáculo que permanece é financeiro — ele conquista as vagas, mas a família nem sempre consegue arcar com os custos das etapas internacionais. Mesmo assim, ele segue abrindo portas — para si e como símbolo de que o talento não tem fronteiras.

Horácio Neptaly Rojas Conde tem 13 anos e acaba de fazer história. Aos se tornar o primeiro venezuelano selecionado para a Missão Moon2, uma simulação espacial educacional inspirada na NASA, ele carrega consigo não apenas sua própria ambição, mas a trajetória de uma família que atravessou fronteiras em busca de recomeço.

Natural de Valencia, no estado de Carabobo, Horácio deixou a Venezuela aos sete anos ao lado da mãe, Yaksibith Yohana Conde Artigas, do irmão mais novo e da avó. A crise econômica e social que assolava o país não deixou alternativa. A primeira parada foi Boa Vista, em Roraima, onde a mãe vendia picolés nas ruas e recolhia latinhas para manter a família viva durante meses de incerteza. Com apoio de organismos humanitários, da Polícia Federal, da ONU e do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, a família foi transferida para Belo Horizonte em 2019. Yaksibith chegou primeiro, recebida pela Casa do Migrante ligada à Igreja da Boa Viagem, e conseguiu seu primeiro emprego formal. Quatro meses depois, trouxe os filhos e a avó para a capital mineira.

O recomeço em Minas Gerais foi marcado por perdas inesperadas. Logo após a chegada, a avó foi diagnosticada com câncer de estômago. Permaneceu internada por cerca de um mês e faleceu. "Nós não sabíamos da doença", disse Yaksibith. A família enfrentaria outras dificuldades: durante a pandemia, a mãe perdeu o emprego em uma operadora de telefonia celular. Mas ela voltou ao mercado de trabalho e hoje, após seis anos na área de segurança privada, encontrou a estabilidade que buscava. "Gostamos muito de Belo Horizonte. Aqui encontramos oportunidades que não tivemos em outros lugares", afirma.

Foi nesta cidade que Horácio transformou sua paixão pela ciência em conquistas concretas. Desde pequeno, demonstra interesse por astronomia, foguetes e exploração espacial. O adolescente acumula mais de 30 premiações em olimpíadas científicas nacionais e internacionais, incluindo medalhas em astronomia, matemática e ciência, além de uma distinção por participação em projetos de caça a asteroides. Ele é cientista cidadão credenciado pela NASA em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, integra a Liga Latino-Americana de Astronomia, participa do Clube de Astronomia Atenas e atua como embaixador de plataformas educacionais para jovens talentos. Seu desempenho acadêmico lhe garantiu uma bolsa de estudos no Colégio Loyola por meio do Instituto Ponte, organização que apoia jovens de alto rendimento em situação de vulnerabilidade social.

A Missão Moon2, promovida pelo Wogel Space Lab em Brasília, reproduz desafios enfrentados por astronautas em missões espaciais reais. Entre 12 e 14 de junho, no Centro de Treinamento Espacial ParkWay, Horácio participou de treinamentos técnicos, simulações de exploração lunar, lançamentos de foguetes, operações com drones e missões de resgate. "Eu gosto muito de foguetes, de participar de olimpíadas científicas e aprender sobre o espaço. Acredito que isso contribuiu para minha seleção", conta.

Para o jovem, a participação no programa transcende a realização pessoal. "Quero que outras crianças migrantes entendam que podem sonhar alto. O Brasil oferece oportunidades e a educação pode transformar vidas", destaca. Mas há um obstáculo concreto no caminho: a família ainda enfrenta dificuldades financeiras para custear competições internacionais, que exigem pagamento de taxas e deslocamentos. "Ele conquista as vagas, mas muitas vezes não temos condições financeiras de participar de todas as etapas internacionais", relata a mãe. Apesar das barreiras econômicas que permanecem, Horácio continua abrindo portas — não apenas para si mesmo, mas como símbolo de que o talento não reconhece fronteiras.

Gostamos muito de Belo Horizonte. Aqui encontramos oportunidades que não tivemos em outros lugares
— Yaksibith Yohana Conde Artigas, mãe de Horácio
Ele conquista as vagas, mas muitas vezes não temos condições financeiras de participar de todas as etapas internacionais
— Yaksibith Yohana Conde Artigas, mãe de Horácio
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como você explica o salto de um menino vendendo picolés em Boa Vista para um adolescente selecionado pela NASA em apenas alguns anos?

Model

Não é mágica, é oportunidade encontrando talento. Horácio tinha a paixão desde pequeno, mas precisava de um lugar onde pudesse cultivá-la. Belo Horizonte ofereceu isso — escolas, programas, pessoas que reconhecem potencial.

Inventor

A mãe dele perdeu o emprego durante a pandemia. Como a família manteve o foco na educação em um momento tão frágil?

Model

Essa é a parte que importa. Não foi fácil. Mas Yaksibith voltou ao trabalho, encontrou estabilidade, e a família entendeu que a educação era o caminho. Horácio viu a mãe lutando e isso o motivou ainda mais.

Inventor

Ele fala em representar outras crianças migrantes. Isso é responsabilidade pesada para um adolescente de 13 anos?

Model

Talvez. Mas ele não está carregando sozinho. Ele está dizendo a verdade: que é possível. Que o Brasil oferece oportunidades. Que a educação transforma. Isso não é peso, é esperança.

Inventor

A família ainda não consegue pagar as competições internacionais. Isso não frustra o progresso?

Model

Frustra, sim. Ele conquista as vagas, mas o dinheiro não acompanha. É o lado invisível da história de sucesso — o talento que não pode voar porque não há recursos. Mas Horácio continua participando do que consegue alcançar.

Inventor

O que a morte da avó logo após chegarem a Belo Horizonte significou para essa família?

Model

Foi um teste. Eles já tinham perdido tudo na Venezuela, viajado para o desconhecido, e quando finalmente chegaram a um lugar seguro, perderam alguém querido. Mas decidiram seguir em frente. Isso diz tudo sobre quem eles são.

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