Se os espanhóis não o querem, que o devolvam
Num momento em que o futebol de elite exige tanto dos seus protagonistas quanto dos seus críticos, o antigo avançado Christophe Dugarry tomou a palavra para reposicionar o debate em torno de Kylian Mbappé: não como o problema do Real Madrid, mas como um dos poucos à altura do seu peso histórico. A defesa pública de um compatriota revela, no fundo, uma tensão mais profunda sobre o que significa pertencer verdadeiramente a um clube de exigência máxima — e quem, afinal, merece estar lá.
- Dugarry lança um desafio provocatório ao Real Madrid: se Mbappé é o problema, que o devolvam — e que assumam essa coragem publicamente.
- O antigo internacional francês nomeia cinco jogadores do plantel merengue — Camavinga, Guler, Valverde, Tchouaméni e Asencio — como sobrevalorizados e abaixo do nível exigido pelo clube.
- A estratégia de mercado do Real Madrid, assente em contratações de jogadores em fim de contrato, é apontada como raiz de uma inconsistência que não pode ser imputada apenas ao avançado francês.
- Dentro de campo, Mbappé responde com números: 38 golos em 33 jogos esta época e a igualar o registo histórico de Cristiano Ronaldo em 2025.
- O duelo com o Benfica na Champions, com apenas um golo de vantagem, surge como o próximo palco onde as palavras de Dugarry poderão ganhar — ou perder — peso real.
Na segunda-feira, Christophe Dugarry usou o microfone da RMC Sport para fazer aquilo que poucos se atrevem: defender Kylian Mbappé com nomes e argumentos concretos, e virar o espelho para o próprio Real Madrid. Para o antigo avançado de 53 anos, é "bastante surpreendente" que os problemas do clube sejam atribuídos exclusivamente ao compatriota, e o desafio que lançou foi direto — se os espanhóis não o querem, que o devolvam.
Mas Dugarry foi mais longe. Identificou pelo nome os jogadores que considera sobrevalorizados para um clube da dimensão do Real Madrid: Camavinga, Guler, Valverde, Tchouaméni e Asencio. Sobre este último, reconheceu que chegou à titularidade por força das lesões, mas insistiu que não tem a qualidade central que o clube exige. David Alaba, lesionado e presente apenas esporadicamente, também não escapou à crítica.
O antigo jogador do Barcelona invocou a própria experiência para reforçar o argumento: nem todos têm o direito de vestir certas camisolas, e num clube de elite é preciso ser decisivo de forma consistente — não alternar bons jogos com medíocres durante anos seguidos. A política de contratações do Real Madrid, focada em jogadores em fim de contrato para poupar recursos, foi apontada como parte do problema estrutural.
Enquanto o debate se trava fora de campo, Mbappé responde dentro dele: 38 golos em 33 jogos esta época, e em 2025 igualou os 59 golos que Cristiano Ronaldo marcou em 2013 — tornando-se apenas o segundo jogador a atingir essa marca num ano civil. O próximo capítulo escreve-se já esta quarta-feira, frente ao Benfica na Champions, com o Real Madrid a defender uma vantagem mínima de um golo. Para Mbappé, que nunca conquistou o troféu europeu, o momento é tanto uma oportunidade quanto uma prova.
Christophe Dugarry não se mordeu a língua na segunda-feira. Na antena da RMC Sport, o antigo avançado francês de 53 anos saiu em defesa de Kylian Mbappé, seu compatriota, e disparou uma bateria de críticas contra o Real Madrid — não tanto contra o clube em si, mas contra a forma como tem tratado o jogador e contra vários nomes do plantel que, na sua opinião, não têm o calibre necessário para vestir uma camisola tão pesada.
Dugarry começou por questionar a lógica das críticas recorrentes dirigidas a Mbappé. "Parece-me bastante surpreendente que os problemas do Real Madrid sejam da única responsabilidade de Mbappé," disse, antes de lançar um desafio direto: "Se os espanhóis não o querem, que o devolvam." A mensagem era clara — o avançado francês não é o culpado pela situação do clube, e se a relação se tornou insustentável, que o Real Madrid tenha a coragem de reconhecê-lo.
Mas Dugarry não parou aí. Identificou nomes específicos que considera sobrevalorizados e inadequados para um clube do tamanho do Real Madrid: Camavinga, Guler, Valverde, Tchouaméni e Asencio. Sobre este último, foi particularmente crítico, reconhecendo que se tornou titular apenas porque o clube enfrentou uma cascata de lesões, mas insistindo que não tem a qualidade central que o Real Madrid exige. Também apontou o dedo a David Alaba, que descreveu como um jogador lesionado que joga "uma semana a cada três meses" — longe do nível esperado.
O antigo jogador do Barcelona, que sabe o que significa jogar num clube de elite, usou a sua própria experiência para reforçar o argumento. "Eu também tive oportunidade de jogar em grandes clubes. No Barcelona, por exemplo, não vesti muitas vezes a camisola e há uma razão para isso," explicou, sugerindo que nem todos têm o direito de estar naquele nível.
Dugarry também criticou a estratégia de mercado do Real Madrid dos últimos anos. O clube, segundo ele, tem preferido contratar jogadores em final de contrato para poupar recursos, evitando pagar milhões a outros clubes. O problema, na sua visão, é que isso resultou numa falta de consistência e evolução. "Quando jogas num clube como este, tens de demonstrar que és um grande jogador durante a temporada, liderar a tua equipa e ser decisivo," afirmou. "Não podes estar dois, três ou quatro anos num clube e jogar sempre ao mesmo nível, com um bom jogo, outro medíocre."
Mbappé, entretanto, parece estar a responder dentro de campo. Desde que chegou ao Real Madrid no verão de 2024, o avançado francês de 27 anos acumulou críticas pela falta de sucesso desportivo do clube. Mas esta época está a subir de produção: já marcou 38 golos em 33 jogos, e está apenas a seis remates de igualar o seu registo de estreia. Em 2025, igualou um recorde histórico — os 59 golos que Cristiano Ronaldo marcou em 2013, tornando-se o segundo jogador a alcançar essa marca num ano civil.
O próximo teste será amanhã, quarta-feira, quando o Real Madrid enfrenta o Benfica na segunda mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. O clube merengue tem apenas um golo de vantagem, e a competição europeia é um dos grandes objetivos de Mbappé — um título que lhe escapou durante os seus anos no PSG. A forma como o francês responde nos próximos jogos pode ser tão importante quanto as palavras de Dugarry.
Citas Notables
Parece-me bastante surpreendente que os problemas do Real Madrid sejam da única responsabilidade de Mbappé— Christophe Dugarry
Há demasiados jogadores do Real Madrid que não são jogadores para o Real Madrid. Estão sobrevalorizados— Christophe Dugarry
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que Dugarry sente necessidade de defender Mbappé desta forma tão pública?
Porque vê uma injustiça. Quando um jogador de topo chega a um clube grande e as coisas não correm bem, é fácil culpabilizá-lo. Dugarry conhece esse mundo — sabe que nem sempre o problema está no jogador mais visível.
Mas Mbappé não tem tido números brilhantes desde que chegou ao Real Madrid, certo?
Certo, mas agora está a marcar 38 golos em 33 jogos. Dugarry está a dizer que o problema não é Mbappé — é que há outros jogadores no plantel que não estão à altura. A qualidade não é uniforme.
Quando ele nomeia Camavinga, Guler, Valverde — está a dizer que estes não deviam estar lá?
Está a dizer que não têm o nível que o Real Madrid exige. Alguns foram contratados porque estavam em final de contrato, não porque fossem os melhores disponíveis. Há uma diferença.
E Alaba? Dugarry foi bastante duro com ele.
Porque Alaba está constantemente lesionado. Não é culpa dele, mas o Real Madrid precisa de um central que jogue regularmente. Quando jogas uma semana a cada três meses, não podes ser a base de um projeto.
Qual é o risco real para Mbappé agora?
Que a narrativa se consolide — que ele seja visto como um fracasso no Real Madrid. Mas os números dizem outra coisa. Se continuar a marcar, especialmente na Champions, essa narrativa desmorona.
E se o Real Madrid perder amanhã contra o Benfica?
Então a pressão aumenta exponencialmente. Mas Dugarry está a tentar mudar a conversa — deixar de culpar um homem e começar a questionar as escolhas do clube.