Nas entranhas do deserto africano, a rainha das ratas-toupeiras-peladas governa não pela força, mas por um perfume: o miristato de isopropila, composto químico que suspende a fertilidade de todas as outras fêmeas da colônia. Pesquisadores do Centro Max Delbrück, na Alemanha, identificaram essa molécula como o mecanismo central da eussocialidade nesses mamíferos — um sistema em que a coesão do grupo depende, literalmente, de um cheiro. O achado revela que o controle reprodutivo, em sua forma mais sofisticada, pode ser exercido sem violência, apenas pela linguagem silenciosa da química.