Madeira quer ser reconhecida como grande região europeia

Queremos que a Madeira seja vista como uma grande região
Francisco Jardim Ramos na abertura do ciclo de conferências sobre o futuro europeu e o posicionamento da Madeira.

Num momento em que a Europa debate o seu próprio futuro, a Madeira escolhe não esperar à margem. A Associação dos Ex-Deputados da Assembleia Legislativa da Madeira lançou o ciclo 'Encruzilhadas da Europa' com a convicção de que a condição ultraperiférica da região não precisa de ser um destino, mas pode ser reconfigurada como uma posição estratégica. É um gesto de afirmação coletiva: transformar a reflexão em memória pública, e a memória em caminho.

  • A Madeira sente a tensão entre a sua realidade geográfica periférica e a ambição de ser reconhecida como uma região europeia de peso real.
  • Francisco Jardim Ramos convocou figuras centrais da política regional — incluindo Alberto João Jardim e Rubina Leal — para inaugurar um debate que recusa o conformismo.
  • O ciclo de conferências está a crescer: já estão agendadas intervenções do reitor da Universidade da Madeira e de outros académicos e políticos, alargando o espectro de vozes.
  • A iniciativa não se esgota no auditório — os textos serão compilados no livro 'A Palavra de', tornando o debate acessível ao público geral e criando um registo duradouro.

Francisco Jardim Ramos abriu o ciclo de conferências 'Encruzilhadas da Europa' com uma ambição bem definida: posicionar a Madeira não como território à margem, mas como região com peso real no projeto europeu. Presidente da Associação dos Ex-Deputados da Assembleia Legislativa da Madeira, Ramos lançou a iniciativa como convite a uma reflexão séria sobre o lugar da região num continente em transformação.

A sessão inaugural reuniu figuras de referência da política madeirense. Rubina Leal, presidente da Assembleia Legislativa, esteve presente, e Alberto João Jardim foi o orador principal — uma escolha que traduzia décadas de experiência e memória institucional. Ramos foi claro: a condição ultraperiférica da Madeira é uma realidade estrutural, mas a questão que importa é saber se essa condição pode ser reposicionada como oportunidade em vez de obstáculo.

O ciclo não fica por aqui. Estão previstas intervenções do reitor da Universidade da Madeira, Sílvio Fernandes, e do antigo deputado Maximiano Martins, entre outros. Cada participante trará uma perspetiva distinta sobre os desafios europeus e o papel da região. E o propósito final distingue esta iniciativa de um simples debate: todos os textos serão reunidos no livro 'A Palavra de', um documento público que democratiza o pensamento regional e o preserva como referência para quem quiser acompanhar o desenvolvimento da Madeira autónoma.

Francisco Jardim Ramos abriu as portas de um ciclo de conferências na Madeira com uma ambição clara: colocar a região no mapa europeu não como um território periférico, mas como uma força regional de verdadeiro peso. Ramos, presidente da Associação dos Ex-Deputados da Assembleia Legislativa da Madeira, lançou a iniciativa intitulada 'Encruzilhadas da Europa' como ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre o futuro do continente e, crucialmente, sobre o lugar que a Madeira deve ocupar nesse futuro.

A conferência de abertura reuniu figuras políticas regionais de relevo. Rubina Leal, presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, marcou presença, enquanto Alberto João Jardim, antigo presidente do Governo Regional, foi convidado para intervir como orador principal. A escolha dos nomes não era casual — ambos representam décadas de experiência política na região e conhecimento profundo dos desafios que a Madeira enfrenta.

Na sua intervenção, Ramos explicou que o ciclo de conferências não era um exercício académico vazio, mas uma tentativa concreta de identificar estratégias que reforçassem o papel da Madeira no contexto europeu. O ponto de partida era honesto: a região é ultraperiférica, geograficamente afastada do continente, com limitações estruturais que nenhuma conferência poderia ignorar. Mas a questão subjacente era provocadora — será que essa condição tem de ser um obstáculo permanente, ou pode ser reposicionada como uma oportunidade?

A iniciativa integrava-se na missão mais ampla da associação de ex-deputados: desenvolver atividades que elevassem o prestígio da Assembleia Legislativa e, por extensão, da própria região. Ramos anunciou que o ciclo não terminaria com a conferência de abertura. Já estavam agendadas futuras intervenções, incluindo uma do reitor da Universidade da Madeira, Sílvio Fernandes, e outra do antigo deputado Maximiano Martins. Cada voz traria perspetivas diferentes sobre os desafios europeus e o posicionamento regional.

O que tornava este ciclo particularmente significativo era o seu propósito final. Não se tratava apenas de debater ideias num auditório e depois dispersar-se. Os textos de todas as conferências seriam compilados num livro intitulado 'A Palavra de', que ficaria disponível para qualquer pessoa interessada no desenvolvimento da região autónoma. Era um gesto de democratização do conhecimento — as reflexões de políticos, académicos e especialistas regionais não ficariam restritas aos presentes na sala, mas circularia como um documento permanente, consultável, um registo do pensamento regional num momento de transformação europeia.

Queremos que a Madeira seja vista como uma grande região
— Francisco Jardim Ramos, presidente da AEDAL-RAM
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Inventor

O que significa exatamente a Madeira querer ser "reconhecida como uma grande região"? Não é já uma região autónoma?

Model

É uma questão de escala e influência. A Madeira existe como região, sim, mas frequentemente é vista como periférica, quase marginal nas discussões europeias. O que Ramos está a dizer é que querem ser ouvidos como atores significativos nas decisões que moldam o futuro europeu.

Inventor

E a condição ultraperiférica — é realmente um obstáculo tão grande?

Model

É complexo. Geograficamente, sim, a distância é real. Mas há também oportunidades nessa posição — turismo, biodiversidade, uma perspetiva única. O ciclo de conferências parece estar a tentar repensar como essa periferia pode ser um ativo, não apenas uma desvantagem.

Inventor

Porque é que um livro final é importante? Não seria suficiente apenas fazer as conferências?

Model

Um livro torna permanente. As conferências são momentos — passam. Mas um livro fica, circula, torna-se referência. É uma forma de dizer: isto que estamos a pensar, isto que estamos a discutir, merece ser lembrado e consultado.

Inventor

Quem é o público-alvo destas conferências?

Model

Aparentemente, qualquer pessoa interessada no desenvolvimento da região. Mas provavelmente há um núcleo de políticos, académicos e líderes regionais que entendem que a Madeira precisa de uma estratégia clara para o próximo período europeu.

Inventor

E se nada mudar? Se a Madeira continuar a ser vista como periférica?

Model

Então pelo menos terão criado um registo de pensamento sério sobre alternativas. Às vezes, o primeiro passo é nomear o problema e imaginar outras possibilidades.

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