A avó que inspirou o apelido de Vozinha, goleiro sensação da Copa de 2026

Vozinha enfrentou dificuldades financeiras que impediram sua mãe de comparecer à Copa do Mundo, além da perda dos avós que o criaram.
Não há palavras para descrever o que você significa para mim
Vozinha homenageou sua avó Maria Senhorinha no Instagram em 2017, revelando o vínculo profundo que moldou sua vida.

Em cada apelido há uma história que o tempo não apaga. Vozinha, goleiro de Cabo Verde aos 40 anos, carrega desde a infância o nome que os colegas lhe deram nas ruas de São Vicente — uma brincadeira sobre a avó que o criou e que se tornou, décadas depois, o nome pelo qual o mundo inteiro o conheceu na primeira Copa do Mundo da história do seu país. A estreia histórica contra a Espanha revelou não apenas um veterano extraordinário, mas um homem que chora no gramado pela ausência dos que mais amou.

  • Aos 40 anos, Vozinha tornou-se sensação global em poucas horas: de 50 mil para mais de 2 milhões de seguidores no Instagram após uma atuação sólida contra a Espanha.
  • Por trás da celebração histórica, havia dor silenciosa — os avós que o criaram já faleceram, e sua mãe não conseguiu visto para estar nas arquibancadas.
  • O apelido que ele não gostava na juventude tornou-se permanente quando descobriu outro goleiro chamado Josimar no futebol angolano, selando de vez sua identidade no esporte.
  • Cabo Verde chegou à sua primeira Copa do Mundo liderando o grupo das eliminatórias à frente de Camarões, e Vozinha, com 89 partidas pela seleção, é o símbolo vivo dessa conquista coletiva.

Josimar José Évora Dias nunca foi chamado pelo nome de batismo no futebol. Desde criança nas ruas de São Vicente, em Cabo Verde, era Vozinha — apelido nascido da gozação dos colegas que o viam voltar para casa de cara fechada após levar pancadas de garotos mais velhos. Diziam que ele ia reclamar com os avós. O nome pegou e nunca mais o largou.

Foi criado por Maria Senhorinha dos Santos e Manuel da Luz Moraes enquanto seus pais trabalhavam. A avó era uma de suas rainhas, como ele mesmo escreveu ao abraçá-la numa foto publicada em 2017. Mas Maria Senhorinha já havia partido quando Vozinha chegou à Copa do Mundo de 2026. No gramado, após o empate sem gols com a Espanha na estreia histórica de Cabo Verde, ele chorou — pelos avós ausentes, e pela mãe que não conseguiu resolver o visto a tempo de estar lá.

A carreira foi construída longe dos holofotes: Cabo Verde, Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia, Portugal. Foi no futebol angolano que o apelido da infância se tornou definitivo, quando descobriu que outro goleiro já usava o nome Josimar — homenagem do pai ao lateral da seleção brasileira de 1986. Vozinha ficou.

Pela seleção, acumulou 89 partidas e quatro Copas Africanas de Nações, tornando-se o segundo jogador que mais vezes vestiu a camisa do país. Na noite de 15 de junho de 2026, após a atuação contra a Espanha, uma campanha da CazéTV convocou os brasileiros a segui-lo — e em poucas horas ele saltou de 50 mil para mais de 2 milhões de seguidores. O menino que corria para reclamar com a avó nas ruas de São Vicente vivia, aos 40 anos, o ponto mais alto de uma vida inteira dedicada ao futebol — carregando consigo o amor de quem o criou e a dor de sua ausência.

Josimar José Évora Dias nunca usou seu nome de batismo no futebol. Desde a infância nas ruas de São Vicente, em Cabo Verde, ele era Vozinha — um apelido que nasceu da brincadeira de colegas que o viam voltar para casa chateado após levar pancadas em jogos com garotos mais velhos. Pequeno e competitivo demais para sua idade, ele levava muita porrada. Quando não conseguia revidar, voltava com a cara fechada, e os meninos riam, dizendo que ele ia reclamar com os avós. O apelido pegou. Décadas depois, aos 40 anos, ele ainda o carregava — e agora o mundo inteiro o conhecia por ele.

Vozinha foi criado por Maria Senhorinha dos Santos e Manuel da Luz Moraes enquanto seus pais trabalhavam. Essa proximidade com a avó marcou sua vida de forma tão profunda que ele nunca deixou de homenageá-la publicamente. Em abril de 2017, postou uma foto abraçando Maria Senhorinha no Instagram, escrevendo que não havia palavras para descrever o que ela significava para ele. Aquela mulher que o criou, que ouviu suas reclamações de criança, que o viu crescer longe dos pais, era uma de suas rainhas. Mas Maria Senhorinha já havia falecido quando Vozinha chegou à Copa do Mundo de 2026.

No gramado, após o empate sem gols entre Cabo Verde e Espanha na estreia do país na competição, o goleiro chorou. Não era apenas pela emoção de estar em uma Copa do Mundo — era pela ausência daqueles que o criaram. Seus avós não estavam nas arquibancadas. Sua mãe também não conseguiu chegar. Havia questões de visto, havia dinheiro que precisava ser pago, havia situações que não foram resolvidas a tempo. Enquanto o mundo celebrava a estreia histórica de Cabo Verde, Vozinha sentia o peso daqueles que faltavam.

A carreira do goleiro havia sido construída longe dos grandes centros do futebol mundial. Começou nos clubes cabo-verdianos Batuque e Mindelense, depois passou por Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal. Quando chegou ao futebol angolano, descobriu que outro goleiro se chamava Josimar — o nome que seu pai havia escolhido em homenagem ao lateral da seleção brasileira de 1986. Foi então que o apelido da infância, aquele que ele não gostava quando era jovem, finalmente se tornou permanente. Vozinha era agora seu nome no futebol.

Pela seleção de Cabo Verde, ele se transformou em ídolo nacional. Convocado pela primeira vez em 2012, disputou quatro Copas Africanas de Nações e acumulava 89 partidas pela equipe — era o segundo jogador que mais vezes havia vestido a camisa do país. Mas nada o havia preparado para o que aconteceria na noite de 15 de junho de 2026. Após sua atuação sólida no empate com a Espanha, a emissora CazéTV lançou uma campanha pedindo aos brasileiros que o seguissem nas redes sociais. Quando a transmissão começou, Vozinha tinha cerca de 50 mil seguidores no Instagram. Poucas horas depois, ultrapassava 2 milhões. De repente, o veterano goleiro de 40 anos era um dos personagens mais comentados da Copa do Mundo.

Isso tudo acontecia porque Cabo Verde havia feito história. O país havia chegado à sua primeira Copa do Mundo após uma campanha extraordinária nas eliminatórias, terminando na liderança do grupo à frente de Camarões. Os Tubarões Azuis estavam aqui. E Vozinha, o menino que levava pancada nas ruas de São Vicente e corria para reclamar com os avós, era seu goleiro. Ele vivia o ponto mais alto de uma carreira que havia começado longe de tudo, em uma ilha pequena, com uma família que o amava o suficiente para criá-lo quando seus pais não podiam estar presentes. Agora, naquela Copa do Mundo, ele carregava aquele amor consigo — e também a dor de sua ausência.

Eu chorei após a partida porque cresci com meus avós quando era criança, e eles não puderam estar lá. Eles faleceram há alguns anos. Minha mãe também não pôde estar aqui por uma questão de visto, e o dinheiro que precisamos pagar por ele.
— Vozinha, após o empate com a Espanha
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como um apelido que começou como brincadeira de criança acaba definindo a identidade de um jogador por quarenta anos?

Model

Porque às vezes o que nos machuca quando somos pequenos se torna a coisa mais verdadeira sobre quem somos. Vozinha levava pancada, voltava para casa chateado, e aquilo virou uma piada. Mas a piada tinha um núcleo de verdade — ele realmente tinha alguém esperando por ele em casa. Isso nunca saiu dele.

Inventor

Ele chorou no gramado após o jogo contra a Espanha. O que exatamente ele estava sentindo naquele momento?

Model

Ele estava em uma Copa do Mundo, realizando um sonho que poucos de seu país jamais realizariam. Mas os dois únicos adultos que o criaram, que o abraçaram quando voltava machucado, não estavam lá para ver. E sua mãe também não conseguiu chegar por questões de dinheiro e burocracia. Naquele momento, a vitória pessoal colidiu com a ausência pessoal.

Inventor

Por que a história dele ressoou tanto com os brasileiros que o seguiram em massa?

Model

Porque é uma história sobre família, sobre ser criado por quem ama você mesmo quando não é obrigado, sobre carregar aquele amor por toda uma vida. Os brasileiros reconhecem isso. E porque Vozinha nunca escondeu — ele postava fotos abraçando a avó, escrevia mensagens de aniversário públicas. Ele não tinha vergonha daquele apelido ou daquela origem.

Inventor

Ele deixou Cabo Verde com um nome diferente, não é?

Model

Sim. Seu pai o chamou de Josimar, em homenagem a um lateral da seleção brasileira. Mas quando chegou a Angola, havia outro goleiro com o mesmo nome. Então o apelido que ele não gostava quando era criança — aquele que o humilhava um pouco — se tornou sua identidade profissional. Às vezes a vida nos força a abraçar exatamente aquilo que tentamos fugir.

Inventor

O que significa para Cabo Verde ter um goleiro assim em sua primeira Copa do Mundo?

Model

Significa que o país não chegou aqui por acaso. Chegou porque tinha um homem de 40 anos que passou a vida inteira jogando em ligas pequenas, longe dos holofotes, mas nunca parou de trabalhar. Vozinha é a encarnação da persistência. E agora, quando o mundo olha para Cabo Verde, vê um homem que ama sua avó, que chora pelos que faltam, que construiu uma carreira inteira com as próprias mãos.

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