Quem era Letícia: estudante de medicina morta em Barbacena deixa legado de dedicação

Letícia Moraes, 40 anos, foi morta a facadas, deixando dois filhos órfãos e sua mãe enlutada.
Uma vida interrompida, filhos órfãos, uma mãe chorando
Mensagem de amiga lamentando a morte de Letícia e seus desdobramentos para a família.

Letícia cursava os últimos períodos de medicina, era mãe de dois filhos e havia apresentado seu TCC em maio de 2025. A vítima foi encontrada com múltiplas perfurações pelo corpo, aparentemente causadas por faca, concentradas na cabeça, nuca e pescoço.

  • Letícia Moraes de Vasconcelos Rodrigues, 40 anos, encontrada morta em Barbacena em 27 de junho
  • Estudante nos últimos períodos de medicina, havia apresentado TCC em maio de 2025
  • Mãe de dois filhos, natural de Montes Claros, havia cursado Direito antes de medicina
  • Encontrada com múltiplas perfurações por faca, concentradas em cabeça, nuca, pescoço e costas
  • Namorado localizado em Bom Jardim de Minas com carteira e cartões bancários da vítima

Letícia Moraes, estudante de medicina de 40 anos, foi encontrada morta em seu apartamento em Barbacena. Seu namorado é apontado como principal suspeito do feminicídio.

Letícia Moraes de Vasconcelos Rodrigues tinha 40 anos quando foi encontrada morta no apartamento onde vivia em Barbacena, no Campo das Vertentes. Seu corpo estava no chão da sala, com múltiplas perfurações causadas por faca — a maioria dos ferimentos concentrada na cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos. Tudo indica que ela morreu ainda pela manhã de sábado, 27 de junho, antes de seu namorado sair do imóvel. Familiares e amigos notaram que ela havia parado de responder mensagens por volta do meio-dia. Preocupadas, amigas pediram ajuda ao ex-marido de Letícia, que conseguiu acessar a sacada do apartamento e a encontrou caída.

Quem era essa mulher? Os relatos que emergiram após sua morte revelam uma pessoa de múltiplas camadas. Letícia era mãe de dois filhos e estava nos últimos períodos do curso de medicina na Faculdade de Medicina de Barbacena. Havia apresentado seu Trabalho de Conclusão de Curso em maio de 2025, uma pesquisa sobre notificações de apendicite aguda que analisava dados epidemiológicos da população. Mas medicina não era seu primeiro caminho — ela havia cursado Direito antes, natural de Montes Claros. Amigos a descreviam como doce, dedicada, uma filha que cuidava bem de sua mãe e uma mãe orgulhosa de seus filhos. Uma pessoa que trilhava um caminho desejado em sua profissão.

Durante sua formação médica, Letícia compartilhou experiências de estágios no Samu e internatos em Ibertioga. Em uma publicação de março deste ano, ela relatou ter atendido uma mulher que havia sido paciente do Hospital Colônia de Barbacena, a instituição psiquiátrica que se tornou conhecida pelas graves violações de direitos humanos que cometeu. Letícia escreveu sobre a mulher com admiração: "Ela viveu tudo aquilo e hoje vive feliz em Ibertioga. Muita autoestima e simpatia." Havia algo em seu trabalho que a tocava — a possibilidade de cuidar, de reconhecer a humanidade em quem havia sido desumanizado.

Fora da medicina, Letícia era apaixonada por viajar. Registros em redes sociais mostram passagens pela Costa Amalfitana, Florença e Roma. Mas seus momentos mais frequentemente documentados eram com a família — fotos com os filhos, mensagens de proteção e carinho. Em uma foto do Dia das Crianças de 2022, ela escreveu: "Nossa Senhora Aparecida nos cubra com seu manto de proteção e nos proteja de todo mal, Amém!" Sua mãe, Raquel, vinha de Montes Claros para morar em Barbacena, e vizinhos se lembram dela contando com orgulho a trajetória da filha — primeiro Direito, agora Medicina.

A noite de sexta-feira, 26 de junho, Letícia estava em um evento com amigos, acompanhada pelo namorado. Após a festa, o casal foi para o apartamento dela. O suspeito passou a madrugada lá e saiu durante a manhã. Horas depois, ela estava morta. O namorado foi localizado em Bom Jardim de Minas, a cerca de 179 quilômetros de Barbacena. Com ele, os militares encontraram a carteira de Letícia, contendo dois cartões bancários em seu nome.

A notícia de sua morte comoveu a Faculdade de Medicina e a cidade. A instituição divulgou nota afirmando que a perda causava imensa tristeza em toda a comunidade acadêmica. Nas redes sociais, familiares, amigos e colegas deixaram mensagens. Uma amiga que havia alugado casa com Letícia escreveu sobre como a mãe dela, Dona Raquel, contava orgulhosa a trajetória da filha, e como Letícia estava sempre ali com os pais e filhos. Outro relato: "Uma vida interrompida, filhos órfãos, uma mãe chorando, sonhos desfeitos e muita crueldade." A Polícia Civil acionou perícia, o corpo foi encaminhado para necropsia, e o suspeito será ouvido na delegacia. O que resta agora é a espera por justiça e o vazio deixado por uma mulher que estava no meio do caminho de seus sonhos.

Lê, uma pessoa tão doce. Uma mãe com orgulho imenso dos seus filhos. Uma filha fantástica, que cuidava tão bem de sua mãe.
— Pessoa próxima de Letícia em homenagem nas redes sociais
A Letícia combinou o aluguel de uma casa comigo quando os pais dela viriam de Montes Claros morar aqui em Barbacena. A mãe dela, Dona Raquel, um amor de pessoa, contava a trajetória dela toda orgulhosa.
— Vizinho que alugou imóvel para Letícia
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como uma mulher que estava tão perto de terminar a medicina, que tinha filhos, que viajava, que cuidava da mãe — como ela chega a esse ponto?

Model

Não sabemos ainda. Mas o que os relatos mostram é que ela estava vivendo uma vida que parecia plena. Tinha feito uma escolha corajosa de recomeçar com medicina aos 40 anos. Estava documentando seu trabalho, seus estágios, seus momentos com a família.

Inventor

E o namorado? Ele estava presente nessa vida que ela compartilhava?

Model

Não há menção dele nas redes sociais, nas histórias que as pessoas contam. Ele aparece apenas naquela noite de sexta-feira, no evento com amigos. Depois, na madrugada, no apartamento dela.

Inventor

Você acha que as pessoas que a conheciam viam sinais de perigo?

Model

Os relatos que surgiram após sua morte falam de doçura, dedicação, orgulho. Ninguém menciona medo ou preocupação. É como se ele não fizesse parte da narrativa que ela construía publicamente.

Inventor

E a mãe dela, Raquel? Como ela está?

Model

Ela vinha de Montes Claros para morar em Barbacena, para estar perto da filha. Vizinhos se lembram dela contando com orgulho sobre a trajetória de Letícia. Agora ela perdeu uma filha que cuidava bem dela, que a visitava sempre.

Inventor

Dois filhos órfãos. Uma mãe enlutada. E uma profissão que ela nunca chegou a exercer completamente.

Model

Sim. O TCC foi apresentado em maio. Ela estava tão perto. Tão perto de virar médica de verdade.

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