Princesa Bajrakitiyabha Mahidol morre aos 47 anos após 3 anos em coma

Princesa Bajrakitiyabha Mahidol faleceu aos 47 anos após três anos e meio em coma, deixando questões sobre sucessão na monarquia tailandesa.
Sem o Estado de Direito, sempre haverá caos
Princesa Bajrakitiyabha refletia sobre o que acreditava ser essencial para o desenvolvimento de uma nação.

A princesa Bajrakitiyabha Mahidol, filha mais velha do rei da Tailândia, faleceu aos 47 anos após três anos e meio em silêncio clínico — um intervalo que o mundo observou sem saber ao certo o que aguardava do outro lado. Advogada formada pela Cornell, embaixadora e defensora dos direitos humanos, ela havia construído uma identidade pública que transcendia os ornamentos da realeza. Sua morte, em junho de 2026, não encerra apenas uma vida interrompida cedo demais; abre uma interrogação sobre quem, numa monarquia já pressionada, carregará adiante o compromisso com a justiça que ela soube articular em palavras e em atos.

  • Uma infecção estomacal em abril desencadeou uma cascata silenciosa — inflamação intestinal, colapso da pressão arterial, arritmia — até que máquinas passaram a fazer o que o corpo já não conseguia.
  • Por três anos e meio, o palácio tailandês viveu suspenso entre a esperança médica e a inevitabilidade, acompanhando números em monitores como se fossem o pulso de toda a monarquia.
  • A morte de uma princesa com doutorado, carreira diplomática e histórico de defesa de prisioneiras não é apenas uma perda familiar — é a saída de uma voz institucional rara num reino de instabilidade crônica.
  • A questão da sucessão, já nebulosa, torna-se ainda mais urgente: ninguém ocupa, com a mesma credibilidade, o espaço que ela deixa nas instituições que ajudava a sustentar.

A princesa Bajrakitiyabha Mahidol morreu ontem aos 47 anos, encerrando três anos e meio de coma que haviam mantido a monarquia tailandesa numa espécie de espera suspensa. Filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn, ela havia entrado em colapso sem aviso prévio e nunca mais recuperou a consciência.

Os meses finais foram marcados por uma deterioração progressiva. Em abril, uma infecção estomacal desencadeou inflamação intestinal, queda brusca de pressão e batimentos irregulares. Os rins pararam de funcionar sozinhos; a respiração passou a depender de equipamentos. O palácio acompanhava cada variação nos monitores como se os números contassem uma história que ninguém queria ver terminar.

Antes do coma, Bajrakitiyabha havia percorrido um caminho incomum para alguém de sua posição. Nascida em 1978, formou-se em direito, obteve doutorado pela Universidade Cornell e acumulou funções que iam da embaixada na Áustria à Procuradoria-Geral tailandesa, passando por operações de segurança real e pelo papel de embaixadora de boa vontade da ONU. Sua defesa dos direitos de mulheres prisioneiras era concreta, não apenas protocolar.

Em 2013, ela disse à Associated Press que 'a sociedade não pode crescer se houver instabilidade e injustiça' e que o Estado de Direito era 'um pilar muito importante para o desenvolvimento'. Eram palavras que revelavam uma mulher engajada com questões que ultrapassavam os rituais palacianos.

Sua morte deixa uma lacuna difícil de preencher — não apenas na família real, mas nas instituições que ela ajudava a legitimar. Numa Tailândia marcada por décadas de instabilidade política, a ausência de uma figura com sua formação e seu histórico de compromisso público adiciona uma camada de incerteza ao futuro da monarquia.

A princesa Bajrakitiyabha Mahidol, filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn, morreu ontem aos 47 anos. Ela havia permanecido em coma durante três anos e meio — um período que começou sem aviso e terminou em silêncio, deixando a monarquia tailandesa diante de uma sucessão incerta.

Os últimos meses de sua vida foram marcados por complicações médicas que se acumularam. Em abril, médicos identificaram uma infecção no estômago que desencadeou uma cascata de problemas: inflamação nos intestinos, queda abrupta da pressão arterial e batimentos cardíacos irregulares. Seu corpo, então, dependeu inteiramente de máquinas. Os rins não funcionavam sozinhos. A respiração era mantida por equipamentos. O palácio acompanhava cada detalhe, cada mudança nos números que os aparelhos exibiam.

Antes do coma, Bajrakitiyabha havia construído uma vida pública de substância. Nascida em 1978, filha do então príncipe herdeiro Vajiralongkorn e da princesa Soamsawali — sua prima —, ela seguiu um caminho que a afastava dos estereótipos da realeza decorativa. Era advogada. Tinha doutorado pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, além de outros títulos universitários. Trabalhou como embaixadora na Áustria, atuou no escritório da Procuradoria-Geral tailandesa, comandou operações de segurança real e serviu como embaixadora de boa vontade do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime. Sua preocupação com os direitos humanos não era retórica: ela defendeu ativamente os direitos de mulheres prisioneiras.

Em uma entrevista à Associated Press em 2013, ela articulou uma visão clara sobre o que acreditava ser fundamental para uma nação. "A sociedade não pode crescer se houver instabilidade e injustiça", disse. "Sem o Estado de Direito, sem um bom sistema de justiça, sempre haverá caos. Acho que o Estado de Direito é um pilar muito importante para o desenvolvimento, para o crescimento econômico e, claro, para os direitos humanos." Eram palavras que sugeriam uma mulher pensante, engajada com questões que iam além dos protocolos palacianos.

Sua morte, porém, abre uma lacuna na sucessão tailandesa em um momento em que a monarquia já enfrenta pressões políticas e sociais. A Tailândia tem uma história de instabilidade institucional, e a morte de uma figura que havia se posicionado como defensora do Estado de Direito adiciona uma camada de complexidade ao futuro do reino. Não está claro quem preencherá o espaço que ela deixa — não apenas na família real, mas nas instituições que ela ajudava a servir.

A sociedade não pode crescer se houver instabilidade e injustiça. Sem o Estado de Direito, sem um bom sistema de justiça, sempre haverá caos.
— Princesa Bajrakitiyabha Mahidol, em entrevista à AP em 2013
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como uma mulher com essa formação e engajamento acabou em coma por tanto tempo? Há algo que se sabe sobre o que causou tudo isso?

Model

Os médicos descobriram uma infecção estomacal em abril, mas o coma já durava anos antes disso. O que sabemos é que em seus últimos meses, essa infecção desencadeou uma série de falhas — intestinos inflamados, pressão caindo, coração batendo irregularmente. Depois disso, ela dependeu completamente de máquinas.

Inventor

Três anos e meio é um tempo extraordinário. A família mantinha esperança de recuperação?

Model

O palácio continuava monitorando cada detalhe médico, publicando atualizações. Mas a realidade é que seu corpo estava se deteriorando lentamente. Não há indicação de que houvesse expectativa realista de volta.

Inventor

Ela era conhecida por defender direitos humanos. Isso era incomum para alguém de sua posição?

Model

Muito. Ela tinha um doutorado de Cornell, trabalhava como advogada, defendia prisioneiras. Em 2013, ela falava sobre Estado de Direito como pilar do desenvolvimento. Não era uma figura decorativa.

Inventor

E agora? O que sua morte significa para a Tailândia?

Model

A monarquia tailandesa já enfrenta instabilidade política. Perder uma filha do rei que tinha credibilidade em questões de justiça e direitos humanos deixa um vazio. A sucessão fica mais incerta.

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