Vozinha, goleiro de Cabo Verde aos 40 anos, estreia em Copa do Mundo contra Espanha

Cresceu nas ruas, levando pancadas de rapazes muito mais velhos
A origem do apelido Vozinha está ligada à infância do goleiro na ilha de São Vicente, onde foi criado pelos avós.

Aos 40 anos, o goleiro Vozinha carrega nas mãos muito mais do que a responsabilidade de defender uma baliza: carrega a história de um país que aprendeu a acreditar em si mesmo através do futebol. Josimar José Évora Dias, criado pelos avós nas ruas de São Vicente, percorreu Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal antes de chegar ao palco que nenhum cabo-verdiano jamais havia pisado com ele — uma Copa do Mundo. No dia 15 de junho de 2026, diante da Espanha em Atlanta, a sua estreia não era apenas a de um atleta veterano, mas a de um símbolo que lembra ao mundo que algumas histórias precisam de décadas para encontrar o seu momento.

  • Com 40 anos recém-completados, Vozinha torna-se um dos atletas mais velhos da Copa do Mundo 2026, desafiando os limites do que se espera de um guarda-redes de alto nível.
  • A partida contra a Espanha em Atlanta representa a 90ª internacionalização de Vozinha, colocando-o como segundo jogador com mais jogos pela seleção cabo-verdiana de todos os tempos.
  • Criado pelos avós enquanto o pai servia no exército e a mãe trabalhava, Vozinha forjou o seu caráter jogando nas ruas com rapazes mais velhos — uma infância que moldou tanto o apelido quanto o atleta.
  • A sua trajetória por cinco países diferentes, iniciada apenas aos 25 anos, transformou-o de jogador local em referência continental, presente na primeira qualificação de Cabo Verde para a Taça das Nações Africanas em 2013.
  • A estreia numa Copa do Mundo fecha um ciclo simbólico: o menino das ruas de São Vicente chega ao maior palco do futebol mundial como ícone de uma geração que colocou Cabo Verde no mapa do futebol africano.

Josimar José Évora Dias nunca imaginou que estaria em campo numa Copa do Mundo aos 40 anos. Mas no dia 15 de junho de 2026, alguns dias depois do seu aniversário, o goleiro conhecido como Vozinha preparava-se para enfrentar a Espanha em Atlanta — a estreia histórica de Cabo Verde num torneio que parecia distante demais para uma ilha do Atlântico.

O apelido não tem origem na idade avançada. Surgiu na infância, em São Vicente, ligado aos avós que o criaram enquanto o pai cumpria o serviço militar e a mãe trabalhava sem parar. Cresceu a jogar nas ruas com rapazes mais velhos, levando pancadas e aprendendo o ofício. O seu nome de batismo, Josimar, homenageia o lateral brasileiro que brilhou na Copa de 1986 — uma coincidência que parece anunciar o destino.

A carreira internacional começou tarde, aos 25 anos, quando deixou Cabo Verde rumo a Angola. Seguiram-se passagens pela Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal, cada clube uma escola diferente. Pouco depois de iniciar essa jornada, estreou pela seleção numa vitória sobre Camarões que faria parte da campanha histórica de classificação para a Taça das Nações Africanas de 2013.

Contra a Espanha, Vozinha completaria o seu 90º jogo pela seleção, tornando-se o segundo jogador com mais internacionalizações pelo país. Para os adeptos cabo-verdianos, a sua presença numa Copa do Mundo não era apenas a de um veterano experiente — era o reconhecimento de uma vida inteira dedicada a um futebol que, tal como ele, recusou envelhecer antes do tempo.

Josimar José Évora Dias nunca imaginou que chegaria aos 40 anos ainda jogando futebol de alto nível. Mas lá estava ele, alguns dias após seu aniversário, prestes a entrar em campo pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Na segunda-feira, 15 de junho, a seleção de Cabo Verde enfrentaria a Espanha em Atlanta, e o goleiro conhecido como Vozinha seria um dos protagonistas daquele encontro histórico para seu país.

Vozinha é experiente e respeitado no futebol cabo-verdiano, uma figura que transcende o papel de simples atleta. Contra a Espanha, ele completaria sua 90ª partida com a camisa nacional — um número que o coloca como o segundo jogador com mais aparições pela seleção, atrás apenas de Ryan Mendes, que soma 96 jogos. Aos 40 anos, ele figura entre os atletas mais velhos do torneio, uma distinção que reflete não apenas sua longevidade, mas também a confiança que sua seleção deposita nele. Recentemente, havia encerrado seu vínculo com o CD Chaves, de Portugal, deixando o futebol europeu para focar neste momento.

O apelido que o acompanha há décadas não tem origem na idade avançada, como se poderia imaginar. Vozinha surgiu na infância, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, ligado à convivência com seus avós, que o criaram. Seu pai estava no serviço militar quando nasceu, e sua mãe precisava trabalhar constantemente. Cresceu, portanto, sob os cuidados dos avós, jogando nas ruas com rapazes muito mais velhos que ele, levando pancadas e aprendendo o ofício. Seu nome de batismo, Josimar, carrega outra referência ao futebol: homenageia Josimar Higino Pereira, lateral-direito revelado pelo Botafogo que integrou a seleção brasileira na Copa de 1986.

A trajetória internacional de Vozinha começou tarde. Deixou Cabo Verde apenas aos 25 anos, iniciando sua carreira profissional no Progresso do Sambizanga, em Angola. Depois disso, percorreu um caminho que o levou por diferentes continentes e países: Zimbru Chisinau, na Moldávia; AEL Limassol, no Chipre; AS Trencin, na Eslováquia; e posteriormente Gil Vicente e CD Chaves, em Portugal. Cada parada representava um aprendizado, uma oportunidade de consolidar sua reputação como goleiro confiável e consistente.

Pouco depois de iniciar essa jornada internacional, estreou pela seleção de Cabo Verde em uma vitória por 2 a 0 sobre Camarões. Aquele resultado não era apenas um triunfo isolado — fazia parte de uma campanha que levaria Cabo Verde à sua primeira classificação para a Taça das Nações Africanas, disputada em 2013. Era o início de uma era em que o país começava a se afirmar no cenário futebolístico africano, e Vozinha estava no centro dessa transformação.

Muitos torcedores cabo-verdianos o consideram um dos jogadores mais queridos do país, um símbolo vivo da história recente do futebol nacional. Sua presença em uma Copa do Mundo, aos 40 anos, representava mais do que a participação de um atleta experiente em um torneio global. Era o reconhecimento de uma trajetória que começou nas ruas de São Vicente, passou por clubes em cinco países diferentes, e agora chegava ao palco mais importante do futebol mundial. Diante da Espanha, Vozinha não apenas faria sua estreia em uma Copa do Mundo — reforçaria seu lugar como um dos principais símbolos do futebol cabo-verdiano moderno.

O apelido é por causa dos meus avós. Eu nunca vivi com meus pais. Quando nasci, meu pai estava no serviço militar. E minha mãe tinha sempre de trabalhar para alguma coisa. Então sempre cresci com meus avós.
— Vozinha, em entrevista ao site da Fifa
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um goleiro de 40 anos ainda é considerado essencial para a seleção de Cabo Verde?

Model

Porque experiência e consistência valem mais do que idade. Vozinha passou por cinco países diferentes, jogou 89 vezes pela seleção, e é o segundo jogador com mais aparições. Quando você tem esse histórico, a idade deixa de ser um problema.

Inventor

O apelido Vozinha vem de algo relacionado à sua idade avançada?

Model

Não. Surgiu na infância, em São Vicente, porque ele cresceu com os avós. É um apelido que o acompanha há quarenta anos, muito antes de se tornar um dos jogadores mais velhos do torneio.

Inventor

Como um jogador que deixou Cabo Verde aos 25 anos se tornou um ícone nacional?

Model

Porque voltou. Jogou em Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia, Portugal — mas sempre representou Cabo Verde. Sua estreia pela seleção foi em uma vitória que ajudou o país a chegar à Taça das Nações Africanas em 2013. Ele é o símbolo de um país que começou a se afirmar no futebol africano.

Inventor

Qual é o significado de ele estar jogando uma Copa do Mundo agora, aos 40 anos?

Model

É o auge de uma trajetória que começou nas ruas, jogando contra rapazes mais velhos. Nunca havia jogado uma Copa do Mundo antes. Agora, uma semana depois de completar 40 anos, ele enfrenta a Espanha em Atlanta. É o reconhecimento de que ele merecia estar lá.

Inventor

Seu nome também tem uma história?

Model

Sim. Foi batizado em homenagem a Josimar Higino Pereira, lateral-direito do Botafogo que jogou pela seleção brasileira em 1986. Mesmo em Cabo Verde, o futebol brasileiro deixa sua marca.

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