Yassine Bounou: o goleiro canadense que eliminou a Espanha

Um goleiro canadense que aprendeu futebol na Espanha e defendeu o Marrocos
Yassine Bounou carrega em sua carreira a mobilidade do futebol moderno e as lealdades que o esporte cria.

Bounou defendeu dois pênaltis contra a Espanha e garantiu a classificação do Marrocos para as quartas de final da Copa do Mundo. Nascido em Montreal, o goleiro se mudou para o Marrocos aos oito anos e construiu carreira no futebol espanhol, jogando por Atlético de Madri B, Girona e Sevilla.

  • Nascido em Montreal, Canadá; mudou-se para o Marrocos aos oito anos
  • Defendeu dois pênaltis contra a Espanha nas oitavas de final da Copa do Qatar
  • Jogou na Espanha por mais de uma década: Atlético de Madri B, Zaragoza, Girona e Sevilla
  • Torcedor do River Plate; batizou seu cachorro de Ariel em homenagem a Ariel Ortega

O goleiro marroquino Yassine Bounou foi decisivo na vitória do Marrocos sobre a Espanha nas oitavas da Copa do Qatar, defendendo dois pênaltis. Nascido no Canadá e torcedor do River Plate, ele conhece bem o futebol espanhol após anos jogando na Espanha.

Yassine Bounou entrou em campo contra a Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo do Qatar e fez mais que defender bem. O goleiro marroquino pegou dois pênaltis decisivos e manteve a rede espanhola intacta durante toda a partida, levando o Marrocos à classificação para as quartas de final. Mas há algo na história de Bounou que poucos sabem: ele nasceu em Montreal, no Canadá, e cresceu torcendo para o River Plate.

Apesar de ter vindo ao mundo em solo canadense, Bounou se mudou para o Marrocos aos oito anos de idade. Começou nas categorias de base do Wydad Casablanca e chegou ao time profissional em 2010, embora tenha disputado apenas oito partidas em seus primeiros dois anos. Em 2012, foi transferido para o Atlético de Madri B, marcando o início de uma longa trajetória no futebol espanhol que duraria até aquele momento decisivo contra a Espanha.

Sua carreira na Espanha o tornou íntimo do futebol do país. Passou pelo Atlético de Madri B até 2016, foi emprestado ao Zaragoza entre 2014 e 2016, depois defendeu o Girona Futbal Club, time catalão. Em 2019, chegou ao Sevilla por empréstimo, tendo seu contrato efetivado no ano seguinte. Essa permanência prolongada no futebol espanhol significava que Bounou conhecia pessoalmente muitos dos jogadores que enfrentaria nas oitavas. Carlos Soler, que havia se transferido recentemente para o PSG após passagem pelo Valencia, e Sergio Busquets, do Barcelona, eram adversários conhecidos do campeonato. Ambos tiveram seus pênaltis defendidos por Bounou naquele dia.

O goleiro não é apenas um defensor. Em março de 2021, durante uma partida contra o Real Valladolid pelo Campeonato Espanhol, Bounou aproveitou uma confusão na área adversária e chutou a bola para o fundo das redes, marcando um gol nos acréscimos do segundo tempo em um empate de 1 a 1. Recebeu cartão amarelo logo depois por tirar a camisa na comemoração.

Sua ligação com a América do Sul é profunda. Em entrevista à emissora argentina TyC Sports, Bounou revelou que era torcedor do River Plate desde a infância. Tanto que batizou seu cachorro com o nome Ariel, em homenagem ao ex-meia Ariel Ortega, grande ídolo do clube. "Meu cachorro se chama Ariel. Eu adorava Ortega. Esses tipos de jogadores de futebol estão desaparecendo. Ele era um dos meus jogadores favoritos e batizei o cachorro", disse ao veículo.

Na fase de grupos desta Copa, Bounou protagonizou um episódio inusitado. Na partida contra a Bélgica, entrou em campo com sua equipe, ficou perfilado e cantou o hino nacional do Marrocos, mas foi substituído antes mesmo da partida começar. O treinador Regragui explicou posteriormente que Bounou havia levado uma pancada contra a Croácia e, após o aquecimento, sentiu que não estava em plenas condições físicas. "Ele levou uma pancada contra a Croácia, estava instável. Tentamos até o último momento, mas, depois do aquecimento e pouco antes da partida, ele não se sentiu bem e teve a honestidade de ceder o lugar a outra pessoa. Se um jogador quer estar na minha equipa, tem que estar 100%", afirmou Regragui.

Agora, com a vitória sobre a Espanha garantida, o Marrocos aguarda o resultado do confronto entre Portugal e Suíça, marcado para aquele mesmo dia às 16h de Brasília, para saber quem enfrentará nas quartas de final. Bounou, o goleiro canadense que se tornou marroquino e aprendeu o futebol na Espanha, segue como figura central nas ambições do Marrocos neste torneio.

Meu cachorro se chama Ariel. Eu adorava Ortega. Esses tipos de jogadores de futebol estão desaparecendo. Ele era um dos meus jogadores favoritos e batizei o cachorro.
— Yassine Bounou, em entrevista à TyC Sports
Se um jogador quer estar na minha equipa, tem que estar 100%. Ele compreendeu isso e cedeu o lugar ao Munir, que fez um grande jogo.
— Regragui, treinador do Marrocos, sobre a substituição de Bounou contra a Bélgica
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como um goleiro nascido no Canadá e torcedor do River Plate acaba defendendo o Marrocos contra a Espanha em uma Copa do Mundo?

Model

É uma trajetória que resume a mobilidade do futebol moderno. Bounou saiu do Canadá aos oito anos, cresceu no Marrocos, mas passou mais de uma década na Espanha aprendendo o ofício. Quando chegou a hora de defender sua seleção, ele já conhecia pessoalmente muitos dos jogadores que enfrentaria.

Inventor

Ele realmente conhecia os espanhóis que enfrentou?

Model

Sim. Carlos Soler e Sergio Busquets não eram nomes abstratos para ele. Eram adversários que ele enfrentava regularmente no Campeonato Espanhol. Isso pode ter dado a Bounou uma vantagem psicológica — ele sabia como eles chutavam, seus hábitos, suas tendências.

Inventor

E aquela história do cachorro chamado Ariel?

Model

Mostra algo sobre como os ídolos do futebol marcam as pessoas. Bounou admirava tanto Ariel Ortega que batizou seu cachorro em sua homenagem. Ele disse que jogadores daquele tipo estão desaparecendo. É uma forma de manter viva uma memória.

Inventor

O episódio contra a Bélgica foi estranho, não foi?

Model

Muito. Ele entrou em campo, cantou o hino, e foi substituído antes da partida começar. Mas o treinador explicou que Bounou tinha integridade suficiente para reconhecer que não estava bem fisicamente. Preferiu ceder o lugar a estar em campo sem estar 100%.

Inventor

Isso diz algo sobre o caráter dele?

Model

Diz. Em um esporte onde o ego é frequentemente o combustível, Bounou escolheu a honestidade. Reconheceu suas limitações e deixou que outro goleiro jogasse. Depois, quando chegou a chance contra a Espanha, ele estava pronto.

Inventor

E agora o Marrocos segue em frente.

Model

Segue. E Bounou segue como figura central. Um homem que nasceu em um continente, cresceu em outro, aprendeu seu ofício em um terceiro, e agora está escrevendo sua história em uma Copa do Mundo.

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