Todos os passageiros a bordo pereceram no acidente
No dia 2 de março de 2021, um avião da South Supreme Airlines despenhou-se sobre Pieri, no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, pouco após a descolagem com destino à capital Juba. Pelo menos dez pessoas perderam a vida — incluindo os dois pilotos —, num país que ainda carrega as cicatrizes de décadas de conflito e que enfrenta limitações profundas na sua capacidade de responder a crises. As causas do acidente permanecem desconhecidas, e a própria companhia aérea não consegue confirmar com precisão quantas almas estavam a bordo. A tragédia inscreve-se numa história mais longa de fragilidade institucional e de um céu que, nesta parte do mundo, continua a ser difícil de percorrer em segurança.
- Um avião comercial caiu minutos após descolar de Pieri, matando todos os que seguiam a bordo — um número que a própria companhia não consegue precisar, oscilando entre dez e vinte e quatro vítimas.
- O governador de Jonglei descreveu ter recebido a notícia com 'estupor e horror', enquanto o país mais jovem do mundo voltava a ser confrontado com uma perda coletiva inesperada.
- A South Supreme Airlines admitiu publicamente não saber o que causou a queda, e nenhuma equipa de investigação tinha ainda chegado ao local no momento em que falou com a imprensa.
- A companhia já registara um incidente grave em 2017 — um avião que se incendiou ao aterrar em Wau —, o que levanta dúvidas persistentes sobre a manutenção das aeronaves e a supervisão regulatória da aviação civil no país.
- O Sudão do Sul, que saiu de uma guerra civil devastadora apenas em 2020, carece das infraestruturas necessárias para responder com rapidez e transparência a desastres desta natureza.
Na tarde de 2 de março de 2021, o avião HK-4274 da South Supreme Airlines despenhou-se em Pieri, uma pequena localidade no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, por volta das 17h05 locais. A aeronave tinha acabado de descolar com destino a Juba quando se precipitou, ceifando a vida de pelo menos dez pessoas, entre as quais os dois pilotos. O governador Denay Jock Chagor anunciou o desastre no dia seguinte, descrevendo a notícia como recebida com "estupor e horror".
O que agrava a tragédia é a confusão em torno do número real de vítimas. A companhia aérea reconheceu que diferentes relatórios apontam para dez, onze ou até vinte e quatro mortos, mas foi categórica num ponto: ninguém sobreviveu. O diretor Ayii Duang Ayii admitiu à AFP que as causas do acidente continuam sem explicação, e que nenhuma equipa de investigação tinha ainda sido enviada para o local.
Este não é o primeiro sinal de alerta sobre a companhia. Em 2017, uma aeronave da South Supreme Airlines incendiou-se ao aterrar em Wau, ferindo trinta e sete passageiros. O padrão de incidentes levanta questões sérias sobre a manutenção das aeronaves e a capacidade de supervisão regulatória num país com recursos escassos.
O Sudão do Sul conquistou a independência em 2011, mas mergulhou rapidamente numa guerra civil que matou cerca de 380 mil pessoas. Só em fevereiro de 2020 foi formado um governo de unidade nacional. É neste contexto de fragilidade extrema que o acidente de Pieri ocorre — transformando um histórico de incidentes em tragédia mortal, e expondo as limitações de um Estado ainda em construção.
Um avião comercial despenhou-se na terça-feira, 2 de março de 2021, em Pieri, uma pequena localidade no estado de Jonglei, no Sudão do Sul. O governador da região, Denay Jock Chagor, anunciou o desastre numa declaração divulgada na quarta-feira, descrevendo o momento em que recebeu a notícia com "estupor e horror". A aeronave, identificada como HK-4274 e operada pela companhia South Supreme Airlines, caiu por volta das 17h05 locais, ceifando a vida de pelo menos dez pessoas — incluindo os dois pilotos que estavam na cabine.
O que torna este acidente particularmente perturbador é a confusão que rodeia o número exato de vítimas. Quando contactada pela agência de notícias France-Presse, a South Supreme Airlines admitiu que diferentes relatórios mencionam números divergentes: alguns falam de dez mortos, outros de onze, e ainda há quem refira vinte e quatro. Apesar desta discrepância, a companhia foi categórica num ponto: todos os passageiros e tripulantes a bordo pereceram no acidente. O diretor da companhia, Ayii Duang Ayii, explicou à AFP que o avião tinha descolado normalmente de Pieri com destino a Juba, a capital do país, quando se precipitou.
As causas do desastre permanecem um mistério. Ayii Duang Ayii reconheceu que ninguém consegue ainda explicar o que levou ao colapso da aeronave, e a companhia ainda não tinha enviado uma equipa de investigação para o local do acidente no momento em que falou com a imprensa internacional. Esta falta de respostas imediatas reflecte as limitações infraestruturais de um país que enfrenta desafios significativos em termos de desenvolvimento e capacidade de resposta a crises.
O Sudão do Sul é um dos países menos desenvolvidos do mundo, e a sua história recente tem sido marcada por instabilidade extrema. Após conquistar a independência em 2011, após um conflito sangrento com o Sudão, o jovem país mergulhou numa guerra civil devastadora que matou aproximadamente 380 mil pessoas. Apenas em fevereiro de 2020, um governo de unidade nacional foi formado, trazendo uma paz relativa ao território. É neste contexto de fragilidade que ocorre este acidente aéreo.
Este não é o primeiro incidente grave envolvendo a South Supreme Airlines. Em 2017, uma aeronave da mesma companhia incendiou-se ao aterrar em Wau, no noroeste do país. Nesse episódio, trinta e sete passageiros sofreram ferimentos, mas felizmente não houve mortes. O padrão de problemas operacionais levanta questões sobre a segurança e a manutenção das aeronaves da companhia, bem como sobre a supervisão regulatória da aviação civil num país com recursos limitados. O acidente de Pieri marca um ponto de viragem mais sombrio, transformando um histórico de incidentes em tragédia mortal.
Notable Quotes
Foi com estupor e horror que soube da notícia da queda do avião— Denay Jock Chagor, governador de Jonglei
Tudo o que nos disseram foi que o avião descolou normalmente para chegar a Pieri, aterrou e quando descolou para Juba caiu— Ayii Duang Ayii, diretor da South Supreme Airlines
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que é que o número de vítimas permanece incerto, mesmo dias após o acidente?
O Sudão do Sul não tem a infraestrutura que a maioria dos países tem para documentar rapidamente estes eventos. Não há equipas de resgate bem organizadas, não há registos centralizados de passageiros. A companhia aérea recebeu informações conflituosas de diferentes fontes no terreno.
A South Supreme Airlines já tinha tido problemas antes. Isto sugere negligência sistemática?
Há um incidente em 2017 que resultou em ferimentos graves, mas sem mortes. Não sabemos se foi manutenção, erro de piloto, ou condições meteorológicas. O que é claro é que uma companhia aérea pequena, operando num país com pouca regulação, tem menos margem para erro.
Como é que um país consegue recuperar de algo assim?
O Sudão do Sul está ainda a reconstruir-se após uma guerra civil que matou centenas de milhares de pessoas. Um acidente aéreo, por trágico que seja, é um sintoma de problemas muito maiores — falta de investimento, falta de supervisão, falta de capacidade institucional.
Há algo que sugira negligência deliberada da companhia?
O diretor admitiu que ainda não tinham enviado uma equipa de investigação. Isso não é necessariamente negligência — pode ser simplesmente falta de recursos. Mas levanta questões sobre como uma companhia aérea opera quando não tem a capacidade de responder aos seus próprios desastres.
O que é que isto significa para os passageiros que voam naquela região?
Significa que voar no Sudão do Sul é arriscado. Não há redundâncias, não há supervisão robusta, não há investigações rápidas. Quando algo corre mal, as pessoas morrem, e ninguém consegue explicar porquê.