79% das pessoas com 85+ anos já se vacinaram contra a gripe

O ritmo de vacinação está mais acelerado do que no ano passado
Pneumologista observa que Portugal está muito próximo de atingir a meta de 75% da OMS para maiores de 65 anos.

No outono de 2024, Portugal aproxima-se silenciosamente de uma meta que a Organização Mundial de Saúde definiu há décadas: vacinar três em cada quatro idosos contra a gripe. Com 72,8% de cobertura entre os maiores de 65 anos e 79% entre os mais velhos de todos — aqueles com 85 anos ou mais —, o país revela que a mobilização coletiva em torno da saúde pública é possível, ainda que desigual no território. O ritmo mais acelerado do que no ano anterior e a intenção declarada de vacinação entre os ainda hesitantes sugerem que esta meta não é apenas alcançável, mas pode ser superada.

  • Portugal está a apenas 2,2 pontos percentuais da meta internacional de 75% de vacinação contra a gripe em idosos, numa corrida contra o calendário sazonal.
  • O grupo mais vulnerável — pessoas com 85 anos ou mais — lidera a adesão com 79%, beneficiando pela primeira vez do acesso gratuito à vacina de dose elevada nos centros de saúde.
  • As disparidades regionais são marcantes: o Algarve já ultrapassou os 81,8%, enquanto os Açores ficam pelos 62,5%, expondo falhas de acesso e comunicação no território nacional.
  • Entre os profissionais de saúde em contacto direto com doentes, apenas 45% se vacinaram — uma lacuna que contrasta com a adesão expressiva da população idosa.
  • Mais de metade dos não vacinados com 85 anos ou mais ainda tenciona vacinar-se, apontando para um potencial real de ultrapassar as metas nos próximos meses.

Portugal está a aproximar-se rapidamente da meta internacional de vacinação contra a gripe. Segundo o vacinómetro — sistema de monitorização em tempo real desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar —, o país já alcançou 72,8% de cobertura vacinal entre pessoas com 65 anos ou mais, muito perto dos 75% estabelecidos pela OMS.

O dado mais expressivo vem do grupo etário mais avançado: 79% das pessoas com 85 anos ou mais já receberam a vacina nesta época, numa adesão que especialistas descrevem como massiva. É também a primeira vez que este grupo tem acesso gratuito à vacina de dose elevada nos centros de saúde. O pneumologista Filipe Froes, do Hospital Pulido Valente, nota que o ritmo de vacinação está mais acelerado do que no período equivalente do ano anterior.

A cobertura varia significativamente por região: o Algarve lidera com 81,8%, seguido pela área metropolitana de Lisboa e pelo Norte, ambos com 80,1%. No extremo oposto, os Açores registam apenas 62,5% e o Alentejo 62,7%, revelando desigualdades no acesso e na comunicação da campanha. Entre grupos vulneráveis, 71,3% dos doentes crónicos já se vacinaram, e nas grávidas a cobertura chega aos 64%. Já entre os profissionais de saúde em contacto direto com doentes, apenas 45% o fizeram.

Os motivos para vacinar são variados: quase metade dos vacinados fê-lo por recomendação médica, enquanto entre os não vacinados o principal obstáculo é a falta de hábito, citada por 51,2%. Ainda assim, 52% dos não vacinados com 85 ou mais anos manifestam intenção de se vacinar, sugerindo que a meta de 75% pode ser ultrapassada. Um ponto de atenção: metade da população estudada desconhece a existência da vacina de dose elevada, apesar de esta ser oferecida gratuitamente. A campanha sazonal, iniciada a 20 de setembro, decorre simultaneamente em farmácias e unidades do SNS em todo o país.

Portugal está a aproximar-se rapidamente da meta internacional de vacinação contra a gripe. Segundo o vacinómetro — um sistema de monitorização em tempo real desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar — o país já alcançou 72,8% de cobertura vacinal entre pessoas com 65 anos ou mais. A Organização Mundial de Saúde estabeleceu 75% como o objetivo a atingir, e Portugal está agora muito próximo dessa marca.

O dado mais impressionante vem do grupo etário mais avançado: 79% das pessoas com 85 anos ou mais já receberam a vacina contra a gripe nesta época. Este resultado reflete o que especialistas descrevem como uma adesão massiva, particularmente notável porque é a primeira vez que este grupo etário tem acesso gratuito à vacina de dose elevada nos centros de saúde. O pneumologista Filipe Froes, do Hospital Pulido Valente, observa que o ritmo de vacinação este ano está mais acelerado do que no período equivalente do ano anterior, sinalizando uma mobilização mais rápida da população.

A cobertura vacinal varia significativamente consoante a região. O Algarve lidera com 81,8% de pessoas com 65 ou mais anos vacinadas, seguido pela área metropolitana de Lisboa com 80,1% e pela região Norte também com 80,1%. A Madeira atinge 76%, enquanto o Centro fica pelos 67%, o Alentejo por 62,7% e os Açores por 62,5%. Estas disparidades geográficas sugerem que o acesso e a comunicação sobre a campanha não são uniformes em todo o território nacional.

Entre grupos específicos com maior vulnerabilidade, a adesão é também significativa. Dos portugueses com doença crónica, 71,3% já se vacinaram. Quando se decompõe este número, vê-se que 73,4% das pessoas com diabetes tomaram a vacina, 72,1% das com doença cardiovascular e 72,2% das com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Nas grávidas, a cobertura sobe para 64%, com 70% delas a terem-se vacinado por recomendação médica. Entre os profissionais de saúde em contacto direto com doentes, porém, apenas 45% se vacinaram até ao momento da recolha de dados.

Os motivos que levam as pessoas a vacinar-se são diversos. Entre os vacinados, 46,9% fizeram-no porque o médico recomendou, 21,9% por iniciativa própria para se manterem protegidos, 20,2% no contexto de uma iniciativa do seu local de trabalho, 5,9% porque sabem que pertencem a um grupo de risco, e 4,5% porque receberam notificação de agendamento do Serviço Nacional de Saúde. Entre os que ainda não se vacinaram, o principal obstáculo é simplesmente a falta de hábito, citada por 51,2% dos não vacinados.

Há ainda espaço para crescimento. Entre as pessoas com 85 ou mais anos que não se vacinaram, 52% manifestam intenção de o fazer. O mesmo acontece com 25,5% dos não vacinados com 65 ou mais anos e 24,2% dos doentes crónicos não vacinados. Isto sugere que a meta de 75% pode ser ultrapassada nos próximos meses, à medida que mais pessoas completem a sua vacinação.

Um aspecto que merece atenção é o conhecimento sobre a vacina de dose elevada. Apesar de ser oferecida gratuitamente nos centros de saúde às pessoas com 85 ou mais anos, 50,9% da população estudada não sabe que esta opção existe. A localização onde as pessoas recebem a vacina varia: os profissionais de saúde recebem-na no local de trabalho, os idosos com 80 ou mais anos e as grávidas recebem-na principalmente nos centros de saúde, enquanto a população entre os 60 e os 65 anos obtém-a maioritariamente nas farmácias.

A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19 começou em 20 de setembro e está a decorrer simultaneamente em milhares de farmácias e nas unidades do Serviço Nacional de Saúde. O vacinómetro, que fornece estes dados, funciona desde 2009 e permite acompanhar em tempo real a cobertura vacinal nos grupos prioritários. Os números da terceira vaga foram recolhidos entre 23 e 28 de outubro, oferecendo um retrato da situação num momento em que a campanha estava ainda em curso.

O ritmo de vacinação está neste momento mais acelerado do que no ano passado
— Filipe Froes, pneumologista do Hospital Pulido Valente
A vacinação contra a gripe e contra a covid-19 confirmaram mais uma vez o excelente registo de segurança
— Filipe Froes, pneumologista
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Inventor

Porque é que 79% dos idosos com 85 anos já se vacinaram, quando noutros grupos a taxa é mais baixa?

Model

Porque é a primeira vez que recebem a vacina de dose elevada de forma gratuita nos centros de saúde. Há uma recomendação clara para este grupo, e as pessoas responderam.

Inventor

Mas metade deles não sabe que a vacina de dose elevada existe. Como é que se vacinaram então?

Model

Boa pergunta. Provavelmente receberam a vacina que estava disponível, sem necessariamente saber que era de dose elevada. A recomendação médica e o acesso fácil fizeram o trabalho.

Inventor

As variações regionais são enormes — 81,8% no Algarve contra 62,5% nos Açores. O que explica isto?

Model

Acesso, comunicação, talvez até a forma como os centros de saúde locais organizaram a campanha. Não é apenas sobre vontade das pessoas — é sobre infraestrutura e logística.

Inventor

E os profissionais de saúde? Apenas 45% se vacinaram, sendo que são os que mais deveriam estar protegidos.

Model

É um paradoxo. Talvez haja uma sensação de que já têm imunidade, ou simplesmente falta de tempo. Mas é preocupante — são eles que estão em contacto direto com doentes vulneráveis.

Inventor

Qual é o principal motivo para as pessoas não se vacinarem?

Model

Não ser hábito. Mais de metade dos não vacinados diz isto. Não é medo, não é desconfiança — é simplesmente que nunca fizeram e não pensam nisso.

Inventor

Mas 52% dos idosos com 85 anos que não se vacinaram ainda pretendem fazê-lo. Isso significa que a meta pode ser ultrapassada?

Model

Muito provavelmente. Se metade dos não vacinados ainda quer vacinar-se, e a campanha continua até ao fim do inverno, Portugal pode facilmente chegar aos 85% ou 90% neste grupo.

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