47% dos brasileiros ajustaram orçamento para manter plano de saúde em 2021

Milhões de brasileiros enfrentam dificuldades financeiras para manter acesso à saúde, com 25% precisando buscar mais atendimento médico durante a pandemia.
Quase metade dos brasileiros cortou outras despesas para manter a saúde
Pesquisa da Anab revela a pressão financeira enfrentada por famílias durante a pandemia de covid-19.

Em meio à maior crise sanitária do século, uma pesquisa realizada em abril de 2021 revelou que quase metade dos brasileiros precisou reorganizar seu orçamento doméstico para não abrir mão do plano de saúde — enquanto oito em cada dez viviam com o medo concreto de perder essa cobertura. O que os números descrevem não é apenas uma pressão financeira, mas uma escolha civilizatória imposta a milhões de famílias: entre comer, estudar, viver — e ter acesso ao cuidado médico. A pandemia não apenas adoeceu o país; ela tornou a saúde um bem de luxo disputado com a sobrevivência cotidiana.

  • Quase metade dos brasileiros cortou gastos essenciais — como alimentação e educação — para continuar pagando o plano de saúde durante a pandemia.
  • O desemprego crescente transformou a manutenção da cobertura médica privada em uma negociação mensal com a realidade para milhões de famílias.
  • Entre os que dependiam exclusivamente do SUS, 68% precisaram de atendimento em 2021, mas encontraram barreiras concretas para acessá-lo.
  • Um quarto dos entrevistados relatou ter buscado mais cuidados médicos após o início da crise — ao mesmo tempo em que seus recursos financeiros encolhiam.
  • A portabilidade de planos surge como válvula de escape: o interesse cresceu 12,5% no período, com reduções de custo de até 40% para quem consegue navegar o sistema.

Em abril de 2021, a Associação Nacional das Administradoras de Benefícios ouviu pouco mais de mil brasileiros e encontrou uma pressão silenciosa que atravessava lares de todo o país: 47% deles haviam precisado reorganizar completamente o orçamento doméstico para continuar pagando o plano de saúde. Junto a esse dado, outro ainda mais revelador — oito em cada dez entrevistados diziam ter medo de perder a cobertura. Um medo enraizado no desemprego que crescia mês a mês, tornando cada conta uma escolha difícil.

O presidente da entidade, Alexandro Acayaba de Toledo, foi direto: o avanço do desemprego durante a pandemia de covid-19 havia transformado o acesso à saúde privada em um privilégio que exigia sacrifício. Para preservar a cobertura médica, muitas famílias cortavam em alimentação, educação e lazer. Enquanto isso, a demanda por cuidados só crescia — 88% dos entrevistados relataram que sua necessidade de assistência médica havia permanecido igual ou aumentado, e um em cada quatro disse ter buscado mais ajuda médica após o início da crise.

Entre os que dependiam exclusivamente do SUS, 68% precisaram de algum atendimento em 2021, mas enfrentaram dificuldades reais para obtê-lo. E entre os sem plano, 83% reconheciam que ele era necessário — uma admissão que revela tanto a importância da cobertura quanto a impossibilidade financeira de conquistá-la.

Como alternativa, Toledo destacou a portabilidade: o direito de migrar de operadora sem perder a continuidade da cobertura. O interesse pela opção cresceu 12,5% no período, e em alguns casos as pessoas conseguiram reduzir seus custos em até 40%. Um alívio real — mas acessível apenas para quem consegue navegar o sistema. Para muitos outros, a escolha entre saúde e sobrevivência permanecia sem resposta.

No último mês de abril de 2021, a Associação Nacional das Administradoras de Benefícios entrevistou pouco mais de mil brasileiros por telefone e descobriu algo que revela a pressão financeira silenciosa vivida por milhões de famílias durante a pandemia: quase metade delas havia precisado reorganizar completamente seu orçamento doméstico apenas para continuar pagando o plano de saúde.

Essa descoberta não é um número isolado. Junto a ele vem outro dado que talvez seja ainda mais revelador sobre o estado de espírito do país naquele momento: oito em cada dez pessoas entrevistadas disseram ter medo de perder a cobertura. Não é medo abstrato. É medo enraizado em algo concreto — o desemprego que havia crescido ao longo dos meses de crise sanitária, tornando cada despesa mensal uma negociação com a realidade.

Alexandro Acayaba de Toledo, presidente da entidade que conduziu a pesquisa, foi direto ao ponto ao explicar o que estava por trás desses números. O aumento das taxas de desemprego durante a pandemia de covid-19 havia criado uma situação onde manter o acesso à saúde privada se tornou um luxo que exigia sacrifício. Para muitos, isso significava cortar em outras áreas — alimentação, educação, lazer — para preservar a cobertura médica.

Mas a pesquisa também revelou algo sobre a demanda por cuidados de saúde naquele período. Entre as pessoas que dependiam exclusivamente do Sistema Único de Saúde, 68% precisaram de algum tipo de atendimento médico em 2021, mas enfrentaram dificuldades para acessá-lo. E entre todos os entrevistados, 88% relataram que sua necessidade de assistência médica havia permanecido igual ou aumentado durante a pandemia. Um quarto deles — uma em cada quatro pessoas — disse que precisou buscar mais ajuda médica após o início da crise sanitária.

Essa combinação de fatores criou um cenário onde as pessoas estavam simultaneamente mais doentes e mais pobres. Entre aqueles que não tinham plano de saúde, 83% reconheciam que ele era necessário — uma admissão que reflete tanto a importância da cobertura quanto a impossibilidade financeira de obtê-la.

Toledo apontou uma possível saída para esse impasse: a portabilidade. Trata-se de um direito do beneficiário que permite migrar de um plano para outro sem perder a continuidade da cobertura. De acordo com a Agência Nacional de Saúde, o interesse por essa opção havia crescido 12,5% durante o período. Em alguns casos, as pessoas conseguiram reduzir seus custos com saúde em até 40% simplesmente mudando de operadora — uma economia significativa para orçamentos já esticados ao máximo.

O que a pesquisa deixa claro é que a pandemia não apenas adoeceu o país. Ela criou uma crise de acesso onde ter saúde e ter dinheiro se tornaram objetivos concorrentes na vida de milhões de brasileiros. A portabilidade oferece algum alívio, mas apenas para quem consegue navegar o sistema. Para muitos outros, a escolha permanecia impossível.

O medo de perder o acesso ao plano de saúde pode ser motivado pelo aumento das taxas de desemprego ao longo da pandemia
— Alessandro Acayaba de Toledo, presidente da Anab
A portabilidade é uma das saídas para quem precisa reduzir o custo com o plano de saúde, mas sem perdê-lo
— Alessandro Acayaba de Toledo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que esse número — 47% — importa tanto? Não é apenas um dado de pesquisa?

Model

Porque representa uma escolha forçada. Essas pessoas não estavam ajustando orçamento para comprar um carro novo. Estavam cortando comida, educação, outras coisas essenciais, para manter acesso à saúde. É o retrato de uma população sob pressão.

Inventor

E o medo que 83% relataram — é medo do quê, exatamente?

Model

Do desemprego. A pandemia destruiu postos de trabalho. Se você perde o emprego, perde o plano que geralmente vem atrelado a ele. Então o medo não é abstrato. É a possibilidade real de ficar sem cobertura médica no momento em que você mais precisa dela.

Inventor

Mas a pesquisa também mostra que as pessoas estavam ficando mais doentes, certo?

Model

Exatamente. Um quarto delas precisou de mais atendimento médico durante a pandemia. Então você tem uma situação perversa: mais demanda por saúde, menos capacidade de pagar, mais medo de perder o que tem.

Inventor

A portabilidade resolveu isso?

Model

Para alguns, sim. Redução de até 40% em custos é real. Mas isso exige que você saiba que a opção existe, que você tenha tempo para pesquisar, que você consiga navegar a burocracia. Nem todos conseguem.

Inventor

Então qual é a verdadeira história aqui?

Model

Que a pandemia não apenas matou pessoas. Ela criou uma crise onde ter saúde e ter dinheiro se tornaram coisas que você não podia ter ao mesmo tempo. E a maioria das pessoas escolheu a saúde — porque sabem que sem ela, tudo mais desaba.

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