Profissões técnicas e operacionais bombarão no novo mundo do trabalho, diz CEO da Nvidia

Simplesmente não temos eletricistas suficientes para construir centros de dados
Larry Fink, CEO da BlackRock, alertando sobre a escassez de mão de obra qualificada que ameaça a expansão de data centers.

Em meio ao temor de que a inteligência artificial esvazie o mercado de trabalho, Jensen Huang, da Nvidia, oferece uma leitura alternativa: a expansão global dos data centers está criando uma demanda urgente por profissões técnicas e operacionais, muitas delas bem remuneradas e acessíveis sem diploma universitário. A história que a geração Z herdou — de que o futuro pertence apenas aos graduados — pode estar ignorando justamente onde a economia física da tecnologia mais precisa de mãos humanas.

  • O setor de data centers deve receber sete trilhões de dólares em investimentos globais até 2030, criando uma pressão imediata por trabalhadores qualificados que o mercado ainda não consegue suprir.
  • Os EUA enfrentam um déficit de 600 mil operários de fábrica e 500 mil da construção civil, transformando a escassez de mão de obra técnica em um obstáculo concreto para bilhões em investimento.
  • CEOs como Larry Fink e Jim Farley alertaram diretamente o governo americano: deportações de trabalhadores imigrantes e o desinteresse dos jovens por ofícios técnicos estão criando uma crise silenciosa.
  • Huang aponta o caminho: um único data center pode empregar 1,5 mil trabalhadores na construção, muitos ganhando mais de US$ 100 mil, e cada emprego gerado multiplica 3,5 postos adicionais na economia local.
  • A narrativa pessimista sobre o futuro do trabalho começa a ser contestada por dados reais — e a geração Z pode estar perseguindo diplomas enquanto as vagas mais lucrativas esperam por eletricistas e encanadores.

A geração Z cresceu com uma narrativa sombria: a IA destruirá empregos, e sem diploma universitário as chances são mínimas. Jensen Huang, CEO da Nvidia, discorda. Para ele, milhares de vagas bem remuneradas já existem — e muitas pagam mais de cem mil dólares por ano, sem exigir formação acadêmica tradicional.

A base dessa afirmação é concreta. A Nvidia investiu cem bilhões de dólares no desenvolvimento de data centers, e o setor deve movimentar sete trilhões de dólares globalmente até 2030. Um único data center pode empregar 1,5 mil trabalhadores durante a construção, com salários elevados e horas extras. Após a inauguração, cada emprego direto gera cerca de 3,5 postos adicionais na economia local.

Huang pede mais eletricistas e encanadores — não mais engenheiros de software. Questionado sobre o que estudaria aos vinte anos, foi direto: ciências físicas, não ciência da computação. Essa visão ecoa entre outros líderes empresariais. Larry Fink, da BlackRock, levou o alerta à Casa Branca em 2025, advertindo que a combinação de deportações e desinteresse juvenil pelos ofícios técnicos está criando uma crise para a construção de data centers. Jim Farley, da Ford, apontou o abismo entre as ambições de reindustrialização de Washington e a força de trabalho disponível para realizá-las.

O déficit é alarmante: 600 mil operários de fábrica e 500 mil da construção civil em falta nos EUA. Para a geração Z, a mensagem é direta — o pessimismo sobre o trabalho pode estar fundado em premissas erradas, e as maiores oportunidades podem estar justamente onde poucos estão olhando.

A geração Z cresceu ouvindo uma história assustadora: a inteligência artificial vai roubar seus empregos, e sem um diploma universitário suas chances são praticamente nulas. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, tem uma mensagem diferente. Segundo ele, existem milhares de vagas esperando por jovens dispostos a fazer um curso técnico — e muitas delas pagam mais de cem mil dólares por ano.

Huang não está apenas oferecendo esperança vaga. A Nvidia investiu cem bilhões de dólares na OpenAI para financiar o desenvolvimento de data centers baseados em seus processadores de IA. Globalmente, o setor deve investir sete trilhões de dólares em data centers até 2030, conforme estimativas da McKinsey. Esse crescimento acelerado está criando uma demanda real e urgente por trabalhadores qualificados em profissões técnicas e operacionais.

Os números são concretos. Um único data center com vinte e três mil metros quadrados pode empregar até mil e quinhentos trabalhadores durante sua construção — muitos deles ganhando mais de cem mil dólares, além de horas extras — sem exigir qualquer diploma universitário. Depois que a instalação fica pronta, cerca de cinquenta funcionários em tempo integral cuidam da manutenção. Mas aqui está o multiplicador econômico: cada um desses empregos gera aproximadamente três vírgula cinco postos de trabalho adicionais na economia local.

Huang está pedindo especificamente por mais eletricistas e encanadores. Essa demanda reflete sua convicção mais ampla de que a próxima onda de oportunidades não virá do software, mas do lado físico da tecnologia. Quando perguntado o que estudaria se tivesse vinte anos novamente, ele foi direto: escolheria ciências físicas em vez de ciência da computação. Essa não é uma opinião isolada de um executivo de tecnologia. É um sinal de mudança entre os líderes empresariais sobre onde estão os verdadeiros gargalos econômicos.

Larry Fink, presidente-executivo da BlackRock, levou essa preocupação até a Casa Branca no início de 2025. Ele alertou que a combinação de deportações de trabalhadores imigrantes e falta de interesse entre jovens americanos está criando uma crise perfeita para a construção de data centers. "Cheguei a dizer a membros da equipe de Trump que vamos ficar sem eletricistas", afirmou Fink em uma conferência de energia em março de 2025. "Simplesmente não temos o suficiente." Jim Farley, presidente-executivo da Ford, ecoou essas preocupações, apontando para o abismo entre as ambições de Washington de relocalizar a produção manufatureira e a força de trabalho disponível para realizá-la. "A intenção existe, mas não há nada que corresponda à ambição", disse ele.

Os números do déficit são alarmantes. Os Estados Unidos enfrentam uma escassez de seiscentos mil operários de fábrica e quinhentos mil trabalhadores da construção civil. Essa lacuna não é um problema abstrato — é o que está impedindo que bilhões em investimento se transformem em empregos reais. Para a geração Z, a mensagem é clara: o pessimismo sobre o futuro do trabalho pode estar baseado em suposições erradas. As oportunidades estão lá, mas exigem estar disposto a aprender um ofício em vez de perseguir um diploma tradicional.

O Jensen jovem, de 20 anos, que já se formou, provavelmente teria escolhido mais ciências físicas do que ciências da computação
— Jensen Huang, CEO da Nvidia
Cheguei a dizer a membros da equipe de Trump que vamos ficar sem eletricistas, que são necessários para construir centros de dados de IA
— Larry Fink, CEO da BlackRock
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Huang acredita que profissões técnicas vão bombar enquanto muitos ainda falam em desemprego causado por IA?

Model

Porque ele está vendo o lado oposto da moeda — enquanto a IA automatiza certos trabalhos de escritório, ela cria uma demanda explosiva por infraestrutura física. Data centers não se constroem sozinhos. Você precisa de eletricistas, encanadores, operários. E isso está acontecendo agora, não em um futuro distante.

Inventor

Um data center emprega mil e quinhentos trabalhadores durante a construção. Isso é muito ou pouco comparado com outras indústrias?

Model

É significativo porque é concentrado em um local específico e em um período definido. Mas o multiplicador é o que realmente importa — cada emprego direto gera três vírgula cinco empregos indiretos na economia local. Uma pequena cidade pode ser transformada por um projeto desses.

Inventor

Huang disse que escolheria ciências físicas se tivesse vinte anos novamente. Isso é uma crítica velada ao seu próprio setor?

Model

Talvez. Ou é apenas honestidade sobre onde está o trabalho real agora. A computação teórica é saturada. A demanda está em fazer as coisas funcionarem no mundo físico — instalar, manter, expandir.

Inventor

Fink mencionou deportações de imigrantes como parte do problema. Isso muda a conversa?

Model

Completamente. Não é apenas que jovens americanos não querem esses empregos. É que a política está removendo uma parte significativa da força de trabalho que historicamente preencheu essas lacunas. Você tem uma tempestade perfeita: menos imigrantes, menos interesse doméstico, e uma demanda crescente exponencialmente.

Inventor

Se esses empregos pagam mais de cem mil dólares, por que os jovens não estão correndo para fazer cursos técnicos?

Model

Porque leva tempo mudar a percepção. A geração Z foi criada ouvindo que precisava de um diploma universitário. Além disso, esses empregos são fisicamente exigentes e nem sempre glamourosos. Mas o dinheiro está lá, e eventualmente as pessoas vão notar.

Inventor

O que acontece se essa lacuna de mão de obra não for preenchida?

Model

Os investimentos em data centers desaceleram. A IA continua avançando, mas a infraestrutura não acompanha. É um gargalo que pode custar trilhões em oportunidades perdidas.

Quieres la nota completa? Lee el original en Estadão ↗
Contáctanos FAQ