Putin anuncia uso de mísseis hipersônicos Zircon contra Ucrânia após ataque a quartel-general

Seis pessoas ficadas feridas no ataque a Sebastopol; morte de empresário ucraniano e sua esposa em bombardeio em Mikolaiv; centenas de milhares de civis, incluindo dezenas de milhares de crianças, em risco na região de Donetsk.
Muitas se recusam a sair, mas isso precisa ser feito
Zelenski ordena evacuação obrigatória de civis de Donetsk enquanto centenas de milhares permanecem na região devastada.

No mesmo dia em que um drone interrompeu as celebrações navais russas na Crimeia, Putin ergueu em São Petersburgo o espectro dos mísseis hipersônicos Zircon como resposta simbólica e estratégica. A guerra, que já consome territórios e vidas, avança agora para uma linguagem de velocidade e alcance sem precedentes. Enquanto Zelenski ordena a retirada de civis de Donetsk e um dos maiores empresários do país perece sob bombardeios, o conflito revela, mais uma vez, que nenhuma camada da sociedade escapa ao seu peso.

  • Um drone explodiu no coração da Frota do Mar Negro durante o Dia da Marinha russa, ferindo seis pessoas e forçando o cancelamento das festividades em Sebastopol.
  • Horas depois, Putin respondeu do palco de um desfile em São Petersburgo anunciando que mísseis hipersônicos Zircon — capazes de voar nove vezes acima da velocidade do som — serão entregues às forças armadas nos próximos meses.
  • Zelenski ordenou evacuação obrigatória de centenas de milhares de civis, incluindo dezenas de milhares de crianças, da região de Donetsk, onde os bombardeios são constantes mas o avanço russo perdeu ritmo.
  • O empresário Oleksi Vadaturski, um dos homens mais ricos da Ucrânia e dono da maior empresa agrícola privada do país, foi morto com a esposa em um ataque a Mikolaiv, aprofundando as perdas econômicas de uma nação já devastada.

No domingo em que a Rússia celebrava o Dia da Marinha, um drone carregado de explosivos atingiu o quartel-general da Frota do Mar Negro em Sebastopol. O prefeito local confirmou seis feridos e o cancelamento imediato das festividades na Crimeia. O aparelho parecia ser de fabricação caseira, com explosivo de baixa potência — mas o efeito simbólico foi inegável.

A resposta de Putin veio horas depois, em um desfile naval em São Petersburgo. O presidente anunciou que os mísseis hipersônicos Zircon — com alcance de mil quilômetros e velocidade nove vezes superior à do som — seriam incorporados à frota russa nos próximos meses. Ele declarou que a arma permitiria à Rússia infligir uma resposta 'fulminante' a quem ousasse atacar sua soberania.

No mesmo dia, Zelenski ordenou retirada obrigatória dos civis que ainda permanecem em Donetsk, região sob bombardeios constantes. Em seu discurso noturno, reconheceu a resistência da população: 'Muitas se recusam a sair, mas isso precisa ser feito.' Apesar de o exército russo ter avançado sobre grandes extensões do território, observadores apontam que o ritmo da ofensiva desacelerou nas últimas semanas.

O conflito também ceifou uma das figuras mais proeminentes da economia ucraniana. Oleksi Vadaturski, dono da Nibulon — empresa agrícola com frota e estaleiro próprios, especializada na exportação de grãos —, foi morto com a esposa em um bombardeio em Mikolaiv. Sua fortuna era estimada em 430 milhões de dólares antes da invasão. Zelenski chamou a morte de 'uma grande perda para toda a Ucrânia', reconhecendo o peso humano e estratégico de mais uma baixa imposta pela guerra.

No mesmo dia em que um drone carregado de explosivos atingiu o quartel-general da Frota do Mar Negro em Sebastopol, na Crimeia, o presidente Vladimir Putin anunciou que a Rússia começaria a empregar mísseis hipersônicos Zircon na guerra contra a Ucrânia. O ataque ocorreu durante as celebrações do Dia da Marinha Russa, forçando o cancelamento das festividades que estavam programadas para a península anexada em 2014. Segundo o comunicado da frota, o drone parecia ser de fabricação caseira e transportava um explosivo de baixa potência. O prefeito de Sebastopol, Mikhail Razvozhaev, confirmou que seis pessoas sofreram ferimentos no incidente.

Poucas horas depois, em um desfile naval em São Petersburgo, Putin apresentou a resposta de Moscou. Ele declarou que os mísseis hipersônicos seriam incorporados aos navios russos, permitindo que a frota "infligisse uma resposta fulminante a todos aqueles que decidem atacar nossa soberania e liberdade". O presidente afirmou que a entrega desses armamentos às Forças Armadas começaria nos próximos meses. Os Zircon são armas de cruzeiro capazes de atingir alvos a mil quilômetros de distância, viajando a uma velocidade nove vezes superior à do som — uma capacidade que coloca esses mísseis entre os sistemas de armas mais avançados em desenvolvimento.

No mesmo domingo, o presidente ucraniano Volodmir Zelenski emitiu uma ordem de retirada obrigatória para os civis ainda presentes na região leste de Donetsk, área que sofre bombardeios constantes das forças russas. Em seu discurso noturno, Zelenski reconheceu a dificuldade da medida: centenas de milhares de pessoas, incluindo dezenas de milhares de crianças, vivem na região, e muitas se recusam a partir. "Muitas se recusam a sair, mas isso precisa ser feito", disse. Observadores militares indicam que, apesar de as forças russas terem conquistado grandes extensões de território em Donetsk, o ritmo da ofensiva desacelerou nas últimas semanas.

O conflito também cobrou um preço significativo na classe empresarial ucraniana. Oleksi Vadaturski, um dos homens mais ricos do país, e sua esposa foram mortos em bombardeios na cidade de Mikolaiv, no sul da Ucrânia, segundo informou o governador regional Vitali Kim. Vadaturski era proprietário da Nibulon, uma empresa agrícola especializada na produção e exportação de trigo, cevada e milho. A Nibulon era a única empresa agrícola ucraniana que possuía sua própria frota e estaleiro, tornando-a um ativo estratégico para a economia do país. Antes da invasão, a fortuna de Vadaturski era estimada em 430 milhões de dólares. Zelenski caracterizou a morte do empresário como "uma grande perda para toda a Ucrânia", reconhecendo tanto o impacto pessoal quanto as consequências econômicas para um país já devastado pela guerra.

A frota russa será capaz de infligir uma resposta fulminante a todos aqueles que decidem atacar nossa soberania e liberdade
— Vladimir Putin
A morte do empresário foi uma grande perda para toda a Ucrânia
— Volodmir Zelenski
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Inventor

Por que Putin escolheu anunciar os mísseis Zircon justamente neste momento, logo após o ataque a Sebastopol?

Model

É uma questão de narrativa de poder. O ataque ao quartel-general humilhou a Rússia publicamente — um drone caseiro atingiu um alvo estratégico no Dia da Marinha. Putin precisava responder não militarmente, mas simbolicamente, mostrando que a Rússia possui armas ainda mais avançadas e devastadoras.

Inventor

Os mísseis hipersônicos são realmente uma mudança no conflito?

Model

Teoricamente, sim. Se funcionarem como anunciado, são praticamente impossíveis de interceptar com a tecnologia atual. Mas há uma diferença entre anunciar uma arma e tê-la operacional. Putin disse que a entrega começaria "nos próximos meses" — isso é promessa, não realidade presente.

Inventor

E a ordem de Zelenski para evacuar Donetsk? Isso sugere que a Ucrânia está perdendo?

Model

Não necessariamente. Pode ser uma medida de proteção civil diante de uma situação insustentável. Mas também reflete a realidade: a Rússia controla grandes áreas, e os civis estão presos em uma zona de guerra. Zelenski reconheceu que muitos se recusam a partir — há raízes, propriedades, vidas inteiras em jogo.

Inventor

A morte de Vadaturski muda algo economicamente?

Model

Muda muito. A Nibulon não era apenas uma empresa privada — era infraestrutura crítica. Frota própria, estaleiro próprio, acesso a exportações de grãos. Perder isso em bombardeios é perder capacidade de reconstrução futura. É guerra contra a economia, não apenas contra soldados.

Inventor

Como os ucranianos estão respondendo a tudo isso?

Model

Com resistência, mas também com pragmatismo. Zelenski ordena evacuações porque precisa salvar vidas. Os civis se recusam a partir porque ainda têm esperança ou porque não têm para onde ir. É o cotidiano da guerra — decisões impossíveis tomadas todos os dias.

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