Psicóloga de 25 anos deixa legado de ajuda e compaixão

Juliana Reijane Neo, psicóloga de 25 anos, faleceu por meningite após duas semanas internada na UTI, deixando família, namorado e pacientes que se beneficiaram de seu trabalho.
Qual sentido teria a minha filha ficar aqui sofrendo se a nossa dor não puder ajudar os outros?
A mãe de Juliana explicando a decisão de autorizar a doação de órgãos, transformando o luto em continuidade.

Aos 25 anos, Juliana Reijane Neo deixou o mundo como havia vivido nele — voltada para o outro. Psicóloga formada em São Carlos, ela sucumbiu à meningite em 1º de maio após duas semanas na UTI, mas o rastro de cuidado que deixou em pacientes, colegas e até na enfermeira que a tratou revela uma vida que excedeu em significado o que o tempo permitiu em duração. Sua família, conhecendo bem quem ela era, transformou o luto em gesto coerente: autorizou a doação de órgãos, permitindo que a vocação de Juliana encontrasse uma última e silenciosa forma de continuar.

  • Uma enxaqueca em abril revelou algo muito mais grave — meningite —, e Juliana passou suas últimas duas semanas presa à UTI da Santa Casa de São Carlos.
  • A morte de uma psicóloga de 25 anos no auge de sua carreira nascente deixou pacientes, colegas e uma família inteira diante de uma perda desproporcional ao tempo que tiveram com ela.
  • O impacto de sua presença transbordou o consultório: uma enfermeira que a cuidou nos últimos dias revelou ter sido sua paciente, tornando visível o círculo de cuidado que Juliana havia tecido ao redor de si.
  • Diante da dor sem medida, a família encontrou uma forma de não deixar que a perda fosse apenas perda — a doação de órgãos transformou o fim em continuidade, fiel à essência de quem Juliana sempre foi.

Juliana Reijane Neo cresceu em São Carlos sabendo, antes mesmo de nomear, que queria cuidar de pessoas. Quando se formou em psicologia pela Unicep em 2023, sua mãe Vanessa viu isso confirmado da forma mais concreta possível: na cerimônia de colação de grau, desconhecidos se aproximavam para dizer que Juliana os havia ajudado. Ela tinha 25 anos e já havia deixado marca.

Seu namorado, Leonardo Willian de Souza, reconhecia nela uma disposição que não precisava ser cultivada — era natural, anterior à profissão. Na clínica onde trabalhava, os pacientes encontravam alguém que realmente se importava. Mas Juliana era também seus livros, sua música, seus afetos. Quem a conhecia dizia que era impossível olhar para as coisas que ela amava sem vê-la nelas.

Em abril, uma enxaqueca a levou à UPA. O diagnóstico foi meningite. Ela ficou duas semanas na UTI da Santa Casa e morreu em 1º de maio. Mesmo naquele intervalo de sofrimento, o alcance de sua vida se revelou: uma das enfermeiras que a cuidou procurou Vanessa depois para abraçá-la — ela havia sido paciente de Juliana.

A família, conhecendo quem Juliana havia sido, autorizou a doação de órgãos. 'Qual sentido teria a minha filha ficar aqui sofrendo se a nossa dor não puder ajudar os outros?', perguntou Vanessa. Era a única resposta que fazia sentido para uma vida que sempre encontrou seu centro no bem-estar alheio.

Juliana Reijane Neo tinha 25 anos quando morreu. Ela era psicóloga, nascida em São Carlos no interior de São Paulo, formada pela Unicep em 2023. Sua mãe, Vanessa, guarda com clareza um dia em particular: o da formatura. Naquele momento, pessoas se aproximavam e diziam à mãe que Juliana as havia ajudado. Ela havia lutado por isso.

Desde antes de escolher a profissão, era evidente que Juliana tinha vocação para cuidar de gente. O namorado, Leonardo Willian de Souza, viu isso cedo nela — uma disposição natural, uma vontade que não precisava ser ensinada. Quando chegou a hora de decidir, ela sabia com certeza. "Não dava um passo sem certeza", lembra a mãe. A psicologia não era apenas uma carreira. Era quem ela era.

Essa certeza se traduziu em reconhecimento constante. Na clínica Cuhidar Saúde, onde trabalhou até o fim, as pessoas viam nela alguém que realmente se importava. Mas Juliana era mais do que sua profissão. Era uma mulher de paixões intensas — pela família, pelos amigos, pela música, pelos livros. Ela amava autores como Colleen Hoover e Carla Madeira, artistas como Taylor Swift. Quem a conhecia não conseguia separar essas coisas dela. Como Leonardo descreve, quando as pessoas olhavam para as coisas que ela amava, viam Juliana nelas.

Em abril, uma enxaqueca a levou à Unidade de Pronto Atendimento de São Carlos. O diagnóstico foi meningite. Ela passou duas semanas na UTI da Santa Casa, entre 17 de abril e 1º de maio, quando morreu pela doença. Mesmo naquele período de sofrimento e internação, o impacto que havia deixado na vida das pessoas permanecia visível. Uma das enfermeiras que a cuidou procurou a mãe após sua morte para abraçá-la e contar que havia sido paciente de Juliana.

A família enfrentava uma dor sem medida. Mas conhecendo quem Juliana havia sido — alguém cuja vida inteira girou em torno de ajudar outros — tomaram uma decisão que fazia sentido. Autorizaram a doação de seus órgãos. "Qual sentido teria a minha filha ficar aqui sofrendo se a nossa dor não puder ajudar os outros?", pergunta Vanessa. O gesto ressignificou o luto, transformando a perda em continuidade. A vocação de Juliana — aquela disposição para cuidar que as pessoas reconheciam desde antes dela ser psicóloga — encontrou uma última forma de se expressar.

Não dava um passo sem certeza [do que iria fazer]
— Vanessa, mãe de Juliana
As pessoas olhavam para as coisas [que ela amava] e viam Juliana
— Leonardo Willian de Souza, namorado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O que fez Juliana ser tão marcante para as pessoas ao seu redor?

Model

Acho que era autenticidade. Ela não fingia interesse. Quando escolheu psicologia, foi porque realmente queria ajudar. E as pessoas sentiam isso. Não era profissional apenas — era quem ela era.

Inventor

A família decidiu pela doação de órgãos. Como isso se conecta com a vida dela?

Model

Era a coisa mais coerente que poderiam fazer. Juliana viveu ajudando gente. A mãe perguntou: qual o sentido de sofrer se esse sofrimento não puder servir para salvar outras vidas? Era Juliana até o fim.

Inventor

Duas semanas de internação. Como a família lidou com isso?

Model

Com a esperança que qualquer família tem. Mas também com o conhecimento de quem ela era. Até na UTI, uma enfermeira que havia sido sua paciente foi abraçar a mãe depois. Isso diz tudo sobre o tipo de conexão que Juliana criava.

Inventor

E a vida dela fora da profissão?

Model

Intensa. Livros, música, as pessoas que amava. Tudo com paixão. Leonardo diz que quando você olhava para as coisas que ela gostava, você via Juliana nelas. Ela não era dividida — era toda inteira em tudo que fazia.

Inventor

O que fica depois?

Model

A memória de alguém que sabia exatamente quem era e o que queria fazer com isso. E órgãos que vão continuar ajudando gente, como ela fez em vida.

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