Um celular em um presídio é um portal para o crime continuar
Dentro de um presídio que deveria representar o braço mais disciplinado do Estado, agentes da Corregedoria encontraram, mais uma vez, o que não deveria existir: celulares escondidos entre os corpos dos detentos. O caso de Melqui Galvão — professor de jiu-jítsu preso por crimes sexuais e flagrado com um aparelho na cueca durante revista surpresa em Santana, São Paulo — não é uma anomalia isolada, mas um sintoma que se repete. A cada nova operação, o sistema prisional paulista revela que a promessa de rigor e a realidade do controle interno caminham em direções opostas.
- Um celular Motorola azul escondido nas roupas íntimas de um detento resume, em um único objeto, a fragilidade do controle interno no Presídio da Polícia Civil de Santana.
- A operação de 25 de junho, deflagrada após denúncias anônimas, resultou na apreensão de cinco aparelhos — revelando que o problema vai muito além de um único preso.
- A Corregedoria abriu inquérito policial, procedimento correcional e procedimento disciplinar, sinalizando que a investigação mira tanto os detentos quanto possíveis facilitadores internos.
- O episódio ecoa o escândalo de fevereiro de 2025, quando 23 celulares foram encontrados nas mesmas celas ocupadas por policiais civis investigados no caso Gritzbach — o padrão se repete, as promessas de punição também.
- A Secretaria da Segurança Pública reafirmou tolerância zero com desvios de conduta, mas a recorrência dos casos questiona a efetividade das medidas adotadas até agora.
No dia 25 de junho, agentes da Corregedoria da Polícia Civil realizaram uma revista surpresa no Presídio da Polícia Civil, em Santana, Zona Norte de São Paulo. A operação foi motivada por denúncias anônimas sobre a circulação de celulares dentro da unidade. Com apoio da Chefia dos Investigadores, os agentes revistaram celas e detentos — e o que encontraram confirmou as suspeitas.
Melqui Galvão, professor de jiu-jítsu preso por crimes sexuais, foi flagrado com um celular Motorola azul de capa transparente escondido nas próprias roupas íntimas. O aparelho foi apreendido imediatamente. Ao final da operação, cinco celulares haviam sido recolhidos na unidade.
A Secretaria da Segurança Pública confirmou a ação e anunciou a abertura de um inquérito policial, um procedimento correcional e um procedimento disciplinar interno. O objetivo declarado é identificar os envolvidos, apurar possíveis faltas relacionadas ao descumprimento da Lei de Execução Penal e responsabilizar quem facilitou a comunicação ilegal. Em nota, a pasta afirmou que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta.
O problema, porém, não é novo. Em fevereiro de 2025, uma força-tarefa que investigava o assassinato do delator do PCC Vinícius Gritzbach encontrou 23 celulares e outros objetos proibidos nas mesmas celas do presídio — usados por policiais civis denunciados por corrupção para se comunicar com o mundo exterior. Meses depois, a descoberta de um novo aparelho escondido no corpo de um detento sugere que as investigações anteriores e as promessas de rigor ainda não foram suficientes para fechar as brechas do sistema.
No dia 25 de junho, agentes da Corregedoria da Polícia Civil entraram nas celas do Presídio da Polícia Civil, em Santana, na Zona Norte de São Paulo, com um propósito específico: encontrar o que não deveria estar ali. Denúncias anônimas haviam chegado aos ouvidos das autoridades sobre a circulação de celulares dentro da unidade. O que encontraram durante aquela revista surpresa revelou mais uma camada de irregularidade no sistema prisional paulista.
Melqui Galvão, professor de jiu-jítsu preso por crimes sexuais, foi submetido a uma revista pessoal como parte da operação. Os agentes, com apoio da Chefia dos Investigadores, revistaram não apenas as celas, mas também os detentos. Nas roupas íntimas de Galvão, encontraram um celular Motorola azul com capa transparente. O aparelho foi apreendido no ato.
Não era um caso isolado. A mesma operação resultou na apreensão de cinco celulares no total dentro da unidade prisional. A Secretaria da Segurança Pública confirmou a ação e anunciou que a Corregedoria da Polícia Civil havia instaurado um inquérito policial, um procedimento correcional e um procedimento disciplinar interno para investigar os fatos, identificar quem estava envolvido e responsabilizar os culpados. O procedimento disciplinar interno, segundo a secretaria, buscaria apurar possíveis faltas disciplinares relacionadas ao descumprimento da Lei de Execução Penal e condutas incompatíveis com a ordem e a disciplina do ambiente prisional.
A secretaria emitiu uma nota afirmando que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e que pune com rigor todas as irregularidades identificadas. Mas o histórico recente sugeria um padrão preocupante. No início de fevereiro de 2025, uma força-tarefa que investigava o assassinato do delator do PCC Vinicius Gritzbach havia encontrado 23 celulares e outros objetos proibidos nas mesmas celas do Presídio da Polícia Civil. Aquela ação, coordenada pelo Ministério Público e pela Corregedoria, havia revelado que policiais civis denunciados por corrupção estavam usando os aparelhos para se comunicarem com pessoas do lado de fora da prisão.
Guilherme Solano era diretor do presídio quando aquela operação anterior ocorreu. Os promotores do Ministério Público e os delegados da Corregedoria haviam checado a denúncia e confirmado o que suspeitavam: o sistema de segurança da unidade estava comprometido, e a comunicação ilegal entre presos e o mundo exterior era uma realidade documentada. Agora, meses depois, a descoberta de um novo celular nas roupas íntimas de um detento sugeria que o problema persistia, apesar das investigações anteriores e das promessas de rigor.
Citas Notables
A Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e pune com rigor todas as irregularidades identificadas— Secretaria da Segurança Pública
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um celular em um presídio é tão grave assim? Não é só um aparelho?
Um celular em um presídio é um portal. Permite que alguém preso continue coordenando atividades do lado de fora, ameaçando testemunhas, movimentando dinheiro, orquestrando crimes. Não é só comunicação — é poder mantido intacto.
E por que especificamente nas roupas íntimas?
É o último lugar que uma revista rápida encontraria. Mostra que a pessoa sabia que estava fazendo algo errado e tomou precauções. Não era negligência — era deliberado.
O fato de ser um professor de jiu-jítsu muda algo?
Muda a ironia. Aqui está alguém já condenado por crimes sexuais, já privado de liberdade, e ainda assim conseguindo manter uma linha de comunicação secreta. Sugere que o sistema falhou em múltiplos níveis.
Isso já tinha acontecido antes?
Sim. Alguns meses antes, encontraram 23 celulares em celas de policiais civis denunciados por corrupção. O mesmo presídio. A mesma falha. Isso não é um incidente isolado — é um padrão.
E agora? O que muda com essa descoberta?
Abriram inquéritos, procedimentos disciplinares. Mas a pergunta real é: como um celular chega lá? Quem o traz? Um guarda? Um visitante? Enquanto isso não for respondido, vai continuar acontecendo.