Saiam dos setores antigos, vamos reciclar a carteira
Aos 74 anos, o BNDES recebe de Lula uma orientação que vai além da gestão financeira: abandonar o familiar e apostar no que ainda está por ser construído. Em um seminário com a presença do presidente e do vice Alckmin, Aloizio Mercadante anunciou a reciclagem da carteira do banco em direção à inteligência artificial, à bioeconomia e aos minerais críticos — setores que definem o próximo ciclo econômico global. Com R$ 1,15 trilhão em ativos e compromissos que vão do reflorestamento da Amazônia ao financiamento de bicicletas elétricas para entregadores, o banco sinaliza que desenvolvimento, neste governo, é inseparável de clima e inclusão.
- Lula deu uma ordem direta ao BNDES: abandonar setores maduros e reorientar recursos para inteligência artificial, bioeconomia e minerais críticos, sinalizando uma ruptura estratégica deliberada.
- O banco chegou a R$ 1,15 trilhão em ativos em maio — quase o dobro do patrimônio anterior de R$ 650 bilhões —, consolidando sua capacidade de atuar como protagonista em grandes transformações econômicas.
- R$ 8,2 bilhões serão investidos no plantio de 342 milhões de árvores nativas na Amazônia, tornando o BNDES um dos maiores financiadores de reflorestamento do país.
- Mais de R$ 340 milhões do Fundo Clima irão financiar 85 mil bicicletas elétricas para entregadores de plataformas digitais, com custo 25% menor — unindo sustentabilidade e proteção de trabalhadores vulneráveis.
- O reposicionamento do banco aponta para um modelo em que política industrial, agenda climática e inclusão econômica deixam de ser pautas separadas e passam a ser tratadas como uma só estratégia.
Durante o seminário de 74 anos do BNDES, realizado na segunda-feira com a presença de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, tornou pública uma orientação presidencial direta: reciclar a carteira de investimentos do banco, deixando para trás setores tradicionais e consolidados para apostar em inteligência artificial, bioeconomia e minerais críticos. Mercadante reproduziu as palavras do presidente com precisão, deixando claro que não se trata de uma sugestão, mas de uma mudança estratégica deliberada.
O pano de fundo para essa virada é financeiramente robusto. O BNDES atingiu R$ 1,15 trilhão em ativos em maio deste ano, quase o dobro dos R$ 650 bilhões que a instituição possuía anteriormente. Nos últimos três anos, o banco acumulou R$ 70 milhões em dividendos e valorização de ações — uma base que, segundo Mercadante, garante a estabilidade necessária para o banco operar como uma instituição financeira de grande porte e assumir apostas de longo prazo.
Além do reposicionamento estratégico, dois investimentos concretos foram anunciados. O primeiro, de escala ambiental: R$ 8,2 bilhões destinados ao plantio de 342 milhões de árvores nativas na Amazônia, com foco explícito na redução de carbono atmosférico. O segundo, de caráter social e urbano: mais de R$ 340 milhões do Fundo Clima para financiar 85 mil bicicletas elétricas da empresa Tembici, que serão alugadas a entregadores de plataformas digitais com custo 25% menor do que o praticado atualmente.
O conjunto dos anúncios revela um BNDES em transição — não mais apenas financiador de infraestrutura tradicional, mas instrumento central de uma política de desenvolvimento que busca articular modernização tecnológica, preservação ambiental e inclusão econômica em uma única visão estratégica.
Na segunda-feira, durante um seminário que marcou os 74 anos do BNDES, Aloizio Mercadante anunciou um direcionamento claro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o banco: sair dos setores tradicionais e consolidados, e buscar oportunidades em campos emergentes. A orientação presidencial foi explícita — inteligência artificial, bioeconomia, minerais críticos. Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, estavam presentes no evento.
Mercadante detalhou o pedido do presidente com precisão. "Saiam dos setores antigos, maduros e consolidados, vamos reciclar a carteira. E olhem os novos setores, a inteligência artificial, a bioeconomia, minerais críticos, olhem esses novas oportunidades e reciclem a carteira", repetiu o presidente do banco, deixando claro que se trata de uma mudança estratégica deliberada, não uma sugestão casual.
O anúncio mais imediato foi o crescimento dos ativos da instituição. O BNDES atingiu a marca de R$ 1,15 trilhão em ativos em maio deste ano — um salto expressivo em relação aos R$ 650 bilhões que a instituição possuía anteriormente. Mercadante enfatizou que esse crescimento não é apenas um número: representa a estabilidade que permite ao banco funcionar como uma instituição financeira robusta. Nos últimos três anos, o banco ganhou R$ 70 milhões em dividendos e valorização das ações.
Além da reorientação estratégica, o BNDES anunciou investimentos concretos em duas frentes. A primeira é ambiental: R$ 8,2 bilhões serão destinados ao plantio de 342 milhões de árvores nativas na Amazônia, com o objetivo explícito de reduzir o carbono da atmosfera. É um compromisso de escala significativa, refletindo a prioridade que o governo coloca na questão climática.
A segunda iniciativa tem um caráter mais social e urbano. O BNDES vai financiar 85 mil bicicletas elétricas para a empresa Tembici Participações. Essas bicicletas serão alugadas a entregadores de plataformas digitais — o segmento de trabalhadores que cresceu exponencialmente nos últimos anos — com um custo 25% menor do que o praticado atualmente. O investimento, superior a R$ 340 milhões, virá do Fundo Clima, mostrando como o banco está canalizando recursos para iniciativas que combinam sustentabilidade com inclusão econômica.
Os anúncios refletem uma visão de desenvolvimento que busca equilibrar três elementos: a modernização da carteira de investimentos do banco em direção a setores de futuro, a preservação ambiental em larga escala, e o acesso a ferramentas de trabalho mais sustentáveis para populações vulneráveis. O BNDES, historicamente um instrumento de política econômica do governo, está sendo reposicionado não apenas como financiador de infraestrutura tradicional, mas como ator central na transição para uma economia de baixo carbono e tecnologicamente avançada.
Citações Notáveis
O presidente tem orientado: saiam dos setores antigos, maduros e consolidados, vamos reciclar a carteira. E olhem os novos setores, a inteligência artificial, a bioeconomia, minerais críticos— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Lula pediu especificamente para o BNDES sair dos setores maduros? Não era lá que o banco estava ganhando dinheiro?
Estava, sim. Mas ganhar dinheiro em setores consolidados é ganhar em um jogo que já conhecemos. O presidente está sinalizando que o Brasil precisa se posicionar em mercados que ainda estão se formando — IA, bioeconomia, minerais críticos. Quem chegar primeiro nesses campos tem vantagem competitiva global.
E quanto ao crescimento dos ativos? De R$ 650 bilhões para R$ 1,15 trilhão é praticamente o dobro. Como isso aconteceu tão rápido?
Mercadante não detalhou exatamente como, mas a instituição ganhou R$ 70 milhões em dividendos e valorização de ações em três anos. Provavelmente houve uma combinação de bons resultados operacionais, recuperação de investimentos anteriores, e talvez novas capitalizações. O importante é que agora o banco tem mais músculo financeiro para fazer apostas maiores.
As bicicletas elétricas para entregadores parecem um projeto pequeno comparado aos R$ 1,15 trilhão. Por que isso importa?
Porque mostra uma mudança de mentalidade. O BNDES não está apenas financiando grandes obras de infraestrutura. Está olhando para quem trabalha nas ruas das cidades, oferecendo uma ferramenta mais sustentável e economicamente viável. É desenvolvimento que toca as pessoas.
E as árvores na Amazônia? R$ 8,2 bilhões é muito dinheiro para plantar árvores.
É uma aposta de longo prazo em clima e em como o Brasil pode se posicionar globalmente. Reduzir carbono não é apenas ambiental — é também econômico. Mercados internacionais estão cada vez mais exigindo isso. O BNDES está antecipando essa demanda.