Concurso escolhe as melhores fotografias da natureza da Austrália e região

Coalas, morcegos e outras espécies selvagens morrem por desmatamento, negligência humana em construções e cercas inadequadas, evidenciando o custo da expansão urbana e agrícola.
Uma imagem de um coala morto em um canteiro de obras diz mais sobre negligência do que mil relatórios
Fotografia finalista documenta morte causada por falta de precauções simples em construção, não por causas naturais.

A cada dois anos, a natureza encontra seus porta-vozes não em discursos, mas em imagens. O Australian Geographic Nature Photographer of the Year 2026, organizado pelo Museu da Austrália do Sul, reuniu mais de dois mil trabalhos de dezessete países para retratar a região ANZANG — e as cem fotografias finalistas selecionadas falam ao mesmo tempo de esplendor e de perda. Nelas, a beleza da vida selvagem e a brutalidade do impacto humano coexistem como faces de um mesmo espelho, lembrando que documentar o mundo natural é, hoje, também um ato de resistência.

  • Coalas buscam refúgio em postes de eletricidade, tartarugas-de-pente lutam para sobreviver e raposas-voadoras morrem presas em cercas — as imagens finalistas tornam visível uma crise silenciosa de extinção.
  • A categoria 'Nosso Impacto' expõe sem eufemismos como o desmatamento, a expansão urbana e a negligência em construções transformam habitats em armadilhas para a fauna selvagem.
  • Diante da destruição, o concurso aposta na força da imagem como ferramenta de conscientização, reunindo 501 fotógrafos de 17 países dispostos a testemunhar o que ainda resta — e o que já se perdeu.
  • Entre pinguins que parecem levitar no Mar de Weddell, árvores que brilham por biofluorescência e rituais de acasalamento que parecem danças, o concurso também celebra a extraordinária vitalidade do mundo natural.
  • Os vencedores serão anunciados em 27 de agosto, mas o verdadeiro veredicto já está nas imagens: a conservação ambiental não é uma causa futura — é uma urgência do presente.

O Museu da Austrália do Sul recebeu este ano mais de dois mil inscrições de fotógrafos de dezessete países para o Australian Geographic Nature Photographer of the Year 2026. Das submissões, cem imagens foram selecionadas como finalistas — e juntas formam um retrato complexo da região que abrange Austrália, Nova Zelândia, Antártica e Papua-Nova Guiné. O concurso, apoiado pela Australian Geographic, tem um propósito que vai além da estética: alertar sobre mudanças climáticas e a destruição de habitats enquanto celebra a riqueza ecológica local.

A categoria Nosso Impacto é onde a urgência se torna mais palpável. Michael Snedic fotografou um coala refugiado em um poste de eletricidade, expulso da floresta pelo avanço imobiliário. Dave Sanderson registrou um filhote de coala morto em um canteiro de obras, vítima de vergalhões expostos que poderiam ter sido protegidos com medidas simples. Jasmine Vink documentou uma raposa-voadora ameaçada de extinção presa em uma cerca de arame farpado — símbolo de como boas intenções mal executadas também custam vidas.

Mas o concurso também narra histórias de sobrevivência e beleza. Kendra Campbell capturou uma tartaruga-de-pente na Austrália Ocidental, uma das poucas que retornam à mesma praia para se reproduzir. Matt Cornish fotografou um diabo-da-tasmânia doente alimentando-se na neve, resistindo contra todas as probabilidades. Georgina Steytler registrou a dança de acasalamento dos trinta-réis-enegrecidos; Donald Chin, um corujão-tawny esticando as asas ao amanhecer; Mat Bell, um pinguim que parece flutuar nas águas geladas da Antártica.

A vegetação e a macrofotografia completam o mosaico: faias-prateadas que crescem horizontalmente nas montanhas da Nova Zelândia, uma árvore australiana que brilha em dourado por biofluorescência, aranhas minúsculas entre sementes de dente-de-leão e cavalos-marinhos pigmeus camuflados em corais. Os vencedores serão anunciados em 27 de agosto — mas as imagens já cumpriram sua missão mais essencial: tornar impossível olhar para a natureza com indiferença.

Um concurso de fotografia da natureza realizado pelo Museu da Austrália do Sul reuniu este ano mais de dois mil inscrições de fotógrafos espalhados por dezessete países, todos capturando a vida selvagem e as paisagens da região que abrange Austrália, Nova Zelândia, Antártica e Papua-Nova Guiné. Desse grande volume de trabalhos, cem imagens foram selecionadas como finalistas do Australian Geographic Nature Photographer of the Year 2026, e elas contam histórias que vão muito além de simples retratos de beleza natural.

O concurso, apoiado pela organização de conservação ambiental Australian Geographic, tem um propósito claro: alertar o mundo sobre as mudanças climáticas e a destruição dos habitats enquanto celebra a riqueza ecológica da região. As imagens finalistas se distribuem por categorias que revelam diferentes aspectos da natureza — desde o comportamento animal até a vegetação, passando por macrofotografia e paisagens. Mas há uma categoria que toca particularmente fundo: Nosso Impacto, dedicada a mostrar como as ações humanas prejudicam o mundo natural.

Em Queensland, o fotógrafo Michael Snedic capturou um coala buscando refúgio em um poste de eletricidade, forçado para fora de seu habitat natural pelo desmatamento contínuo que transforma florestas em empreendimentos imobiliários. A imagem resume um problema crescente: coalas, símbolo da região, estão desaparecendo rapidamente, atropelados por carros ou perseguidos por cães quando saem para os subúrbios em busca de alimento. Outra fotografia, de Dave Sanderson, mostra um filhote de coala morto em um canteiro de obras — não vítima da natureza, mas da negligência humana, preso em vergalhões expostos que poderiam ter sido protegidos com precauções simples. A imagem de Jasmine Vink documenta uma raposa-voadora, espécie ameaçada de extinção, morta após ficar presa em uma cerca de arame farpado, ilustrando como ideias equivocadas sobre cercas sustentáveis colocam a vida selvagem em risco.

As categorias de espécies ameaçadas revelam histórias de sobrevivência contra as probabilidades. Kendra Campbell fotografou uma pequena tartaruga-de-pente na Ilha Rosemary, na Austrália Ocidental — uma das poucas que conseguem sobreviver para retornar à mesma praia anos depois para se reproduzir. Matt Cornish capturou um diabo-da-tasmânia selvagem portador de uma doença de tumor facial, alimentando-se de um wombat morto na neve, lutando pela vida apesar de todas as adversidades.

Mas o concurso também celebra momentos de beleza e comportamento animal que não envolvem sofrimento. Georgina Steytler registrou o ritual de acasalamento peculiar dos trinta-réis-enegrecidos, uma coreografia que parece uma dança, com os pássaros inclinando a cabeça, abaixando as asas e marchando em uníssono enquanto jogam areia com os pés. Donald Chin fotografou um jovem corujão-tawny acordando em uma manhã de primavera no Lago Herdsman, esticando as asas amplamente e envolvendo seus irmãos em um momento de calor e conexão silenciosa. Mat Bell capturou um pinguim que parece levitar nas águas geladas do Mar de Weddell, na Antártica.

A vegetação também ganhou destaque. William Patino documentou árvores de faia-prateada que desafiam a gravidade, estendendo-se horizontalmente pelas encostas das montanhas na Nova Zelândia. Benjamin Alldridge fotografou a Tanglefoot, a única espécie caducifólia de clima frio da Austrália, brilhando em tons dourados através de um processo raro chamado biofluorescência, onde a árvore emite cores chamativas em resposta à luz ultravioleta.

A macrofotografia revelou mundos em miniatura: uma aranha minúscula atravessando uma floresta de sementes de dente-de-leão, formigas-aranha cercando e imobilizando uma formiga-pony na floresta tropical de Papua Nova Guiné, um cavalo-marinho pigmeu perfeitamente camuflado em um coral-gorgônia rosa. Os vencedores gerais e de cada categoria serão anunciados em 27 de agosto, momento em que o mundo saberá quais imagens melhor capturaram a urgência da conservação e a beleza do mundo natural que ainda temos.

Precauções simples poderiam ter evitado essa tragédia
— Reflexão sobre a morte de um filhote de coala em canteiro de obras
Muitos agricultores têm ideias erradas sobre a eficácia de cercas amigáveis à vida selvagem
— Contexto da morte de uma raposa-voadora presa em arame farpado
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um concurso de fotografia importa quando falamos de conservação ambiental?

Model

Porque uma imagem de um coala morto em um canteiro de obras diz mais sobre negligência humana do que mil relatórios científicos. A fotografia força você a olhar para o que está acontecendo.

Inventor

Mas há muita beleza aqui também — pinguins levitando, árvores brilhando. Por que misturar isso com morte e destruição?

Model

Porque a realidade é essa mistura. Você não pode entender o que está em risco sem ver tanto a beleza quanto a ameaça. Um coala em um poste de eletricidade é belo e trágico ao mesmo tempo.

Inventor

Esses fotógrafos viajaram para dezessete países diferentes. O que eles estavam procurando?

Model

Não estavam procurando apenas por animais bonitos. Estavam procurando por verdade — comportamento real, consequências reais, a vida selvagem enfrentando o mundo que criamos.

Inventor

A categoria "Nosso Impacto" parece ser a mais pesada. É difícil olhar para essas imagens?

Model

Sim, porque você não pode culpar a natureza. Um filhote de coala preso em vergalhões expostos é culpa de alguém não ter pensado. Isso é diferente de um predador caçando sua presa.

Inventor

E as imagens de comportamento animal — o ritual de acasalamento dos pássaros, por exemplo — o que elas nos mostram?

Model

Que a natureza tem sua própria lógica e beleza quando a deixamos em paz. Aquela dança dos trinta-réis é uma coreografia perfeita que ninguém ensinou. É o que perdemos quando destruímos habitats.

Inventor

O concurso termina em 27 de agosto. Você acha que uma imagem vencedora pode realmente mudar algo?

Model

Uma imagem não muda tudo sozinha. Mas cem imagens, vistas por milhares de pessoas, começam a criar uma conversa. E conversas levam a decisões.

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