Prefeitura admite falta de alternativas viáveis para substituir capina química

Corta, cresce, corta de novo, cresce de novo
O ciclo ineficiente das roçadeiras que apenas podas a vegetação, sem eliminar o problema.

Em Poços de Caldas, a proibição da capina química revelou uma lacuna que vai além da vegetação nas calçadas: a ausência de planejamento técnico diante de uma mudança legal. Sem estudos formais e sem alternativas comprovadas, a prefeitura viu seus gastos com conservação crescerem 62% em dois anos, enquanto o problema de fundo — controlar o que cresce — permanece sem resposta. É o retrato de uma gestão pública apanhada entre a boa intenção de uma lei e a dureza da realidade operacional.

  • A cidade proibiu a capina química, mas nunca produziu um único estudo técnico sobre o que viria no lugar — e agora admite isso formalmente.
  • Os custos com serviços terceirizados de conservação saltaram de R$ 1,9 milhão para R$ 3,1 milhões entre 2023 e 2025, sem que a eficiência tenha acompanhado o gasto.
  • As roçadeiras mecânicas apenas podam a vegetação, que rebrota rapidamente, criando um ciclo interminável de corte sem controle real.
  • Uma visita a três cidades mineiras para conhecer capina eletrônica não passou disso — nenhum teste prático foi realizado em Poços de Caldas.
  • A Secretaria agora pede flexibilização da lei para usar a capina química como método complementar enquanto busca soluções mais duradouras, com um projeto de lei em discussão na Câmara.

A Prefeitura de Poços de Caldas se vê diante de um impasse que ela própria ajudou a construir. Desde que uma lei restringiu o uso da capina química nas ruas e espaços públicos, a administração não encontrou alternativas eficazes — e, mais revelador ainda, nunca produziu estudos técnicos formais para buscá-las. A confissão veio em resposta oficial aos vereadores Tiago Mafra, do PT, e Lucas Arruda, da Rede.

O secretário de Serviços Públicos, Celso Donato, reconheceu que o controle de vegetação segue acontecendo no dia a dia, mas que as soluções disponíveis no mercado são escassas e, em geral, inadequadas para as condições do município. Sem documentação formal sobre nenhuma alternativa, a pasta alega ter poucas opções sequer para avaliar.

Em 2026, técnicos visitaram Itabirito, Mariana e Catas Altas para conhecer um equipamento de capina eletrônica. Empresas apresentaram suas soluções. Mas nenhum teste prático foi realizado em Poços de Caldas — apenas uma visita, sem dados, sem resultados concretos.

Os números pressionam. Os gastos com conservação terceirizada subiram de R$ 1,9 milhão em 2023 para R$ 3,1 milhões em 2025 — alta de 62% em dois anos. A Secretaria sequer consegue isolar quanto desse total corresponde especificamente à capina e à roçagem, porque os contratos não discriminam essas atividades.

O problema operacional é simples e persistente: as roçadeiras apenas podam, e a vegetação volta a crescer rapidamente. É um ciclo sem fim. Por isso, a Secretaria defende agora uma flexibilização da lei, usando a capina química como método complementar enquanto testa novas tecnologias. Um projeto de lei sobre o tema está em discussão na Câmara. O próximo passo depende de quanto a prefeitura e os vereadores conseguirão negociar entre o que a lei proíbe e o que a cidade ainda não sabe fazer.

A Prefeitura de Poços de Caldas enfrenta um impasse prático. Desde que uma lei restringiu o uso de capina química — o método tradicional de controle de vegetação nas ruas e espaços públicos — a administração municipal não conseguiu encontrar alternativas que funcionem de verdade. Tanto que admitiu, em resposta formal a dois vereadores, que nunca produziu um único estudo técnico sério sobre o assunto.

A confissão veio através da Secretaria Municipal de Serviços Públicos, que respondeu a um requerimento dos vereadores Tiago Mafra, do PT, e Lucas Arruda, da Rede. O secretário Celso Donato explicou que o trabalho de controlar a vegetação continua acontecendo todos os dias, mas as soluções disponíveis no mercado são poucas e, na maioria dos casos, simplesmente não funcionam para as condições de um município como Poços de Caldas. A pasta não tem documentação formal sobre nenhuma dessas alternativas, alegando que há pouquíssimas opções para sequer avaliar.

Em 2026, a equipe técnica visitou três cidades mineiras — Itabirito, Mariana e Catas Altas — para conhecer de perto um equipamento de capina eletrônica. O encarregado de Serviços Públicos, Marcos Salles, participou da visita. Algumas empresas apresentaram suas soluções durante esses encontros. Mas aqui está o problema: a Secretaria não realizou testes práticos desses equipamentos em Poços de Caldas. Houve apenas uma visita para ver como a máquina funciona. Nada de concreto, nada de dados.

Os números revelam por que a pressão aumenta. Os gastos com serviços terceirizados de conservação de áreas verdes e corte de vegetação subiram de forma vertiginosa. Em 2023, a cidade gastou R$ 1.919.600,37. Um ano depois, em 2024, o valor saltou para R$ 2.419.817,63. Em 2025, chegou a R$ 3.107.486,60. Isso representa um aumento de 62% em apenas dois anos. A Secretaria não consegue separar quanto desse total vem especificamente do trabalho de capina manual e roçagem mecânica, porque os contratos não discriminam essas atividades de forma isolada.

Os obstáculos operacionais são reais. As roçadeiras usadas atualmente fazem apenas a poda da vegetação, o que significa que as plantas crescem de novo rapidamente, tornando o controle muito menos eficiente do que era com a capina química. É um ciclo que nunca termina: corta, cresce, corta de novo, cresce de novo.

Por isso, a Secretaria agora defende uma flexibilização da lei. Quer usar capina química como método complementar enquanto testa e desenvolve outras técnicas. A ideia é manter a prática até que seja possível controlar a vegetação sem ela. O documento menciona ainda que há conversas em andamento sobre um projeto de lei que o Poder Legislativo pretende apresentar para melhorar a legislação sobre o tema.

O que fica claro é que a cidade se vê presa entre duas realidades: uma lei que proíbe o que funcionava, e nenhuma alternativa que funcione de verdade. O próximo passo depende de negociações entre a prefeitura e os vereadores sobre como flexibilizar as restrições enquanto busca soluções mais duradouras.

As alternativas disponíveis no mercado são limitadas e, em sua maioria, não se mostram viáveis para a realidade do município
— Secretário Celso Donato
A Secretaria defende a flexibilização do uso da capina química como método complementar até que seja possível o controle da vegetação sem essa prática
— Secretaria Municipal de Serviços Públicos
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a prefeitura nunca fez estudos técnicos sobre alternativas se a lei já estava em vigor?

Model

Porque, na verdade, não havia muito o que estudar. As opções no mercado são muito poucas, e a maioria não se aplica à realidade de uma cidade como Poços de Caldas. Fazer um estudo formal sobre quase nada não muda muita coisa.

Inventor

Mas visitaram outros municípios. Não viram nada que pudesse funcionar?

Model

Viram uma máquina de capina eletrônica. Acharam interessante o suficiente para fazer uma visita. Mas nunca testaram em Poços de Caldas. É a diferença entre conhecer algo e saber se funciona de verdade no seu contexto.

Inventor

Os custos subiram 62% em dois anos. Isso é por causa das alternativas mais caras?

Model

Não sabemos ao certo. A prefeitura não consegue separar quanto do gasto é especificamente com capina manual versus outras atividades de conservação. Mas a conta está crescendo enquanto o resultado piora.

Inventor

Piora como?

Model

As roçadeiras só cortam a vegetação. A planta cresce de novo em semanas. Com capina química, o controle era mais duradouro. Agora é um trabalho que nunca termina.

Inventor

Então a solução é voltar à capina química?

Model

A prefeitura quer flexibilizar a lei para usar como método complementar enquanto testa outras coisas. Mas isso depende de negociação com os vereadores que pediram essa resposta.

Inventor

E se nenhuma alternativa funcionar?

Model

Aí a cidade terá que escolher entre aceitar um controle de vegetação menos eficiente ou rever a lei que criou esse problema.

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