Portugal trabalha 39 anos até reforma, 7.º mais na UE acima de romenos e italianos

Portugueses trabalham dois anos mais que a média europeia
Portugal ocupa o sétimo lugar na UE pela duração da vida profissional, com 39,1 anos até à reforma.

Numa Europa onde o tempo de trabalho define em parte o contrato entre o cidadão e o Estado, Portugal ocupa um lugar de destaque: os seus trabalhadores dedicam em média 39,1 anos à vida ativa antes de se reformarem, superando em mais de dois anos a média comunitária. Segundo dados do Eurostat de 2024, o país subiu para o sétimo lugar entre os 27 Estados-membros, situando-se acima de economias como Itália e Roménia, mas ainda abaixo de nações nórdicas onde a longevidade profissional ultrapassa os 40 anos. Esta realidade coloca questões profundas sobre o equilíbrio entre a sustentabilidade das pensões e a qualidade de vida de quem constrói, ao longo de décadas, o tecido produtivo do país.

  • Portugal trabalha mais do que a maioria dos seus parceiros europeus — 39,1 anos de vida ativa contra uma média de 36,9 anos na UE, uma diferença que não é marginal.
  • O país subiu uma posição no ranking europeu em apenas um ano, sinal de que a duração das carreiras portuguesas está a crescer num momento em que o envelhecimento populacional pressiona os sistemas de pensões.
  • As disparidades de género persistem: os homens trabalham quase dois anos mais do que as mulheres em Portugal, mas o país destaca-se positivamente face ao sul europeu, onde países como Itália registam apenas 28,3 anos de vida ativa feminina.
  • No topo da tabela estão Irlanda, Estónia e Noruega, com mais de 40 anos de carreira — um espelho das políticas laborais e sociais que Portugal ainda não alcançou.
  • A tensão entre trabalhar mais anos e garantir uma reforma digna permanece sem resposta clara nas políticas públicas portuguesas, tornando estes dados não apenas estatísticos, mas politicamente urgentes.

Portugal figura entre os países europeus onde os trabalhadores mais tempo dedicam à vida profissional. De acordo com dados do Eurostat divulgados em julho de 2024, os portugueses trabalham em média 39,1 anos até à reforma — um aumento face aos 38,3 anos do ano anterior —, o que coloca o país em sétimo lugar no ranking dos 27 Estados-membros da UE, subindo uma posição relativamente a 2022.

A média portuguesa supera em mais de dois anos a média europeia de 36,9 anos. Países como Roménia e Itália ficam muito aquém, com durações médias inferiores a 33 anos, enquanto Croácia, Grécia, Bulgária e Bélgica não ultrapassam os 35 anos. No extremo oposto, Irlanda, Estónia e Noruega lideram com mais de 40 anos de vida ativa, situando Portugal num patamar intermédio, mas claramente acima da média comunitária.

A desagregação por género revela diferenças assinaláveis. Os homens portugueses trabalham em média 40,1 anos, as mulheres 38,2 anos. A nível europeu, os Países Baixos lideram na vida ativa masculina com 45,7 anos, enquanto a Suécia encabeça a feminina com 41,9 anos. No extremo oposto, Itália regista apenas 28,3 anos de vida ativa para mulheres — um contraste marcante com os 38,2 anos portugueses, que refletem uma participação feminina no mercado de trabalho mais prolongada do que em várias economias do sul europeu.

O crescimento de quase um ano na duração média da carreira portuguesa entre 2022 e 2023 aponta para transformações no mercado laboral nacional. As implicações desta tendência — para a sustentabilidade das pensões e para a qualidade de vida dos trabalhadores — continuam a ser questões centrais para os decisores políticos portugueses.

Portugal situa-se entre os países europeus onde os trabalhadores mais tempo dedicam à vida profissional antes de se reformarem. Segundo dados do Eurostat divulgados em julho de 2024, os portugueses trabalham em média 39,1 anos até à reforma — um aumento significativo face aos 38,3 anos registados no ano anterior. Este número coloca o país em sétimo lugar no ranking dos 27 Estados-membros da União Europeia, uma subida relativamente à oitava posição que ocupava em 2022.

A duração média da carreira profissional em Portugal ultrapassa a média europeia em mais de dois anos. Enquanto a UE registou uma média de 36,9 anos de vida ativa em 2023, os portugueses trabalham significativamente mais. Este padrão distingue Portugal de vários vizinhos europeus. Roménia e Itália, por exemplo, apresentam durações médias que não chegam aos 33 anos de trabalho. Croácia, Grécia, Bulgária e Bélgica também ficam aquém, com períodos de atividade profissional que não ultrapassam os 35 anos.

Porém, Portugal não se encontra no topo da tabela europeia. Irlanda, Estónia e Noruega exigem que os seus profissionais trabalhem mais de 40 anos. A duração portuguesa aproxima-se mais da registada na Alemanha e na Finlândia, situando-se num patamar intermédio mas claramente acima da média comunitária.

Quando se desagregam os dados por género, emergem disparidades notáveis. Os homens portugueses trabalham em média 40,1 anos, enquanto as mulheres trabalham 38,2 anos — uma diferença de quase dois anos. A nível europeu, a duração média da vida ativa para homens é de 39 anos, com os Países Baixos a liderar com 45,7 anos, seguido da Suécia com 44,1 anos. Dinamarca e Irlanda registam ambas 42,8 anos. As durações mais curtas para homens ocorrem na Croácia (35,4 anos), Bulgária e Roménia (ambas com 35,6 anos).

Para as mulheres, o cenário europeu revela disparidades ainda mais pronunciadas. A média da UE situa-se nos 34,7 anos de vida ativa. A Suécia lidera com 41,9 anos, seguida pelos Países Baixos e Estónia, ambos com 41,5 anos. No extremo oposto, Itália regista apenas 28,3 anos de vida ativa para mulheres, Roménia 28,5 anos e Grécia 30,6 anos. Portugal, com 38,2 anos para mulheres, posiciona-se bem acima destas médias mais baixas, refletindo uma participação feminina no mercado de trabalho mais prolongada do que em várias economias do sul europeu.

O aumento de quase um ano na duração média da vida profissional portuguesa entre 2022 e 2023 sugere tendências em mudança no mercado laboral nacional. Este crescimento, combinado com a subida de uma posição no ranking europeu, indica que Portugal continua a exigir períodos de trabalho mais longos aos seus cidadãos em comparação com a maioria dos seus pares europeus. As implicações desta realidade — tanto para a sustentabilidade dos sistemas de pensões como para a qualidade de vida dos trabalhadores — permanecem questões centrais nas políticas de reforma e envelhecimento populacional que os decisores portugueses enfrentam.

A carreira média em Portugal dura mais de dois anos do que a média da UE, que se cifrou nos 36,9 anos
— Eurostat, 2024
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que Portugal trabalha mais anos do que a média europeia?

Model

A resposta não está apenas numa única causa. Tem a ver com a estrutura demográfica, com as políticas de reforma que cada país adota, e com a realidade económica. Portugal envelheceu, como toda a Europa, mas as nossas pensões são relativamente baixas, o que força as pessoas a trabalhar mais tempo para as garantir.

Inventor

E essa subida de um ano entre 2022 e 2023 — é uma tendência ou um pico?

Model

É difícil dizer com certeza com apenas dois anos de dados. Mas sugere que algo está a mudar. Pode ser pressão demográfica, pode ser que as pessoas estejam a trabalhar mais porque precisam, ou pode ser que as reformas antecipadas estejam a diminuir.

Inventor

A diferença entre homens e mulheres é surpreendente. As mulheres trabalham quase dois anos menos.

Model

Sim, mas isso não é necessariamente bom. Em muitos casos, as mulheres saem mais cedo do mercado de trabalho — por maternidade, por cuidados familiares, ou porque os salários não compensam. Noutros países, como a Suécia, essa diferença é muito menor, o que mostra que é possível ter maior igualdade.

Inventor

Portugal está acima de Itália e Roménia, mas abaixo de Irlanda e Estónia. O que explica essa variação?

Model

Cada país tem o seu próprio sistema de pensões e as suas próprias regras de reforma. Irlanda e Estónia têm economias mais dinâmicas e sistemas que talvez incentivem mais anos de trabalho. Itália e Roménia têm reformas mais cedo, mas isso não significa que as pessoas vivam melhor — muitas vezes significa que as pensões são ainda mais baixas.

Inventor

Isto importa para o futuro de Portugal?

Model

Muito. Se as pessoas trabalham mais anos, isso afeta tudo — saúde, qualidade de vida, dinâmica familiar. E levanta questões sobre se o sistema é sustentável ou se estamos apenas a adiar problemas.

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