Quase quatro décadas inteiras passadas em atividade laboral
Desde os 15 anos, um português pode esperar passar quase quatro décadas da sua vida em atividade laboral — 37,6 anos, acima da média europeia de 36. Este número, que cresceu de forma constante desde o início do século, coloca Portugal no décimo lugar da União Europeia e revela, ao mesmo tempo, uma sociedade que trabalha muito, mas onde homens e mulheres ainda não partilham esse peso de forma igual.
- Portugal supera a média europeia de vida laboral, com 37,6 anos esperados a partir dos 15 anos, num ranking dominado pelos países nórdicos.
- A pandemia de 2020 interrompeu brevemente uma tendência ascendente que vinha desde 2002, mas os níveis pré-pandémicos foram recuperados em 2021.
- A Europa do trabalho é profundamente desigual: entre a Holanda, com 42,5 anos, e a Roménia, com 31,3 anos, existe uma diferença de mais de uma década.
- Em Portugal, os homens trabalham ainda dois anos mais do que as mulheres — uma lacuna que persiste, mas que é significativamente menor do que a registada no início do século.
- Itália destaca-se pelo extremo oposto: as mulheres trabalham em média apenas 26,9 anos, menos de metade dos homens italianos, a maior disparidade de género na UE.
Um português que completa 15 anos pode esperar dedicar 37,6 anos da sua vida ao trabalho — quase quatro décadas inteiras. Este valor coloca Portugal no décimo lugar entre os 27 membros da União Europeia, bem acima da média europeia de 36 anos.
O indicador tem crescido de forma consistente desde o início do século: em 2002, a expectativa média de vida laboral na UE era de apenas 23 anos. Houve uma ligeira queda em 2020, ano em que a pandemia perturbou economias e rotinas, mas em 2021 os números recuperaram e Portugal acompanhou essa trajetória.
A geografia europeia do trabalho revela disparidades marcantes. A Holanda lidera com 42,5 anos, seguida pela Suécia e pela Dinamarca — os únicos três países onde a média ultrapassa os 40 anos. No extremo oposto, a Roménia, Itália e a Grécia registam as durações mais curtas, com diferenças de mais de uma década em relação aos líderes.
Dentro de Portugal, persiste uma divisão entre géneros: os homens trabalham em média 38,6 anos, as mulheres 36,6 anos. Ambos superam as médias europeias correspondentes, mas a diferença de dois anos mantém-se. Ainda assim, é uma lacuna muito menor do que a de 7,1 anos que separava homens e mulheres na UE em 2000.
Esta disparidade não é uniforme na Europa. Itália apresenta a maior diferença — 9,1 anos —, enquanto a Estónia regista apenas 0,1 anos. A Lituânia é caso único: é o único Estado-membro onde as mulheres trabalham mais do que os homens. Portugal ocupa uma posição intermédia: uma população ativa que trabalha acima da média europeia, mas onde a divisão de género, embora em contração, ainda deixa marca.
Um português que completa 15 anos pode esperar dedicar 37,6 anos da sua vida ao trabalho — quase quatro décadas inteiras passadas em atividade laboral. Este número coloca Portugal bem acima da média europeia de 36 anos, posicionando o país no décimo lugar entre os 27 membros da União Europeia quando se trata de duração esperada da vida profissional.
Este indicador tem crescido de forma consistente desde o início do século. Em 2002, a expectativa média de vida laboral na UE era de apenas 23 anos. Subiu para 35,9 anos em 2019, antes de uma ligeira queda em 2020 — o ano em que a pandemia de Covid-19 interrompeu rotinas e economias. Mas em 2021, os números recuperaram aos níveis pré-pandémicos, e Portugal acompanhou essa trajetória ascendente.
A geografia europeia do trabalho revela disparidades significativas. A Holanda lidera com 42,5 anos de vida laboral esperada, seguida pela Suécia com 42,3 anos e pela Dinamarca com 40,3 anos. Estes são os únicos três países da UE onde a duração média ultrapassa os 40 anos. No extremo oposto, a Roménia registava apenas 31,3 anos, Itália 31,6 anos e Grécia 32,9 anos — uma diferença de mais de uma década em relação aos líderes.
Mas dentro de Portugal, existe outra divisão que merece atenção: a que separa homens e mulheres. Os homens portugueses trabalham em média 38,6 anos, enquanto as mulheres trabalham 36,6 anos — uma diferença de dois anos. Ambos os valores superam as médias europeias correspondentes de 38,2 anos para homens e 33,7 anos para mulheres. Esta disparidade de género é notória, mas tem vindo a diminuir ao longo das décadas. Em 2000, os homens trabalhavam 7,1 anos mais do que as mulheres na UE. Hoje, essa lacuna encolheu significativamente.
A disparidade não é uniforme em toda a Europa. Itália apresenta a maior diferença entre géneros, com homens a trabalhar 9,1 anos mais que mulheres. Malta segue com 8,4 anos de diferença, e a Roménia com 7,6 anos. No outro extremo, a Estónia regista apenas 0,1 anos de diferença, a Letónia 0,8 anos e a Finlândia 1,1 anos. Há um caso único: a Lituânia é o único Estado-membro onde as mulheres trabalham mais do que os homens, com uma diferença de 1,3 anos a seu favor.
Os dados revelam padrões profundos sobre como o trabalho se distribui nas sociedades europeias. Países nórdicos como Suécia e Holanda, onde as mulheres trabalham 41 e 40,5 anos respetivamente, conseguem manter durações de vida laboral elevadas para ambos os géneros. Já em Itália, as mulheres trabalham apenas 26,9 anos em média — menos de metade do que os homens italianos. Portugal situa-se numa posição intermédia, com uma população ativa que trabalha mais do que a média europeia, mas com uma divisão de género que, embora em contração, ainda marca diferenças significativas.
Notable Quotes
A duração média esperada de vida de trabalho dos jovens de 15 anos na União Europeia era de 36 anos em 2021— Dados do Eurostat
A Lituânia é o único Estado-membro da UE onde as mulheres trabalham mais do que os homens, com uma diferença de 1,3 anos— Eurostat
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que é que Portugal trabalha mais do que a média europeia? Há algo específico na economia portuguesa que o explique?
Não é tanto sobre a economia ser mais exigente, mas sobre como o trabalho está estruturado. Portugal tem uma população envelhecida e uma taxa de natalidade baixa, o que significa que as pessoas em idade ativa precisam trabalhar mais anos para sustentar o sistema. Além disso, a idade de reforma é relativamente tardia comparada a alguns países.
E a diferença entre homens e mulheres — dois anos em Portugal — é considerada grande ou pequena no contexto europeu?
É pequena comparada ao que era. Em 2000 era sete anos. Mas é ainda maior do que em países como Estónia ou Finlândia, onde a diferença é quase nula. Isto sugere que Portugal ainda tem caminho a percorrer em termos de igualdade de participação laboral feminina.
As mulheres portuguesas trabalham 36,6 anos. Isso é acima ou abaixo da média europeia?
Está acima. A média europeia para mulheres é 33,7 anos. Portugal está entre os países onde as mulheres têm uma vida laboral mais longa, o que é positivo em termos de participação, mas também pode refletir pressões económicas que as obrigam a trabalhar mais anos.
A Holanda tem 42,5 anos. Como é possível trabalhar mais anos do que Portugal se Portugal já está no top 10?
A Holanda tem sistemas de bem-estar muito robustos e uma economia forte, mas também tem uma população que entra no mercado de trabalho mais cedo e sai mais tarde. Além disso, o trabalho a tempo parcial é muito comum lá, o que permite que as pessoas se mantenham ativas profissionalmente por mais tempo sem ser necessariamente a tempo inteiro.
E a Roménia, com apenas 31,3 anos — o que explica isso?
Emigração é um fator importante. Muitos romenos saem do país para trabalhar noutros lugares da Europa, o que reduz a duração média da vida laboral registada domesticamente. Também há questões de acesso ao mercado de trabalho e de estrutura demográfica.