Grande Colisor de Hádrons é desligado para maior atualização desde 2008

A máquina opera em condições tão extremas que não pode ser reformada enquanto funciona
Explicação de por que o LHC precisa ser completamente desligado para manutenção, não podendo ser reparado durante operação.

Em 29 de junho, o Grande Colisor de Hádrons foi silenciado não pelo fracasso, mas pela ambição: para que a humanidade possa continuar interrogando os fundamentos do universo, a máquina mais poderosa já construída para esse fim precisa, por ora, descansar e se reinventar. Durante quatro anos, engenheiros e cientistas transformarão o acelerador em algo ainda mais capaz, preparando-o para revelar o que o cosmos ainda esconde — matéria escura, partículas desconhecidas, fenômenos além das fronteiras do conhecimento atual. É o paradoxo produtivo da ciência: parar para poder ir mais longe.

  • O desligamento do LHC marca o início da maior intervenção técnica da história do CERN, uma parada de quatro anos que suspende temporariamente as colisões que definiram décadas de física moderna.
  • A urgência da modernização é estrutural: o acelerador opera em condições tão extremas — partículas a quase a velocidade da luz, ímãs a -271°C — que qualquer reforma exige o desligamento completo do sistema.
  • Cerca de 1,2 quilômetro de ímãs serão substituídos e novos sistemas criogênicos instalados, numa mobilização de milhares de engenheiros e técnicos ao longo de todo o complexo subterrâneo.
  • Os detectores ATLAS e CMS, responsáveis pela confirmação do bóson de Higgs, serão completamente renovados para registrar bilhões de interações por segundo com precisão sem precedentes.
  • A pesquisa não para: enquanto a máquina é reformada, cientistas continuam analisando os vastos dados já coletados, e os testes dos novos equipamentos devem começar em 2028.
  • Em 2030, o HiLumi LHC voltará com luminosidade até dez vezes maior, abrindo uma nova era de buscas por matéria escura e por fenômenos que desafiam o Modelo Padrão da física.

Na segunda-feira, 29 de junho, o Grande Colisor de Hádrons foi desligado — não por falha, mas por necessidade. Para continuar funcionando nos próximos anos, a máquina mais poderosa já construída para estudar a matéria precisava parar agora.

Operado pelo CERN em Genebra, o LHC entrou na chamada Terceira Longa Parada, a mais ambiciosa desde que o acelerador começou a funcionar em 2008. Ao longo de aproximadamente quatro anos, o equipamento será profundamente transformado. Quando retornar às operações em 2030, sob o nome HiLumi LHC, será capaz de produzir até dez vezes mais dados do que foi originalmente projetado.

A necessidade da parada é técnica e inevitável. Dentro de um túnel circular de 27 quilômetros que atravessa a fronteira entre Suíça e França, partículas viajam a velocidades próximas à da luz, guiadas por ímãs supercondutores mantidos a cerca de -271°C. Reformar esse sistema exige desligá-lo completamente. Cerca de 1,2 quilômetro de ímãs serão removidos e substituídos, e novos sistemas criogênicos e elétricos serão instalados. Os detectores ATLAS e CMS — responsáveis por grande parte das descobertas do acelerador, incluindo a confirmação do bóson de Higgs em 2012 — também receberão renovação completa.

A pesquisa científica, porém, não será interrompida. Enquanto as equipes trabalham na modernização, pesquisadores continuarão analisando a enorme quantidade de dados já coletados. Os testes dos novos equipamentos estão previstos para começar em 2028.

O objetivo central da modernização é aumentar a luminosidade do acelerador — ou seja, a quantidade de colisões produzidas. Com essa capacidade ampliada, os cientistas terão chances muito maiores de observar fenômenos raros e de responder perguntas ainda abertas na física: a natureza da matéria escura e a possível existência de partículas e processos além do Modelo Padrão. Quando o HiLumi LHC entrar em operação, abrirá caminho para uma geração inteiramente nova de descobertas sobre o universo em seu nível mais fundamental.

Na segunda-feira passada, o Grande Colisor de Hádrons — a máquina mais poderosa jamais construída para estudar a estrutura fundamental da matéria — foi desligado. Não por falha. Não por acidente. Mas porque, para que continue funcionando nos próximos anos, precisa parar agora.

O equipamento, operado pelo Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear (CERN) em Genebra, na Suíça, entrou em seu período de manutenção mais ambicioso desde que começou a funcionar em 2008. Essa parada, chamada Terceira Longa Parada, durará aproximadamente quatro anos e transformará o acelerador em uma versão significativamente mais potente. Quando voltar às operações em 2030, sob o novo nome HiLumi LHC, será capaz de produzir até dez vezes mais dados do que foi originalmente projetado para gerar.

Pode parecer estranho desligar uma máquina responsável por algumas das maiores descobertas da física moderna — incluindo a confirmação do bóson de Higgs em 2012 — justamente quando ela está produzindo resultados. Mas a realidade é que o LHC opera em condições tão extremas que não pode ser reformado enquanto funciona. Dentro de um túnel circular de 27 quilômetros que atravessa a fronteira entre Suíça e França, feixes de partículas viajam a velocidades próximas à da luz, guiados por milhares de ímãs supercondutores mantidos a aproximadamente -271°C. Para substituir componentes, instalar novos sistemas e realizar trabalhos estruturais, é necessário desligar completamente a máquina, aquecê-la gradualmente e permitir que engenheiros acessem seu interior.

Essas paradas longas não são novidade no cronograma do CERN. Desde 2008, o laboratório alterna períodos de operação com manutenção programada. A primeira parada ocorreu entre 2013 e 2015. A segunda, entre 2019 e 2022. A atual será a mais extensa até agora. Durante esses quatro anos, milhares de cientistas, engenheiros e técnicos trabalharão no complexo. Somente no acelerador principal, cerca de 1,2 quilômetro de ímãs e outros componentes serão removidos e substituídos. Novos sistemas criogênicos, linhas elétricas e tecnologias capazes de suportar um volume muito maior de colisões entre partículas serão instalados. Os dois principais detectores — ATLAS e CMS, responsáveis por grande parte das descobertas do acelerador — também receberão renovação completa, com novos sistemas de rastreamento e equipamentos mais rápidos capazes de registrar bilhões de interações por segundo com precisão sem precedentes.

Mas a parada não significa que a pesquisa científica vai parar completamente. Enquanto as equipes trabalham na modernização, pesquisadores continuarão analisando os dados coletados nos últimos anos — uma quantidade sem precedentes de informação que o acelerador forneceu durante seu funcionamento. O CERN também planeja começar o religamento gradual do complexo a partir de 2028, quando os testes dos novos equipamentos terão início.

O objetivo da modernização é aumentar a luminosidade do acelerador — uma medida que indica quantas colisões entre partículas são produzidas. Com essa capacidade ampliada, os cientistas poderão fazer medições muito mais precisas e terão chances muito maiores de observar fenômenos extremamente raros. Isso inclui a possibilidade de detectar novas partículas e processos que possam ajudar a responder perguntas fundamentais ainda sem solução na física: a natureza da matéria escura e a existência de fenômenos além do Modelo Padrão, a teoria que descreve as partículas e forças conhecidas.

Quando o HiLumi LHC retomar as operações em 2030, abrirá caminho para uma geração inteiramente nova de pesquisas em física de partículas. A máquina operará com uma capacidade muito superior à atual, potencialmente por muitos anos, transformando novamente o que é possível descobrir sobre o universo em seu nível mais fundamental.

Não é possível reformar o acelerador enquanto ele continua funcionando
— Descrição técnica do CERN sobre as limitações operacionais do LHC
A expectativa é que o período de modernização permita que a máquina opere por muitos anos com capacidade muito superior à atual
— CERN, sobre os objetivos da atualização
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que desligar o acelerador agora, quando ele está funcionando bem e produzindo descobertas?

Model

Porque ele opera em condições tão extremas que não é possível reformá-lo enquanto está ligado. Os ímãs precisam estar a -271°C, e para trocar componentes, você precisa desligar tudo, aquecer gradualmente e deixar os engenheiros entrarem. Não há como fazer isso com a máquina funcionando.

Inventor

Quanto tempo leva para fazer essa manutenção?

Model

Cerca de quatro anos. É a parada mais longa desde que o LHC começou a funcionar em 2008. Já houve duas antes — uma de dois anos entre 2013 e 2015, e outra de três anos entre 2019 e 2022. Mas essa é a maior.

Inventor

O que exatamente vai ser substituído?

Model

Aproximadamente 1,2 quilômetro de ímãs e outros componentes. Também serão instalados novos sistemas criogênicos, linhas elétricas e tecnologias para suportar muito mais colisões. Os detectores principais também receberão equipamentos completamente novos.

Inventor

E a pesquisa para completamente durante esses quatro anos?

Model

Não. Os cientistas continuam analisando os dados que foram coletados nos últimos anos — uma quantidade enorme de informação. E o CERN planeja começar a religar o complexo em 2028 para testar os novos equipamentos.

Inventor

Qual é o ganho real quando tudo estiver pronto em 2030?

Model

O acelerador produzirá até dez vezes mais dados do que foi projetado originalmente. Isso significa medições muito mais precisas e chances muito maiores de observar fenômenos raros — novas partículas, talvez respostas sobre matéria escura e coisas além do que já conhecemos.

Inventor

Então essa parada é um investimento no futuro?

Model

Exatamente. Sem ela, a máquina não conseguiria continuar produzindo resultados significativos. Com ela, abre-se caminho para uma geração inteira de novas pesquisas.

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