Não há realmente nada para um membro da tripulação fazer
No mesmo dia em que Jeff Bezos alcançou o espaço a bordo de um foguete de sua própria empresa, a FAA redefiniu silenciosamente o que significa ser astronauta — e a nova definição excluiu tanto ele quanto Richard Branson. A agência americana passou a exigir que viajantes espaciais contribuam ativamente para a segurança dos voos, e não apenas que atinjam uma altitude mínima. É uma distinção que separa o passageiro do protagonista, e que levanta questões duradouras sobre o que a humanidade escolhe celebrar quando olha para o céu.
- A FAA anunciou a mudança de critérios no exato dia do voo de Bezos, tornando a conquista bilionária imediatamente contestada.
- Tanto Bezos quanto Branson ultrapassaram os 80 km exigidos, mas voaram em naves autônomas onde não havia tarefas essenciais para a tripulação realizar.
- O próprio CEO da Blue Origin admitiu antes do lançamento que 'não há realmente nada para um membro da tripulação fazer' na espaçonave.
- As asas de astronauta que os dois bilionários exibem em seus uniformes foram criadas por suas próprias empresas — nenhum órgão oficial as concedeu.
- Uma brecha permanece: a FAA pode conceder prêmios honorários por mérito, deixando aberta uma via alternativa para o reconhecimento oficial.
Na terça-feira em que Jeff Bezos decolou rumo ao espaço pela Blue Origin, a FAA escolheu aquele mesmo momento para redefinir o que significa ser astronauta comercial. A atualização — a primeira desde 2004 — estabeleceu que não basta atingir a altitude mínima de 80 quilômetros. É preciso ser membro efetivo da tripulação e demonstrar atividades essenciais para a segurança pública durante o voo.
O problema para Bezos e para Richard Branson, que havia voado na SpaceShipTwo da Virgin Galactic duas semanas antes, é que ambos viajaram em veículos essencialmente autônomos. O CEO da Blue Origin havia admitido publicamente que não havia tarefas reais para a tripulação executar a bordo da New Shepard. Sem essas responsabilidades, nenhum dos dois pôde cumprir os novos critérios da agência.
As asas de astronauta que os bilionários ostentam em seus uniformes foram desenhadas por suas próprias empresas — não concedidas por nenhuma autoridade oficial. As originais foram entregues pela primeira vez a Alan Shepard Jr. e Virgil Grissom nos anos 1960, após o programa Mercury Seven. A FAA informou que, até aquele momento, nenhum caso estava sendo avaliado sob as novas regras.
Ainda assim, uma porta permanece entreaberta: o novo regulamento prevê a possibilidade de prêmios honorários concedidos por mérito, a critério da própria agência. Para quem almeja o reconhecimento oficial sem ter pilotado nada, esse caminho alternativo existe — mas depende inteiramente da vontade de Washington.
Na terça-feira em que Jeff Bezos decolou rumo ao espaço a bordo de um foguete da Blue Origin, a agência federal americana responsável pela aviação civil decidiu mudar as regras do jogo. A FAA, que regulamenta o setor aeronáutico nos Estados Unidos, anunciou naquele mesmo dia uma redefinição do que significa ser astronauta — e a mudança deixou claro que nem Bezos nem Richard Branson, apesar de seus voos recentes, se qualificam sob os novos critérios.
A alteração marca a primeira atualização significativa desde 2004, quando a agência lançou seu programa de formação de pilotos comerciais. Desta vez, a FAA estabeleceu que astronautas comerciais precisam fazer mais do que simplesmente alcançar uma certa altitude. Eles devem ser membros efetivos da tripulação e demonstrar, durante o voo, atividades essenciais para a segurança pública ou contribuir ativamente para a segurança humana em voos espaciais. Os critérios específicos para essas determinações ficam a cargo de oficiais da agência.
Tanto Bezos quanto Branson ultrapassaram o limite de 80 quilômetros acima da superfície terrestre — a altitude mínima exigida. Branson voou em 11 de julho a bordo da SpaceShipTwo da Virgin Galactic, em um teste antes de abrir o veículo para clientes pagantes no ano seguinte. Bezos e seus três companheiros de voo decolaram dias depois na New Shepard da Blue Origin. Mas a altitude, descobriu-se, era apenas metade da equação. O problema para ambos os bilionários é que seus veículos eram essencialmente autônomos. Bob Smith, CEO da Blue Origin, havia admitido antes do lançamento que "não há realmente nada para um membro da tripulação fazer" na espaçonave. Isso significava que nem Bezos nem seus companheiros puderam demonstrar as atividades de segurança que a FAA agora exigia.
A agência justificou as mudanças dizendo que elas aprimoram seu papel em proteger a segurança pública durante voos espaciais comerciais. Um porta-voz da FAA informou à CNN que, no momento, nenhum caso estava sendo avaliado sob os novos critérios. Aqueles que desejam direitos comerciais para voos deste tipo precisam ser nomeados formalmente — um processo que ainda não havia começado.
Não há apenas um caminho para se tornar astronauta nos Estados Unidos. Os militares e a NASA oferecem rotas alternativas. Bezos e Branson já usam asas de astronauta em seus uniformes, mas estas foram customizadas pelas suas próprias empresas, não concedidas por qualquer órgão oficial. As asas de astronauta originais foram dadas pela primeira vez a Alan Shepard Jr. e Virgil Grissom no início dos anos 1960, após sua participação no programa Mercury Seven.
Mas uma brecha permanece aberta. O novo texto da FAA menciona que prêmios honorários podem ser concedidos com base no mérito, a critério da agência. Para Bezos, Branson e qualquer futuro viajante espacial que almeje o reconhecimento oficial, essa possibilidade oferece um caminho alternativo — ainda que incerto e inteiramente dependente da vontade regulatória de Washington.
Citações Notáveis
Não há realmente nada para um membro da tripulação fazer no veículo autônomo— Bob Smith, CEO da Blue Origin
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a FAA decidiu mudar a definição de astronauta justamente quando esses voos comerciais estavam começando?
A agência estava preocupada com a segurança pública. Quando você tem veículos autônomos levando passageiros ao espaço, a FAA quis garantir que qualquer pessoa chamada de astronauta tivesse realmente contribuído para a segurança do voo, não apenas pagado uma passagem.
Mas Bezos e Branson já estavam no espaço. Por que não reconhecê-los retroativamente?
Porque eles não fizeram nada durante seus voos. Os veículos eram totalmente automatizados. Não havia tarefas de segurança para eles executarem. A FAA estava dizendo: ser astronauta significa trabalhar, não apenas viajar.
Isso parece uma forma de rebaixar esses bilionários.
Talvez, mas também é uma questão legítima de regulação. A FAA precisa definir o que o título significa oficialmente. Se qualquer pessoa que suba 80 quilômetros for chamada de astronauta, o título perde seu significado.
Então eles nunca poderão ser astronautas?
Não necessariamente. A FAA deixou aberta a possibilidade de prêmios honorários por mérito. É uma porta, ainda que estreita.
E os astronautas da NASA e dos militares? Como eles se qualificam?
Eles passam por treinamento extenso e desempenham funções críticas em suas missões. São profissionais, não passageiros. Essa é a diferença fundamental que a FAA está tentando preservar.