Não se surpreenda se em março tivermos a manutenção
BC mantém Selic em 15% ao ano e indica flexibilização monetária possível em março, mas reafirma compromisso com restrição adequada para inflação. Mercado segue volatilidade externa com bolsas de Nova York em queda; Petrobras sobe 2,84% com petróleo em alta de quatro meses.
- Ibovespa recuou 0,38% para 183.998,40 pontos após máxima de 186.449,75
- BC mantém Selic em 15% ao ano e sinaliza possível corte em março
- Petrobras sobe 2,84% com petróleo em máxima de quatro meses
- Ministro da Fazenda anuncia saída do governo em fevereiro
Ibovespa abriu em alta mas reverteu para queda de 0,38% após o Banco Central manter Selic em 15% e sinalizar possível corte em março, acompanhando cenário negativo externo.
A bolsa brasileira começou a quinta-feira em terreno positivo, mas não conseguiu sustentar o ganho. Ao meio-dia e quinze, o Ibovespa recuava 0,38%, cotado em 183.998,40 pontos, depois de ter tocado a máxima de 186.449,75 pontos na abertura. O volume financeiro movimentado chegou a R$ 10,23 bilhões. A reversão acompanhava o pessimismo que vinha dos mercados internacionais, enquanto investidores ainda digeriam a decisão do Banco Central divulgada na véspera.
O BC manteve a taxa Selic em 15% ao ano, decisão unânime de sua diretoria, mas sinalizou que pode iniciar um corte de juros em março, caso o cenário econômico se confirme. O comunicado foi cuidadoso: o banco reafirmou que manterá "a restrição adequada" para garantir que a inflação converja à meta de 3%. Essa linguagem cautelosa gerou interpretações divergentes no mercado. Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, alertou que a sinalização pode significar apenas um corte pontual e isolado, não o início de um ciclo. "Não se surpreenda se em março, por algum motivo, tivermos a manutenção", disse ele, citando como exemplo os dados do Índice Geral de Preços-Mercado divulgados na manhã de quinta, que mostraram alta de 0,41% após queda no mês anterior, pressionados tanto pelos preços ao produtor quanto ao consumidor.
No plano doméstico, havia também a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal Metrópoles, em que afirmou que "com certeza" deixará o governo em fevereiro, embora tenha ressalvado que não pode fixar uma data sem combinar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa declaração adicionou incerteza ao cenário político.
No exterior, as bolsas de Nova York operavam em queda enquanto investidores avaliavam os balanços de empresas de tecnologia e a decisão do Federal Reserve, que manteve as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Esse contexto negativo internacional pesou sobre o mercado brasileiro.
Entre as ações, a Petrobras PN (PETR4) foi destaque positivo, valorizando-se 2,84% e reduzindo as perdas do índice, acompanhando a disparada do petróleo no exterior, que atingiu máxima de quatro meses. A companhia informou que suas reservas provadas fecharam 2025 em 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente, ante 11,4 bilhões em 2024. Entre os bancos, o Banco do Brasil ON (BBAS3) subia 0,59%, enquanto Bradesco PN (BBDC4) caía 1,34%, Itaú Unibanco PN (ITUB4) recuava 0,76%, Santander Brasil Unit (SANB11) perdia 1,31% e BTG Pactual Unit (BPAC11) recuava 2,15%. A volatilidade refletia a incerteza dos investidores sobre o timing real de um possível corte de juros e o impacto da possível saída de Haddad do governo.
Citações Notáveis
Não se surpreenda se em março, por algum motivo, tivermos a manutenção dos juros— Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing
Com certeza deixarei o governo em fevereiro, mas não posso dar uma data sem combinar com o presidente— Fernando Haddad, ministro da Fazenda
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o mercado abriu em alta se havia essa incerteza toda sobre a decisão do BC?
Porque a sinalização de possível corte em março foi interpretada inicialmente como um sinal positivo — juros mais baixos estimulam investimento. Mas quando os investidores leram com mais atenção o comunicado, viram que o BC estava sendo muito cauteloso, reafirmando compromisso com a restrição monetária.
E por que a cautela do BC importa tanto?
Porque o mercado quer saber se o corte é real ou apenas uma possibilidade remota. Se a inflação não cooperar, o BC pode simplesmente não cortar. A declaração de Haddad sobre sair em fevereiro também criou ruído — ninguém sabe quem vai estar no comando da Fazenda.
A Petrobras subiu bastante. Isso compensou as perdas?
Compensou parcialmente. Petrobras subiu 2,84% porque o petróleo disparou no exterior, atingindo máxima de quatro meses. Mas os bancos, que são peso pesado no índice, caíram. Bradesco, Itaú, Santander — todos recuaram. Isso manteve o Ibovespa no vermelho.
O que os investidores estão realmente esperando agora?
Estão esperando para ver se o BC realmente corta em março ou se encontra uma desculpa para não cortar. Os dados de inflação vão ser cruciais. E também querem clareza sobre quem vai ser o novo ministro da Fazenda.
Isso significa que fevereiro vai ser tenso?
Muito tenso. Você tem a saída de Haddad, a possível nomeação de um novo ministro, e a inflação sendo monitorada de perto. Qualquer surpresa nos números pode mudar completamente o cenário.