População ucraniana é 'bucha de canhão' em guerra EUA-Rússia, diz Pepe Escobar

População ucraniana está sendo usada como 'bucha de canhão' no conflito entre Estados Unidos e Rússia, segundo análise do correspondente.
A população ucraniana está sendo usada como carne de canhão
Análise de Pepe Escobar sobre o papel dos civis no conflito entre potências globais.

No terceiro mês de conflito armado na Ucrânia, o analista geopolítico Pepe Escobar oferece uma leitura que desloca o centro moral da narrativa: não é uma guerra entre nações soberanas, mas um confronto por procuração em que Washington move as peças e os ucranianos pagam com sangue. Zelensky, nessa visão, não governa — obedece. E a estratégia americana, modelada sobre o desgaste soviético no Afeganistão, aposta na destruição prolongada como instrumento de poder.

  • A Rússia não encontra interlocutores legítimos para negociar porque Zelensky, segundo Escobar, age como extensão direta de Washington e não como líder soberano.
  • Washington estaria replicando o modelo afegão: treinar guerrilhas urbanas para transformar a Ucrânia em um pântano de guerra permanente que sangre as forças russas indefinidamente.
  • Empresas americanas de segurança privada estariam no terreno adestando combatentes que Escobar descreve como 'jihadistas nazis', revelando a opacidade das forças em campo.
  • As sanções ocidentais, longe de dobrar Moscou, podem acelerar a nacionalização de ativos estrangeiros e a substituição de Visa e Mastercard pelo sistema chinês Union Pay.
  • A busca americana por petróleo venezuelano é lida por Escobar como sintoma de desespero — prova de que o Ocidente enfrenta uma crise de recursos que não consegue resolver por conta própria.
  • A aposta de que pressões econômicas fragmentarão a coesão russa, adverte o analista, subestima uma cultura histórica de resistência forjada em séculos de isolamento e privação.

Em entrevista à TV 247, o correspondente internacional Pepe Escobar apresentou ao jornalista Leonardo Attuch uma interpretação do conflito ucraniano que inverte a narrativa dominante no Ocidente: o que se vê não é uma guerra entre dois países, mas um proxy em que a população ucraniana serve de bucha de canhão para um confronto entre Washington e Moscou.

No centro dessa análise está a figura de Zelensky. Para Escobar, o presidente ucraniano não age como líder independente, mas como instrumento subordinado aos interesses americanos — o que tornaria qualquer negociação genuína praticamente impossível, pois a Rússia não encontraria do outro lado um interlocutor com autonomia real para decidir.

A estratégia americana, conforme o analista, reproduz o modelo afegão: criar um teatro de guerra prolongada capaz de desgastar as forças russas, desta vez com guerrilhas urbanas treinadas no terreno. Escobar acrescenta que empresas privadas de segurança americanas estariam envolvidas no processo, adestando combatentes que ele caracteriza como 'jihadistas nazis'.

No campo econômico, Escobar vira a lógica das sanções: em vez de quebrar a Rússia, elas podem acelerar a nacionalização de ativos de empresas estrangeiras que abandonaram o país e abrir espaço para a substituição dos sistemas de pagamento ocidentais pelo Union Pay chinês. O recurso americano ao petróleo venezuelano, nessa leitura, é sinal de desespero — não de força.

Por fim, o analista adverte quem aposta no colapso interno russo: a história do país é uma longa escola de resistência ao isolamento e à privação, e subestimar essa capacidade, sugere, será um erro que o Ocidente pagará caro.

Pepe Escobar, correspondente internacional e analista de geopolítica, sentou-se para uma entrevista com o jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, e apresentou uma leitura sombria do conflito ucraniano: não como uma guerra entre dois países, mas como um proxy entre potências globais onde a população local paga o preço mais alto.

Segundo Escobar, a razão pela qual o combate continua sem resolução é simples — a Rússia não encontra interlocutores legítimos com quem negociar. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em sua avaliação, não funciona como um líder independente, mas como um instrumento de Washington, totalmente subordinado aos interesses americanos. Essa dinâmica, argumenta, transforma os civis ucranianos em peças descartáveis de um jogo muito maior.

O analista descreve o que chama de estratégia americana para a região: transformar a Ucrânia em um novo Afeganistão, replicando o modelo de guerra prolongada que desgastou a União Soviética décadas atrás. O plano, conforme sua análise, envolve o treinamento de grupos de guerrilha urbana para enfrentar as forças russas, criando um cenário de caos permanente. Escobar vai além, afirmando que empresas americanas de segurança privada estão envolvidas no adestramento de combatentes que descreve como "jihadistas nazis", uma caracterização que aponta para a complexidade das forças envolvidas no conflito.

Quanto às sanções econômicas impostas ao Ocidente em resposta à invasão, Escobar prevê consequências severas para os países que as implementaram. A Rússia, em sua visão, aproveitará o vácuo deixado pelas empresas que abandonaram o país em massa, nacionalizando seus ativos e consolidando o controle estatal sobre a economia. No plano financeiro, sistemas de pagamento americanos como Visa e Mastercard serão substituídos pela alternativa chinesa Union Pay. O pedido de petróleo à Venezuela, segundo ele, é sintoma do desespero imperial — uma admissão de que o Ocidente enfrenta uma crise de recursos que não consegue resolver internamente.

Mas Escobar oferece uma perspectiva que contradiz a narrativa ocidental sobre o impacto das sanções: os russos, em sua avaliação, possuem uma capacidade de resistência praticamente incomparável. Quem apostar que as pressões econômicas quebrarão a coesão interna russa, ele sugere, será profundamente decepcionado. A história russa, repleta de períodos de isolamento e privação, criou uma população e um sistema político acostumados a suportar o que outras sociedades considerariam insuportável.

O presidente ucraniano Zelensky é totalmente manipulado por Washington
— Pepe Escobar
Os russos têm uma capacidade de resistência inimaginável
— Pepe Escobar
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Quando você diz que Zelensky é manipulado por Washington, está falando de pressão direta ou de uma dinâmica mais sutil de dependência?

Model

É ambas as coisas. Zelensky não tem margem de manobra real. Depende completamente do apoio militar e financeiro americano para continuar no poder. Isso não é conspiração — é a realidade da geopolítica.

Inventor

E a população ucraniana? Como ela se torna "carne de canhão" nessa equação?

Model

Porque ninguém está negociando em nome dela. Nem Washington, nem Moscou. A guerra continua porque serve aos interesses estratégicos americanos — desgastar a Rússia, expandir a OTAN. Os ucranianos morrem enquanto isso acontece.

Inventor

Você acredita que as sanções vão realmente prejudicar a Rússia ou é blefe?

Model

As sanções vão prejudicar o Ocidente muito mais. A Rússia tem recursos, tem China como parceira, tem população acostumada a períodos de escassez. O Ocidente depende de sistemas frágeis e de um consumo que não consegue sustentar sem petróleo russo.

Inventor

Qual é o endgame aqui? Onde isso termina?

Model

Num Afeganistão ucraniano. Uma guerra de desgaste indefinida que mantém a Rússia ocupada e enfraquecida, enquanto o Ocidente lucra com armas e reconstrução. Ninguém está planejando uma vitória ucraniana real.

Inventor

E se você estiver errado? Se a Ucrânia conseguir resistir?

Model

Então a história será diferente. Mas tudo que vejo — o treinamento de guerrilhas, as empresas de segurança privada, a recusa em negociar — aponta para um conflito prolongado, não para uma resolução.

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