O gado vive em condições melhores do que essas crianças
Menores entre 1,5 e 18 anos encontrados em quarto de 3,5x3,5m cercado por dejetos, sem contato exterior há anos. Sete crianças hospitalizadas, uma em estado crítico; algumas não conseguiam falar ou escrever o próprio nome.
- Dezesseis crianças, entre 1,5 e 18 anos, encontradas em quarto de 3,5x3,5 metros
- Confinamento durou aproximadamente quatro anos
- Sete crianças hospitalizadas, uma em estado crítico
- Pais e avós presos com fiança de US$ 300 mil cada
- Crianças nunca frequentaram escola e não tinham registros médicos ou governamentais
Autoridades de Ohio resgataram 16 crianças vivendo em extrema negligência e confinamento em um único cômodo por quatro anos. Pais e avós foram presos após descoberta durante cumprimento de mandado de busca.
Na terça-feira, 30 de junho, policiais de Ohio entraram em uma casa na zona rural de Hamden com um mandado de busca. O que encontraram dentro daquelas paredes não era o que procuravam — era algo que nenhum deles esperava descobrir. Dezesseis crianças, com idades que iam de um ano e meio a dezoito anos, viviam confinadas em um único cômodo de aproximadamente 3,5 metros por 3,5 metros. O espaço estava cercado por dejetos humanos. Não havia contato com o mundo exterior. Segundo os investigadores, essa era a realidade delas há quase quatro anos.
Algumas das crianças não conseguiam falar. Uma jovem de dezoito anos, que tinha deficiência intelectual, não sabia escrever o próprio nome. Sete delas precisaram ser levadas para hospitais em Columbus — duas de helicóptero. Uma estava em estado crítico quando foi resgatada. Todas foram internadas para receber tratamento médico e ficaram sob custódia temporária dos serviços de proteção à infância.
O xerife do condado de Vinton, Ryan Cain, descreveu o que viu com palavras que refletiam o choque: o cenário era repugnante, disse ele, e o gado da região vivia em condições melhores do que aquelas crianças. O procurador-geral de Ohio, Andy Wilson, chamou a situação de incomum para o país e afirmou que os menores pareciam "quase animais selvagens" — uma descrição que capturava não apenas o estado físico deles, mas o isolamento extremo em que haviam sido mantidos.
Os responsáveis pelas crianças foram presos: os pais Gary Siders Jr. e Christina Siders, além dos avós Gary Siders Sr. e Elizabeth Siders. Todos foram acusados de colocar crianças em risco, com a acusação agravada por causar graves danos físicos. Em audiência, a fiança foi fixada em trezentos mil dólares para cada um. Até o momento da reportagem, nenhum deles havia constituído advogados.
Os investigadores descobriram que as crianças nunca frequentaram a escola. Aparentemente, ninguém fora da família sabia que existiam. A família havia evitado criar registros médicos e governamentais para os menores — um padrão que sugeria ocultação deliberada. As autoridades agora investigam se havia denúncias anteriores contra os responsáveis e como essa situação permaneceu oculta por tanto tempo.
O caso trouxe à memória outro que chocou o país anos antes: a família Turpin, na Califórnia, onde treze irmãos foram mantidos em cárcere e submetidos a anos de abuso antes de serem resgatados em 2018. Mas mesmo diante dessa comparação, o que aconteceu em Hamden representa um dos casos mais extremos de negligência infantil documentados recentemente nos Estados Unidos — dezesseis vidas que passaram quase quatro anos em um espaço do tamanho de um quarto, sem luz adequada, sem higiene, sem educação, sem futuro aparente, até o dia em que a polícia abriu aquela porta.
Citas Notables
O cenário era repugnante. Nosso gado vive em condições melhores do que essas crianças.— Ryan Cain, xerife do condado de Vinton
Os menores pareciam quase animais selvagens.— Andy Wilson, procurador-geral de Ohio
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como é possível que dezesseis crianças vivessem assim por quatro anos sem que ninguém soubesse?
A família evitava registros médicos e governamentais. As crianças não iam à escola. Não havia contato com o mundo exterior. Era um isolamento total e deliberado.
E as crianças mais velhas? Elas não tentaram sair?
Algumas não conseguiam falar. Uma jovem de dezoito anos não sabia escrever o próprio nome. Quando você cresce em confinamento extremo, sem educação, sem contato com outras pessoas, a capacidade de compreender que existe um mundo fora daquele quarto fica comprometida.
O que os investigadores estão tentando descobrir agora?
Se havia denúncias anteriores contra a família. Como essa situação passou despercebida por tanto tempo. Há sempre sinais — vizinhos, professores, médicos — mas essa família foi muito eficiente em se manter invisível.
Qual é o estado das crianças agora?
Sete foram hospitalizadas, uma em estado crítico. Todas estão recebendo cuidados médicos e sob proteção. Mas o trauma físico e psicológico de quatro anos em um quarto de 3,5 metros por 3,5 metros não desaparece rapidamente.
Isso é comparável a outros casos?
Sim, ao caso Turpin na Califórnia. Mas o que torna este caso particularmente grave é o número de crianças, a duração do confinamento e o fato de que ninguém sabia que existiam.