Conquistava confiança durante um mês antes de pedir o dinheiro
Em meio à vastidão das redes sociais, onde identidades se constroem e se dissolvem com facilidade, um homem de 35 anos ergueu por meses uma ficção cuidadosa — a de um militar norte-americano generoso e apaixonado — para extrair dinheiro de mulheres que buscavam conexão genuína. A Polícia Civil de Goiás, conduzindo a Operação Smith, desmantelou o esquema em São Paulo, prendendo o golpista e um jovem operador financeiro de 18 anos. O volume movimentado — mais de R$ 1,4 milhão em apenas seis meses — sugere que a ferida aberta por essa fraude é muito maior do que os casos já identificados.
- O golpista cultivava relacionamentos por cerca de um mês antes de pedir dinheiro, tornando a traição tanto mais dolorosa quanto mais calculada.
- Uma moradora de Águas Lindas perdeu R$ 10 mil acreditando que pagava para liberar presentes presos na alfândega — um pretexto fabricado do início ao fim.
- A movimentação de R$ 1,4 milhão em uma única conta, incompatível com qualquer renda declarada, alertou as autoridades para a escala real do esquema.
- A Operação Smith resultou em duas prisões preventivas, quatro buscas domiciliares e o bloqueio de contas bancárias de múltiplos suspeitos.
- Os dois presos aguardam audiência de custódia em São Paulo, enquanto investigadores suspeitam que dezenas de outras vítimas ainda não foram identificadas.
Por meses, um homem de 35 anos construiu nas redes sociais a identidade de um militar norte-americano — paciente, atencioso, convincente. Ele adicionava mulheres, migrava a conversa para o WhatsApp e investia cerca de um mês cultivando confiança antes de apresentar o golpe: presentes valiosos enviados ao Brasil estariam retidos na alfândega, e apenas o pagamento de uma taxa de aproximadamente R$ 10 mil os libertaria. Uma moradora de Águas Lindas, em Goiás, acreditou e perdeu exatamente essa quantia.
O esquema tinha estrutura. Um adolescente de 18 anos, também em São Paulo, atuava como operador financeiro, recebendo valores ilícitos em suas próprias contas para distanciar o dinheiro do criminoso principal. Em apenas dois meses, suas duas contas registraram movimentação de R$ 20 mil. Já o suspeito principal havia movimentado cerca de R$ 1,4 milhão em seis meses — cifra que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou como radicalmente incompatível com sua renda declarada.
A Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo Especial de Investigações Criminais da 17ª Delegacia Regional, deflagrou a Operação Smith em parceria com a polícia paulista. O resultado foram duas prisões preventivas, quatro buscas domiciliares e o sequestro de contas bancárias de vários suspeitos. Os dois presos aguardam audiência de custódia no Judiciário de São Paulo. O volume de dinheiro rastreado indica que muitas outras vítimas, espalhadas pelo país, ainda podem não ter encontrado nem nome nem justiça para o que sofreram.
Um homem de 35 anos foi preso em São Paulo acusado de aplicar um golpe sofisticado contra mulheres em todo o país. Durante meses, ele se passava por um militar norte-americano em redes sociais, conquistando a confiança de suas vítimas através de conversas prolongadas no WhatsApp antes de pedir dinheiro sob pretextos cuidadosamente construídos.
O esquema funcionava assim: após adicionar a vítima nas redes sociais e obter seu contato pessoal, o homem iniciava um relacionamento que durava cerca de um mês. Durante esse período, ele ganhava confiança suficiente para afirmar que havia comprado presentes valiosos — colares e outros bens — e os havia enviado para o Brasil. Então vinha o golpe: os presentes, dizia ele, estavam presos na alfândega e só poderiam ser liberados mediante o pagamento de uma taxa de aproximadamente dez mil reais. Uma moradora de Águas Lindas, em Goiás, caiu nessa armadilha e perdeu exatamente essa quantia.
A Polícia Civil de Goiás prendeu o suspeito no dia 20 de julho como parte da Operação Smith, conduzida pelo Grupo Especial de Investigações Criminais da 17ª Delegacia Regional em parceria com a polícia de São Paulo. A operação resultou em duas prisões preventivas, quatro buscas domiciliares e o sequestro de contas bancárias de vários suspeitos. O que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação financeira: em apenas uma de suas contas bancárias, o homem havia movimentado cerca de 1,4 milhão de reais nos últimos seis meses — uma quantia completamente incompatível com sua renda declarada, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
O esquema não operava sozinho. Um segundo suspeito, um adolescente de 18 anos também residente em São Paulo, foi preso como operador financeiro do golpe. Sua função era receber os valores ilícitos em suas contas bancárias, funcionando como intermediário entre as vítimas e o criminoso principal. Em apenas duas contas suas, houve movimentação de vinte mil reais em apenas dois meses. Os investigadores descobriram que outras vítimas também pagavam diretamente na conta do criminoso, ampliando o alcance do esquema muito além do caso de Águas Lindas.
Os dois presos aguardam audiência de custódia no Poder Judiciário do Estado de São Paulo. A operação revelou um golpe que explorava a vulnerabilidade de mulheres em plataformas digitais, usando a construção cuidadosa de relacionamentos falsos como ferramenta para ganhar confiança antes de aplicar o roubo. O volume de dinheiro movimentado sugere que muitas outras vítimas ainda podem não ter sido identificadas.
Notable Quotes
Dizia que tinha comprado presentes para as vítimas fora do país e pedia dinheiro para liberar a mercadoria na rede aeroportuária— Descrição do método do golpe pela Polícia Civil de Goiás
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como um homem consegue manter uma mentira por um mês inteiro com alguém que nunca viu?
Ele não estava apenas mentindo. Estava construindo um relacionamento. Conversas diárias, atenção, interesse genuíno aparente — tudo isso cria uma ilusão de intimidade que torna a pessoa vulnerável quando o pedido de dinheiro finalmente chega.
E por que especificamente presentes presos na alfândega? Por que essa história funciona?
Porque é plausível. Presentes internacionais realmente ficam presos em alfândegas. As pessoas sabem disso. Então quando ele diz que precisa pagar uma taxa para liberar, não soa absurdo — soa como um problema real que pode ser resolvido com dinheiro.
O adolescente de 18 anos — ele sabia que estava recebendo dinheiro roubado?
Provavelmente sabia. Sua função era específica: receber valores em contas que ele controlava. Não é um papel passivo. Ele era parte essencial da operação.
Como descobriram tudo isso?
Começou com uma vítima que denunciou. Depois a polícia rastreou as contas bancárias, viu a movimentação anormal, e isso levou a mais vítimas, mais contas, mais conexões. Uma vez que você começa a puxar o fio, o esquema todo se desmancha.
Quantas mulheres você acha que foram enganadas?
Não sabemos. Eles só nomearam uma. Mas 1,4 milhão de reais em seis meses significa muitas vítimas. Provavelmente dezenas. E muitas delas podem nem ter denunciado ainda.