Meu filho não tem direito de passar em lugar nenhum
Core encontrou vestígios de explosivos lançados por drone em prédio da comunidade Dois Irmãos, confirmando tática de guerra aérea entre facções criminosas. Polícia aponta que organizações criminosas estão bancando treinamento de integrantes na Ucrânia para aprender técnicas de combate com drones em cenários de conflito.
- Core encontrou vestígios de explosivos lançados por drone em Curicica, confirmando uso de artefatos improvisados por aeronaves remotamente pilotadas
- Facções criminosas estão bancando treinamento de integrantes na Ucrânia para aprender técnicas de combate com drones em cenários de guerra
- Criminosos fabricam granadas em impressoras 3D e as abastecem com materiais inflamáveis para lançamento por drone
- Adolescente de 15 anos foi atingido por estilhaços de granada lançada por drone em maio, sofrendo fratura exposta
Polícia Civil identificou uso de drones armados com granadas em Curicica e investiga envio de criminosos para treinamento na Ucrânia. Facções adaptam equipamentos para ataques contra rivais em diferentes regiões da cidade.
Na segunda-feira, a polícia confirmou o que moradores de Curicica já suspeitavam: um drone havia lançado uma granada contra o prédio da associação de moradores da comunidade Dois Irmãos. O esquadrão Antibomba da Coordenadoria de Recursos Especiais encontrou dois pontos distintos com vestígios de explosão compatíveis com artefatos improvisados lançados por aeronaves remotamente pilotadas. O telhado da sede foi danificado. Um local em via pública também foi atingido. Os cães farejadores ainda descobriram o que parecia ser um cemitério clandestino do tráfico local — uma cabeça humana foi encontrada.
Este não é um incidente isolado. Nos últimos meses, facções criminosas do Rio de Janeiro transformaram os drones em armas de guerra urbana. O que começou como ferramenta de vigilância para as forças de segurança — mapeamento de deslocamentos, identificação de esconderijos, planejamento de operações — virou instrumento de ataque. Criminosos adaptaram os equipamentos para lançar granadas em territórios rivais, colocando moradores comuns em risco constante. A prática se espalhou por diferentes regiões da cidade. Em Cordovil, policiais foram atacados a tiros e um drone caiu durante patrulhamento. Na disputa entre o Comando Vermelho (instalado na Muzema, Cidade de Deus e Gardênia Azul) e a milícia de Rio das Pedras, granadas são lançadas frequentemente do alto contra o território inimigo. Criminosos da Favela do Quitungo lançaram explosivos em direção ao Complexo de Israel. A escalada é constante.
O que torna a situação ainda mais preocupante é a origem do conhecimento. Segundo a Polícia Civil, facções criminosas do Rio de Janeiro estão bancando o envio de integrantes para a Ucrânia com um objetivo específico: aprender técnicas de combate com drones em cenários de guerra real. O delegado Marcos Motta, da Coordenadoria de Operações Aéreas Não Tripuladas, foi direto: "A gente percebe que hoje a atividade criminosa não consegue se desassociar do uso dos drones." Ele explicou que há dados de inteligência apontando para esse intercâmbio de conhecimento. Criminosos voltam da Ucrânia com expertise em guerra aérea e a aplicam nas ruas do Rio.
A sofisticação dos ataques também aumentou. Investigações identificaram que membros das facções passaram a fabricar parte dos explosivos em impressoras 3D. A estrutura da granada é impressa; depois, abastecem o artefato com materiais inflamáveis. É uma produção em escala, adaptável, difícil de rastrear. Uma publicação em rede social ligada a suspeitos do tráfico na Cidade de Deus mostrou a fotografia do controle de um drone logo após um explosivo ser lançado contra um ponto de Rio das Pedras — uma forma de documentar e celebrar a tática.
Os moradores pagam o preço. Em maio, um adolescente de 15 anos foi atingido por estilhaços de uma granada lançada por drone na comunidade da Caixa d'Água, em Brás de Pina. Ele sofreu fratura exposta e teve até um prego cravado na perna. A suspeita da polícia é que tenha sido confundido com um criminoso rival porque usava um casaco preto enquanto seguia para uma lanchonete. Sua mãe disse à polícia: "Meu filho com 15 anos está com fratura exposta, e tinha até prego na perna dele. Não tem direito de passar em lugar nenhum porque está sujeito a ser tratado como bandido."
As forças de segurança reconhecem que estão atrasadas. Motta afirmou que a polícia tem procurado se especializar, buscando novos conhecimentos que surgem em cenários de conflito. "A gente busca antecipar aquilo que vai surgir na ação criminosa para ter a medida a ser adotada", disse. Mas a realidade é que criminosos estão um passo à frente, importando táticas de uma guerra internacional para as favelas cariocas. A 32ª DP e a Delegacia de Homicídios continuam investigando. O que vem a seguir é incerto — mas a tendência, segundo a polícia, é de mais sofisticação, mais ataques, mais risco para quem vive nessas comunidades.
Citas Notables
A gente percebe que hoje a atividade criminosa não consegue se desassociar do uso dos drones— Delegado Marcos Motta, Coordenadoria de Operações Aéreas Não Tripuladas
Meu filho com 15 anos está com fratura exposta, e tinha até prego na perna dele. Não tem direito de passar em lugar nenhum porque está sujeito a ser tratado como bandido— Mãe de adolescente atingido por drone em Brás de Pina
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como a polícia conseguiu confirmar que foi realmente um drone que lançou a granada em Curicica?
O esquadrão Antibomba fez uma varredura técnica no prédio e encontrou dois pontos com vestígios de explosão. As características desses vestígios eram compatíveis especificamente com artefatos lançados por aeronaves remotamente pilotadas — não era uma bomba tradicional.
E essa história de criminosos treinando na Ucrânia — como a polícia sabe disso?
Há dados de inteligência. O delegado Marcos Motta foi bem claro: facções estão bancando a remessa de integrantes para a Ucrânia para aprender técnicas de combate com drones em cenários de guerra. Eles voltam e aplicam isso aqui.
Mas por que a Ucrânia especificamente? Não seria mais fácil treinar localmente?
A Ucrânia é um laboratório vivo de guerra de drones. Não é teoria — é prática em tempo real. Criminosos que vão para lá aprendem com quem está fazendo isso em escala contra um exército. É conhecimento que não se consegue em lugar nenhum mais.
E essas granadas feitas em impressora 3D — como funciona?
Eles imprimem a estrutura em 3D e depois abastecem com materiais inflamáveis. É escalável, é difícil de rastrear, é barato. É a industrialização da violência.
O adolescente que foi atingido em maio — ele estava envolvido com tráfico?
Não. Ele estava indo para uma lanchonete. Usava um casaco preto. A polícia suspeita que foi confundido com um criminoso rival. Fratura exposta, prego na perna. Sua mãe disse que ele não tem direito de passar em lugar nenhum porque está sujeito a ser tratado como bandido.
E a polícia consegue acompanhar essa evolução?
Eles estão tentando. Motta disse que buscam se especializar, aprender com cenários de conflito internacional para antecipar o que vem. Mas a verdade é que criminosos estão um passo à frente.