Tem um valor histórico incomensurável
Vinte e quatro anos após a morte de Renato Russo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro devolveu ao seu filho e herdeiro Giuliano Manfredini um acervo de 91 fitas com gravações inéditas — material que permaneceu retido em depósito de gravadora por décadas, fora do alcance de quem tinha direito a ele. A operação, batizada Tempo Perdido, é um lembrete de que a herança de um artista não é apenas simbólica: ela tem donos, tem disputas e, às vezes, precisa ser resgatada pela força da lei. O que estava guardado em silêncio em Cordovil pode agora, finalmente, encontrar o caminho de volta ao mundo.
- Por mais de vinte anos, gravações inéditas de um dos maiores compositores brasileiros estiveram presas em um depósito de gravadora, inacessíveis à própria família do artista.
- A descoberta de pelo menos 30 arquivos de áudio nunca divulgados — incluindo uma versão reggae de Faroeste Caboclo e uma música completamente desconhecida chamada Helicóptero — contradiz diretamente as negações feitas por produtores musicais meses antes.
- A operação Tempo Perdido, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial, foi o resultado de uma investigação iniciada em 2018 após denúncia do próprio Giuliano Manfredini.
- Giuliano se emocionou ao ver o acervo pela primeira vez e declarou publicamente que os fãs precisam saber que esse material existe — e ter acesso a ele.
- A defesa do produtor Marcelo Fróes e a gravadora Universal permanecem em silêncio, enquanto o destino das gravações recuperadas ainda é incerto.
Na tarde de 9 de dezembro, policiais civis do Rio de Janeiro entraram em um depósito de gravadora no bairro de Cordovil e retiraram 91 fitas com material inédito de Renato Russo. O acervo estava ali há anos — catalogado, mas inacessível ao filho e herdeiro do cantor, Giuliano Manfredini. Naquele mesmo dia, Giuliano prestou depoimento e finalmente teve contato com o que lhe pertencia por direito.
A operação, chamada Tempo Perdido, foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial e era fruto de uma investigação iniciada em 2018, quando Giuliano formalizou uma denúncia. A origem do problema remonta ao ano 2000, quando o avô de Giuliano contratou o produtor Marcelo Fróes para inventariar a obra do cantor. Fróes nunca entregou os resultados à família. Em 2001, assinou um contrato com a EMI Music e repassou todo o material encontrado à gravadora, que mais tarde seria adquirida pela Universal.
O que a polícia encontrou no depósito surpreendeu: pelo menos 30 arquivos de áudio inéditos, entre eles versões alternativas de clássicos, trechos de composições e uma música nunca lançada chamada Helicóptero. Havia ainda uma versão reggae de Faroeste Caboclo — gravações que contradizem diretamente as declarações de produtores que, em outubro, negaram a existência de material inédito.
Ao ver o acervo pela primeira vez, Giuliano se emocionou. Em entrevista ao Jornal Nacional, ele foi claro: aquelas fitas não são apenas gravações, são um registro histórico de valor incomensurável, e os fãs de Renato Russo merecem saber que esse material existe. A defesa de Fróes e a Universal não se pronunciaram. O que acontece agora com esse tesouro recuperado ainda está por ser definido.
Na quarta-feira 9 de dezembro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro entrou em um depósito de gravadora em Cordovil, na Zona Norte, e retirou 91 fitas contendo material inédito do cantor Renato Russo. O acervo havia permanecido ali durante anos, catalogado mas inacessível ao seu legítimo proprietário. Aquela tarde, Giuliano Manfredini, filho e herdeiro do compositor que morreu aos 36 anos em 1996, prestou depoimento na delegacia e finalmente teve acesso ao que lhe pertencia.
A operação, batizada Tempo Perdido, era um desdobramento de investigações anteriores e havia sido coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial. Seu objetivo era simples: localizar e devolver ao verdadeiro dono o material que havia desaparecido do domínio da família. O delegado Maurício Demétrio explicou a situação com clareza: ninguém sabia mais qual havia sido a intenção original, se é que havia uma. O que importava agora era que esse acervo estava fora das mãos de quem tinha direito a ele.
A história do desaparecimento começou em 2000, quando o pai de Renato Russo contratou o produtor musical Marcelo Fróes para fazer um inventário completo de tudo que o cantor havia produzido. Fróes nunca apresentou os resultados à família. Um ano depois, em 2001, ele assinou um contrato similar com a gravadora EMI Music e entregou todo o material que havia encontrado. A EMI foi posteriormente comprada pela Universal. A investigação que finalmente recuperaria esse acervo só começaria em 2018, quando Giuliano Manfredini, detentor dos direitos autorais de parte da obra do pai, fez uma denúncia.
O que a polícia encontrou no depósito era um tesouro musical praticamente intacto. Havia pelo menos 30 arquivos de áudio nunca antes divulgados: trechos de composições, versões alternativas de clássicos, interpretações que ninguém havia ouvido. Entre elas, uma versão reggae de Faroeste Caboclo e uma música completamente inédita chamada Helicóptero. Quando Giuliano viu o acervo pela primeira vez, emocionou-se. Ao falar para o Jornal Nacional, ele deixou claro o que aquilo significava: não era apenas uma coleção de gravações, mas um registro histórico de valor incomensurável. Os fãs e admiradores do artista, disse ele, precisavam saber que isso existia e precisavam ter acesso a isso.
Em outubro, produtores musicais que haviam trabalhado com Renato Russo haviam negado que houvesse material inédito entre os itens mencionados em um relatório encontrado durante as operações anteriores. A descoberta das 91 fitas contradisse essas afirmações. A defesa de Marcelo Fróes e a gravadora Universal não fizeram comentários sobre a apreensão. O que restava agora era saber o que Giuliano Manfredini faria com esse material recuperado e quando os fãs do artista finalmente teriam acesso a essas gravações que estiveram desaparecidas por mais de duas décadas.
Notable Quotes
Esse material estava fora do domínio do verdadeiro dono, que é o senhor Giuliano Manfredini, herdeiro do Renato Russo— Delegado Maurício Demétrio
Tem um valor histórico incomensurável, e acho que os fãs precisam saber disso, os admiradores precisam saber, eles precisam ter acesso a isso— Giuliano Manfredini
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que 91 fitas de um artista importante simplesmente desaparecem por vinte anos?
Não desapareceram exatamente. Estavam catalogadas, guardadas, mas fora do alcance de quem tinha direito legal a elas. Um produtor foi contratado para inventariar tudo, depois repassou para uma gravadora, que foi comprada por outra. Em algum ponto da corrente, a família perdeu o controle.
E ninguém questionou isso antes de 2018?
Questionaram, sim. Produtores que trabalharam com Renato negaram que houvesse material inédito. Mas a polícia encontrou 91 fitas. Às vezes a verdade está guardada em um depósito esperando alguém ir procurar.
O que tem nessas fitas que é tão importante?
Trinta arquivos de áudio nunca ouvidos. Versões de clássicos que ninguém conhece. Uma música que nunca foi lançada. Para um fã, é como descobrir que seu artista favorito deixou um quarto inteiro de trabalho que você nunca soube que existia.
Giuliano se emocionou ao ver tudo isso?
Sim. Porque não era só sobre ter acesso a gravações. Era sobre recuperar a história do pai, aquela parte que havia sido perdida ou escondida. E sobre poder compartilhar isso com as pessoas que amam a obra de Renato.
O que acontece agora com as fitas?
Isso ainda está em aberto. Giuliano tem os direitos. A polícia fez seu trabalho. Agora depende dele decidir o que fazer com esse tesouro que recuperou.