Poderosa tempestade solar coloca mundo em alerta; aurora boreal pode se estender além do esperado

A aurora boreal poderia se estender muito além do esperado
Uma tempestade solar de grau 4 se aproximava, com potencial para levar o fenômeno a latitudes incomuns.

Uma vez a cada muitos anos, o Sol lembra à Terra que ambos compartilham um destino comum: na noite desta segunda-feira, uma ejeção de massa coronal — plasma e campos magnéticos arremessados do astro-rei — aproxima-se do campo magnético terrestre com intensidade raramente vista nas últimas duas décadas. O Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA emitiu alerta geomagnético de grau 4, o segundo mais severo possível, antecipando perturbações em comunicações, navegação e redes elétricas ao redor do globo. Para alguns, o evento se revelará como aurora boreal em latitudes inesperadas; para todos, será sentido de formas invisíveis mas concretas.

  • Uma das maiores tempestades solares em vinte anos está a horas de colidir com a magnetosfera terrestre, com alerta geomagnético no nível 4 de 5 — severo.
  • Comunicações de rádio HF, sistemas GPS e redes de transmissão elétrica em escala global estão sob risco direto de interrupção ou degradação.
  • A aurora boreal pode se expandir dramaticamente para sul, tornando-se visível em partes dos Estados Unidos, Europa e Ásia onde raramente aparece.
  • Autoridades e operadores de infraestrutura crítica monitoram o momento exato do impacto do núcleo da ejeção coronal, previsto para esta noite.
  • No Brasil, apesar da magnitude do evento, o céu permanecerá sem aurora — as baixas latitudes do país ficam fora do alcance do fenômeno mesmo em tempestades severas.

Na noite de segunda-feira, uma das maiores tempestades solares dos últimos vinte anos se aproximava da Terra. No centro do fenômeno, uma ejeção de massa coronal — explosão de plasma e campos magnéticos lançada pelo Sol — viajava em direção ao campo magnético terrestre. O Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA havia emitido alerta de grau 4 em uma escala de 5, classificando o evento como severo. O pico de intensidade estava previsto para aquela mesma noite.

A aurora boreal funciona quando partículas carregadas do Sol colidem com a magnetosfera, acelerando elétrons em direção aos polos. Esses elétrons percorrem as linhas do campo magnético até a alta atmosfera, onde colidem com átomos de oxigênio e nitrogênio. Ao retornarem a estados de menor energia, esses átomos liberam luz — o brilho verde, vermelho ou roxo que dança no céu noturno polar. Em tempestades intensas, esse espetáculo se estende muito além das regiões árticas, alcançando os Estados Unidos, a Europa e partes da Ásia.

Mas o impacto ia além do visual. Comunicações de rádio HF, navegação por GPS e GNSS e redes de transmissão elétrica estão diretamente vulneráveis à atividade geomagnética. Correntes induzidas no solo durante tempestades solares podem comprometer infraestruturas de energia em larga escala — tecnologias das quais bilhões de pessoas dependem sem perceber.

No Brasil, o céu noturno permaneceria inalterado. As baixas latitudes do país colocam-no fora do alcance da aurora, mesmo durante eventos severos. A tempestade seria sentida aqui de outras formas — invisíveis, técnicas, silenciosas. Para o restante do mundo, porém, a noite de segunda-feira marcaria um encontro raro e dramático entre o espaço e a Terra: uma explosão solar, após viajar milhões de quilômetros pelo vácuo, prestes a reescrever, por algumas horas, as regras do céu.

Na noite de segunda-feira, uma das maiores tempestades solares dos últimos vinte anos se aproximava da Terra. No centro dela, uma ejeção de massa coronal — uma explosão de plasma e campos magnéticos lançados do Sol — viajava em nossa direção. Se o impacto fosse forte o suficiente, o fenômeno da aurora boreal não se limitaria às regiões árticas onde normalmente ocorre. Poderia se estender muito mais ao sul do que qualquer um esperava.

O Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA havia emitido um alerta de grau 4 em uma escala que vai até 5 — severo, portanto. O corpo principal da ejeção de massa coronal deveria atingir o campo magnético terrestre naquela noite, momento em que a intensidade do fenômeno alcançaria seu pico. Os mapas de previsão mostravam óvalos verdes centrados no polo magnético, que ficariam vermelhos onde a aurora seria mais intensa.

Para entender o que estava acontecendo, é preciso saber como a aurora boreal funciona. Quando partículas carregadas do Sol colidem com a magnetosfera terrestre, elétrons são acelerados em direção aos polos. Esses elétrons viajam ao longo das linhas do campo magnético até as regiões polares, onde colidem com átomos e moléculas de oxigênio e nitrogênio na alta atmosfera. Nessas colisões, transferem sua energia. Os átomos e moléculas, ao retornarem a estados de energia mais baixos, liberam essa energia na forma de luz — aquele brilho verde, vermelho ou roxo que dança no céu noturno.

Em condições normais, a aurora é visível apenas em latitudes altas, próximas aos polos. Mas durante tempestades geomagnéticas intensas, o fenômeno se estende em direção ao equador. Em eventos particularmente poderosos, pessoas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia conseguem observá-lo. Para muitos, é a única oportunidade de vivenciar o clima espacial de forma direta — um espetáculo que justifica uma viagem às regiões árticas.

O impacto dessa tempestade, porém, ia muito além do visual. A aurora boreal é um indicador das condições do clima espacial, e essas condições afetam tecnologias que bilhões de pessoas dependem diariamente. Comunicações de rádio HF, navegação por satélite GPS e GNSS, e a transmissão de energia elétrica — tudo isso está intimamente ligado à atividade geomagnética. Correntes induzidas no solo durante tempestades solares podem prejudicar redes de energia em larga escala.

No Brasil, porém, não haveria aurora visível. O país está localizado em baixas latitudes, longe das regiões polares onde o fenômeno ocorre. Mesmo durante uma tempestade severa, o céu noturno brasileiro permaneceria como sempre. A aurora boreal poderia ser observada logo após o pôr do sol ou pouco antes do nascer do sol em regiões do Hemisfério Norte — nunca durante o dia — mas não aqui.

A noite de segunda-feira marcaria um momento em que o espaço e a Terra se encontravam de forma particularmente dramática. Uma explosão solar, viajando milhões de quilômetros pelo vácuo, estava prestes a interagir com o campo magnético do planeta. O resultado seria um dos maiores eventos de clima espacial em duas décadas, visível para alguns, sentido por todos.

A aurora boreal é um indicador das condições atuais de tempestades geomagnéticas e fornece informações situacionais para diversas tecnologias
— Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC) da NOAA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que essa tempestade solar é tão diferente das outras? O que a torna tão perigosa?

Model

Não é tanto perigosa quanto rara e poderosa. É a maior em vinte anos. A ejeção de massa coronal é enorme, e se bater de frente com nosso campo magnético, a energia liberada será imensa. É por isso que o alerta é grau 4, não grau 2.

Inventor

E a aurora boreal — por que ela se estende? Não deveria ficar sempre nos polos?

Model

A aurora é como um sintoma. Quando a tempestade é fraca, o sintoma fica localizado. Quando é forte, se espalha. Elétrons acelerados chegam a latitudes mais baixas. Pessoas na Europa ou nos EUA podem ver o céu verde naquela noite.

Inventor

Mas se é tão bonito, por que você mencionou que afeta GPS e energia elétrica? Qual é o lado perigoso?

Model

O lado perigoso é invisível. A mesma atividade que cria a aurora — correntes elétricas no campo magnético — induz correntes no solo. Essas correntes podem danificar transformadores, derrubar redes de energia. Comunicações de rádio ficam perturbadas. É um fenômeno bonito que pode ter consequências práticas sérias.

Inventor

Por que o Brasil não vê a aurora?

Model

Latitude. O Brasil está perto do equador. A aurora só ocorre perto dos polos, onde as linhas do campo magnético convergem. Mesmo em uma tempestade severa, a aurora não chega aqui. É uma questão de geometria do planeta.

Inventor

Então essa tempestade — ela já chegou, ou ainda está vindo?

Model

Estava chegando naquela noite de segunda-feira. O corpo principal da ejeção de massa coronal deveria atingir o campo magnético terrestre durante a noite. Era o momento de pico, quando tudo aconteceria.

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