Ameaçado com arma, vítima viu celulares serem levados em fuga que terminou em queda
Nas proximidades de uma estação de metrô na zona norte de São Paulo, um policial militar foi detido sob acusação de roubar dois celulares avaliados em R$ 14 mil, após uma transação combinada pelas redes sociais se transformar, segundo a vítima, em assalto à mão armada. O episódio coloca em tensão dois pilares fundamentais da vida coletiva: a confiança depositada em quem porta a autoridade do Estado e a fragilidade de quem busca apenas concluir um negócio cotidiano. Enquanto versões opostas disputam a verdade dos fatos, a Corregedoria da Polícia Militar assume o papel de árbitro de uma história que ainda não encontrou seu desfecho.
- Uma venda simples de celulares pela internet virou assalto à mão armada quando o suposto comprador sacou a arma e ameaçou matar a vítima perto da estação Tucuruvi.
- O policial fugiu de moto com os dois aparelhos, mas caiu durante a fuga e foi imobilizado pela própria vítima e por populares que presenciavam a cena.
- A arma do PM foi retirada durante o confronto e descartada em um bueiro, complicando ainda mais a cadeia de evidências do caso.
- O acusado apresentou versão radicalmente oposta: afirma ter sido abordado num semáforo, derrubado da moto e agredido por populares, sem mencionar os celulares.
- A Corregedoria da Polícia Militar foi acionada e conduz a investigação para determinar qual das duas narrativas corresponde ao que de fato ocorreu naquela manhã.
Na manhã de 23 de junho, um jovem foi até as proximidades da estação Tucuruvi, na zona norte de São Paulo, para entregar dois celulares avaliados em R$ 14 mil a uma compradora que havia negociado com ele pela internet. A mulher não apareceu, mas avisou que enviaria outra pessoa. Acompanhado de um amigo, o rapaz mostrou os aparelhos ao homem que chegou ao ponto de encontro — um policial militar.
O que deveria ser uma transação rotineira tomou outro rumo. O PM sacou a arma, ameaçou matar o jovem e ordenou que ele e o amigo se retirassem. Em seguida, fugiu de motocicleta com os dois celulares. A fuga, porém, foi interrompida quando o policial caiu da moto. Vítimas e populares que acompanhavam a cena conseguiram contê-lo. Durante o confronto, a arma foi retirada do PM e jogada em um bueiro.
O caso foi registrado no 73º Departamento Policial, no Jaçanã, e a Corregedoria da Polícia Militar foi imediatamente acionada. Em depoimento, o PM apresentou uma versão completamente diferente: disse que foi abordado por dois homens em um semáforo, caiu ao tentar escapar e teve a arma tomada, sendo depois agredido por populares. Nenhuma menção aos celulares.
Duas narrativas irreconciliáveis agora aguardam o veredicto da investigação. De um lado, a acusação de assalto à mão armada com ameaça de morte. Do outro, a alegação de vítima de agressão. A Corregedoria trabalha para reconstruir o que aconteceu naquela manhã próxima ao metrô.
Um policial militar foi detido na zona norte de São Paulo acusado de assaltar um homem e roubar dois celulares avaliados juntos em R$ 14 mil. O crime teria ocorrido na manhã de terça-feira, 23 de junho, nas proximidades da estação Tucuruvi do metrô.
Segundo o relato registrado em boletim de ocorrência, a vítima havia marcado um encontro naquele local para entregar os dois aparelhos a uma mulher com quem havia negociado pela internet. A compradora não apareceu, mas avisou que mandaria outra pessoa buscar os celulares. O rapaz foi ao ponto de encontro acompanhado por um amigo. Lá, mostrou os aparelhos ao policial que estava na região. Foi nesse momento que tudo mudou de rumo.
O PM sacou a arma e ameaçou matar o jovem, ordenando que ele e seu companheiro saíssem do local. Depois fugiu em uma motocicleta levando os dois celulares. Mas a fuga não correu como planejado. O policial caiu da moto pouco depois. As vítimas, com ajuda de outras pessoas que presenciavam a cena, conseguiram contê-lo. Durante o confronto, a arma foi retirada do PM e jogada dentro de um bueiro.
O caso foi encaminhado ao 73º Departamento Policial, na região do Jaçanã, também na zona norte. A Secretaria de Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Militar foi acionada e acompanha a investigação. Em depoimento, o policial apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele afirmou que estava dirigindo a motocicleta quando foi abordado por duas pessoas em um semáforo e caiu ao tentar escapar. Segundo sua versão, os dois indivíduos retiraram sua arma e ele foi agredido por populares que estavam no local.
As duas narrativas divergem completamente. De um lado, a acusação de assalto à mão armada com ameaça de morte. Do outro, a alegação de defesa pessoal contra agressores. A Corregedoria agora trabalha para esclarecer exatamente o que aconteceu naquela manhã perto da estação de metrô.
Notable Quotes
O PM afirmou que dirigia uma moto quando foi abordado por duas pessoas em um semáforo e caiu ao tentar fugir, alegando ter sido agredido por populares— Versão do policial militar em depoimento
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que um policial acaba em uma situação dessas, roubando celulares em plena luz do dia?
A gente não sabe ainda. Ele diz que foi abordado e agredido. Mas a vítima diz que mostrou os celulares e foi ameaçado com arma. São duas histórias que não se tocam.
E a arma? Como ela foi parar dentro de um bueiro?
Segundo o boletim, durante a contenção do PM — depois que ele caiu da moto — as vítimas e outras pessoas que estavam lá conseguiram tirar a arma dele e jogaram no bueiro. Isso é um detalhe que importa muito para entender o que realmente aconteceu.
Qual é o risco aqui? Além do óbvio de um policial cometendo crime?
É a credibilidade. Se um PM pode assaltar alguém à mão armada, a confiança na instituição fica abalada. Por isso a Corregedoria está investigando. Mas também há o risco de uma acusação injusta se a versão dele for verdadeira.
E a vítima? Como fica depois de ser ameaçado de morte?
Ele sofreu lesões aparentes e teve dois celulares roubados — R$ 14 mil em perdas. Mas o maior dano é psicológico. Ser ameaçado de morte por quem deveria proteger deixa marcas que dinheiro não repara.