Hoje nós não temos espaço físico para falar de uma nova marca
No município de Horizonte, na região metropolitana de Fortaleza, uma planta automotiva chegou ao seu limite físico precisamente no momento em que se tornava mais promissora. A chegada da MG Motor, com R$ 400 milhões em investimentos e dois modelos elétricos previstos para outubro, consolida o Ceará como um polo automotivo emergente — mas revela também que crescer exige mais do que fábricas: exige toda uma cadeia produtiva disposta a se instalar ao redor. O futuro do hub cearense depende agora de negociações silenciosas e de fornecedores que ainda não chegaram.
- A Planta Automotiva do Ceará esgotou sua capacidade física em pleno momento de expansão, sem espaço para receber novas marcas.
- A MG Motor trará dois elétricos inéditos na América do Sul — o MG4 Urban e o MG5 — e promete 600 empregos diretos a partir de outubro.
- A produção já triplicou em relação à era Troller, superando 2,5 mil veículos de nova tecnologia, mas o crescimento físico está travado.
- Uma área de 400 mil m² aguarda expansão com projeto pronto, mas sem prazo — tudo depende da chegada de sistemistas e fornecedores de componentes.
- O governador Elmano de Freitas assumiu publicamente o desafio de atrair a cadeia produtiva, enquanto negociações estratégicas correm em sigilo.
A Planta Automotiva do Ceará, em Horizonte, chegou ao seu limite. Os galpões estão ocupados, as linhas produtivas funcionam no teto da capacidade, e o modelo multimarca — que reúne diferentes fabricantes sob o mesmo teto — não tem mais margem para crescer sem uma expansão física.
Em outubro, a MG Motor, marca britânica controlada pelo grupo chinês SAIC, começará a montar seus primeiros veículos na América do Sul nessa planta. Serão dois elétricos: o hatch MG4 Urban, com preço estimado em R$ 129.990, e o SUV MG5. O investimento é de R$ 400 milhões em parceria com a Comexport, gestora da Pace, e deve gerar cerca de 600 empregos diretos na região metropolitana de Fortaleza.
Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Pace, foi claro no evento de apresentação: não há espaço para uma nova marca. A unidade já ultrapassou 2,5 mil veículos de tecnologia moderna produzidos até junho — mais que o dobro dos 1,2 mil veículos anuais da era Troller. O salto é expressivo, mas o teto físico chegou antes do esperado.
Uma área adjacente de 400 mil metros quadrados já tem projeto de ampliação desenhado. O problema é que não há prazo. A expansão só se justifica economicamente com a chegada de sistemistas — empresas fornecedoras de peças que formam a espinha dorsal da cadeia automotiva. Sem elas, construir mais galpões não faz sentido.
O governador Elmano de Freitas reconheceu esse como o próximo grande desafio do estado, alinhado ao programa federal Mover, que busca nacionalizar insumos automotivos. Negociações sobre áreas e possíveis desapropriações já ocorrem com a Comexport, mas em sigilo — condição exigida pelas empresas para que os diálogos avancem. O que vem depois depende de movimentos que ainda se constroem nos bastidores.
A Planta Automotiva do Ceará, instalada em Horizonte na região metropolitana de Fortaleza, chegou ao ponto de saturação. Seus galpões estão cheios. Suas linhas funcionam no limite. A consolidação do modelo multimarca — a estratégia de abrigar mais de um fabricante sob o mesmo teto — e a chegada da MG Motor transformaram a unidade em um espaço sem folga para crescimento.
Em outubro deste ano, a MG Motor, marca britânica controlada pelo grupo chinês SAIC Motor, começará a montar seus dois primeiros modelos na América do Sul nesta mesma planta. Serão dois veículos totalmente elétricos: o MG4 Urban, um hatch compacto com preço estimado em R$ 129.990, e o MG5, um SUV de maior porte. O investimento anunciado é de R$ 400 milhões, em parceria com a Comexport, a empresa que administra a Pace. A operação deve criar cerca de 600 novos postos de trabalho diretos na região.
Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Pace, foi direto ao ponto durante o evento de apresentação dos novos modelos: não há mais espaço físico. "Hoje nós não temos espaço físico para falar de uma nova marca. Temos desafios físicos de expansão para o adensamento da cadeia produtiva. Esse é o nosso foco atual." O executivo apontou que a planta já ultrapassou a marca de 2,5 mil veículos de tecnologia moderna produzidos até junho — um salto considerável em relação aos 1,2 mil veículos de tecnologia anterior que a unidade fabricava anualmente quando ainda era a planta da Troller.
A solução existe no papel. Uma área adjacente de 400 mil metros quadrados já tem projeto pronto para ampliação. Mas não há prazo definido para o início das obras. Tudo depende de um movimento que ainda não aconteceu: a chegada de sistemistas, as empresas fornecedoras de peças e componentes que formam a cadeia automotiva. Sem elas, não há justificativa econômica para expandir.
O governador Elmano de Freitas colocou essa atração de fornecedores como o próximo grande desafio do estado, alinhado ao programa federal Mover, que busca nacionalizar a produção de insumos automotivos. "Nós temos agora um desafio grande que é atrair as empresas que produzem as peças dos carros para também serem produzidas no Brasil e, possivelmente, produzidas no estado do Ceará." O estado já discute com a Comexport quais áreas serão necessárias e quais propriedades podem precisar ser desapropriadas para instalar os fornecedores próximos à montadora, otimizando a logística. Elmano ressalvou que essas negociações precisam ser mantidas sob sigilo contratual — um padrão que as empresas sempre exigem — para que os diálogos avancem com mais efetividade.
A MG Motor, por enquanto, mantém o foco no mercado brasileiro. Quando questionados sobre a possibilidade de exportar veículos produzidos no Ceará para outros países, os executivos da marca deixaram claro que essa não é a prioridade neste momento inicial. O lançamento oficial do MG4 Urban no Brasil está marcado para julho, e a produção local começará três meses depois. O que vem a seguir — se a planta conseguirá expandir, se os fornecedores virão, se o hub automotivo cearense se consolidará como um polo de fato — depende de movimentos que ainda estão sendo negociados nos bastidores.
Citações Notáveis
Temos desafios físicos de expansão para o adensamento da cadeia produtiva. Esse é o nosso foco atual.— Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Pace
Nós temos agora um desafio grande que é atrair as empresas que produzem as peças dos carros para também serem produzidas no Brasil e, possivelmente, produzidas no estado do Ceará.— Elmano de Freitas, governador do Ceará
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a planta chegou ao limite agora, especificamente? Não era previsível?
Era previsível, mas o timing foi acelerado. A General Motors aumentou a produção de veículos de nova tecnologia para 2,5 mil unidades — mais que o dobro do que a planta produzia antes. Quando você adiciona a MG Motor a isso, não há mais espaço.
E essa área de 400 mil metros quadrados adjacente — por que não começam a expansão já?
Porque não faz sentido econômico expandir uma fábrica se não há fornecedores locais. Você precisa de sistemistas instaladas perto para justificar o investimento. Caso contrário, você está construindo capacidade que ninguém vai usar.
Então o estado está apostando que essas empresas virão?
Está apostando e negociando. O governador e a Comexport estão em conversas ativas. Mas essas negociações são sigilosas — as empresas exigem discrição. É por isso que não há prazos públicos.
A MG Motor não poderia exportar daqui para outros países?
Poderia, mas não é o plano agora. Os executivos foram claros: o foco é o mercado brasileiro. Talvez depois, quando a operação estiver consolidada.
Então o que muda se os fornecedores chegarem?
Tudo. Se sistemistas se instalam no Ceará, a cadeia produtiva fica mais densa, os custos logísticos caem, a região se torna mais atrativa para novos fabricantes. É quando você deixa de ter uma fábrica isolada e passa a ter um polo automotivo de verdade.
E se não chegarem?
A planta continua funcionando, mas sem crescimento. Você fica preso à capacidade que tem — 400 mil metros quadrados de potencial não realizado.