Açores levam projetos escolares à Expo 2025 de Osaka com tema de sustentabilidade

É preciso uma freguesia toda para educar uma criança
Lema do Plano Nacional das Artes desde a sua criação em 2019, refletindo a visão sistémica do programa.

Num gesto que atravessa oceanos, cinco escolas açorianas levaram a voz das suas crianças até à Expo 2025 de Osaka, integrando um filme coletivo exibido no Pavilhão de Portugal. O projeto, enquadrado no Plano Nacional das Artes, não é apenas uma presença simbólica num evento global: é o reflexo de uma convicção de que a arte e a cultura são caminhos essenciais para formar cidadãos inteiros. Entre vulcões e tradições partilhadas, os Açores e o Japão descobriram-se mais próximos do que a distância sugere.

  • Sessenta e duas escolas portuguesas uniram-se num único filme para chegar a um dos maiores palcos mundiais de inovação — e os Açores estiveram lá.
  • A ausência de financiamento estável ameaça a continuidade dos artistas residentes nas escolas, a medida mais transformadora do programa.
  • O Plano Nacional das Artes tenta quebrar os silos entre educação, cultura e saúde, mas depende ainda demasiado do apoio das autarquias locais.
  • A EBI da Horta venceu um prémio nacional ao transformar os recreios em espaços criativos — provando que pequenas ilhas podem gerar grandes mudanças.
  • O programa estende-se até 2029, com quase toda a rede escolar açoriana já envolvida, e o filme de Osaka continuará a circular, ampliando a mensagem além da Expo.

Cinco escolas dos Açores — EBI da Horta, EBI da Maia, EBS das Lajes do Pico, EBS de Santa Maria e EBS das Flores — fizeram-se representar na Expo 2025 de Osaka através do filme "De Portugal para Osaka: uma travessia de mensagens", exibido no Pavilhão de Portugal. A iniciativa reuniu sessenta e duas escolas nacionais e nasceu de um desafio lançado pela Comissária-Geral do Pavilhão, Joana Cardoso, que convidou as escolas a explorar temas de sustentabilidade, identidade cultural e inovação com ligação ao Japão. O pavilhão, desenhado pelo arquiteto Kengo Kuma com materiais reciclados, acolheu assim a voz de crianças e jovens de um arquipélago atlântico.

Para Maria Emanuel Albergaria, coordenadora intermunicipal do Plano Nacional das Artes, a presença açoriana não foi acidental. Existe, defende, uma afinidade natural entre os Açores e o Japão — vulcões ativos, flora diversa, fenómenos naturais que aproximam os dois territórios — e era fundamental que a Região estivesse representada para reforçar essa relação além do encerramento da Expo.

O Plano Nacional das Artes, em curso desde 2019 e com horizonte até 2029, organiza-se em torno de três eixos: política cultural, educação e participação comunitária. O seu lema — "É preciso uma freguesia toda para educar uma criança" — resume a filosofia de uma iniciativa que coloca artistas residentes nas escolas de forma contínua, não em visitas pontuais. Nos Açores, o financiamento tem dependido sobretudo das autarquias, embora Albergaria defenda maior fluidez entre os ministérios da Educação, da Cultura e da Saúde.

O impacto do programa é visível: a EBI da Horta venceu o Prémio PNA 2024 com o projeto "Re-Cria/Recreios", que transformou os intervalos escolares em momentos de criatividade e convívio, reduzindo o uso excessivo de telemóveis. Um exemplo que mostra como as artes podem reconfigurar a cultura de uma escola — e, por extensão, de uma comunidade inteira.

Cinco escolas dos Açores estiveram presentes na Expo 2025 de Osaka através de um projeto ambicioso que reuniu sessenta e duas instituições de ensino de todo o país. O filme "De Portugal para Osaka: uma travessia de mensagens" foi exibido no Pavilhão de Portugal, levando a voz de crianças e jovens açorianos para um dos maiores eventos internacionais de inovação e sustentabilidade. As escolas EBI da Horta, EBI da Maia, EBS das Lajes do Pico, EBS de Santa Maria e EBS das Flores participaram nesta iniciativa enquadrada no Plano Nacional das Artes, um programa que funciona como ponte entre a educação e a cultura em Portugal.

O projeto nasceu de um desafio lançado por Joana Cardoso, Comissária-Geral do Pavilhão de Portugal. As escolas foram convidadas a criar trabalhos criativos com ligação ao Japão, explorando temas de sustentabilidade, identidade cultural e inovação. O pavilhão onde o filme foi exibido foi desenhado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, construído com materiais reciclados e incorporando elementos da tradição portuguesa. A produção contou com apoio técnico da equipa de multimédia da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares do Norte, garantindo qualidade audiovisual ao projeto.

Maria Emanuel Albergaria, coordenadora intermunicipal do Plano Nacional das Artes, destaca que a participação das escolas açorianas não foi casual. Segundo ela, existe uma afinidade natural entre os Açores e o Japão que vai além do turismo: vulcões ativos, diversidade de flora, fenómenos naturais que aproximam os dois territórios. Para a coordenadora, era fundamental que a Região estivesse representada neste filme, tanto para dar visibilidade aos Açores como para reforçar a relação entre Portugal e o Japão mesmo após o encerramento da Expo. O filme será visto por muita gente, sublinha, ampliando o alcance da mensagem das escolas açorianas.

O Plano Nacional das Artes funciona em três eixos fundamentais: política cultural, pensamento e mediação, e educação, participação e acesso. O programa tem como missão nacional ligar a cultura à educação, afirmando a importância das artes e do património na vida de todos os cidadãos. Nos Açores, uma rede significativa de escolas já aderiu ao projeto, sendo a EBS do Corvo a única unidade orgânica da Região que ainda não participou. O lema que acompanha o programa desde 2019 resume a sua filosofia: "É preciso uma freguesia toda para educar uma criança". O plano decorre até 2029, com ações coordenadas a nível nacional e regional.

Uma das medidas mais transformadoras do PNA é a integração de artistas residentes nas escolas. Não se trata de workshops pontuais, mas de uma presença contínua que permite desenvolver trabalho estruturado através da prática artística. Os alunos conectam-se com estes artistas como membros da comunidade que entram na escola com liberdade criativa. Contudo, a medida depende de financiamento. Nos Açores, o apoio tem vindo principalmente das autarquias, embora o Ministério da Educação tenha aberto a possibilidade de contratação de artistas por um ano letivo. Albergaria defende que deveria haver maior fluidez entre os serviços governativos, quebrando silos entre educação, cultura e saúde. O investimento em cultura no contexto escolar promove o desenvolvimento humano integral dos alunos, reforçando a autoestima e a ligação com a comunidade.

Um exemplo do impacto do programa é o projeto "Re-Cria/Recreios" desenvolvido pela EBI da Horta, que venceu o Prémio PNA 2024 a nível nacional. A iniciativa surgiu com o objetivo de reduzir o uso excessivo de telemóveis durante os intervalos, envolvendo alunos, professores e comunidade na criação de atividades lúdicas e criativas para os recreios. Este reconhecimento demonstra como o Plano Nacional das Artes está a transformar a cultura escolar nos Açores, criando espaços onde a criatividade e a participação comunitária ganham protagonismo.

Este filme é um contributo importante para dar voz às crianças e aos jovens sobre questões da cultura e do ambiente, dar a conhecer a diversidade do território nacional e reforçar a relação entre Portugal e o Japão
— Maria Emanuel Albergaria, coordenadora intermunicipal do PNA
Há uma grande afinidade entre os Açores e o Japão, exemplificada por fenómenos naturais como vulcões ativos e diversidade de plantas
— Maria Emanuel Albergaria
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que foi importante levar especificamente escolas açorianas a Osaka?

Model

Porque há uma afinidade natural entre os Açores e o Japão que vai muito além do turismo. Vulcões ativos, diversidade de plantas, fenómenos naturais que aproximam os dois territórios. Mas também porque era uma forma de dar visibilidade à Região num evento internacional de grande escala.

Inventor

O filme foi apenas um exercício simbólico ou teve impacto real?

Model

Não foi simbólico. Sessenta e duas escolas de todo o país participaram. O filme será visto por muita gente em Osaka. Mas o impacto real está em como isto muda a forma como as crianças veem a sua própria cultura e o seu território.

Inventor

Fala-se muito em artistas residentes nas escolas. Como é que isso funciona na prática?

Model

Não é um workshop de uma tarde. É uma presença contínua, alguém da comunidade que entra na escola com liberdade criativa. Os alunos reconhecem-no como um artista de verdade, não como um visitante. Transforma a cultura escolar.

Inventor

Qual é o maior obstáculo?

Model

O financiamento está fragmentado. Educação é uma caixa, cultura é outra, saúde é outra ainda. Mas no mundo real as coisas estão ligadas. Nos Açores, as autarquias têm ajudado, mas deveria haver maior fluidez entre os serviços governativos.

Inventor

O prémio à EBI da Horta mostra que isto está a funcionar?

Model

Mostra que sim. Um projeto que começou com uma ideia simples - reduzir telemóveis nos intervalos - transformou-se numa iniciativa que envolveu toda a comunidade escolar. Isso é o que o Plano Nacional das Artes quer: transformação real.

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