PGR rejeita delação premiada de ex-presidente do BRB preso na Operação Compliance Zero

Paulo Henrique Costa permanece em prisão preventiva desde 16 de abril, com pedido de prisão domiciliar negado pelo STF.
Seis imóveis de R$ 146 milhões em troca de facilitar operações sem lastro
A acusação contra Paulo Henrique Costa revela o núcleo da investigação: transferência de bens em troca de favores financeiros.

No cruzamento entre o poder financeiro e a responsabilidade pública, a Procuradoria-Geral da República fechou nesta quinta-feira a porta da colaboração premiada para Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, preso desde abril no âmbito da Operação Compliance Zero. Acusado de receber imóveis avaliados em R$ 146 milhões em troca de facilitar operações financeiras irregulares envolvendo o Banco Master, Costa se torna o segundo investigado a ver sua proposta de acordo rejeitada — sinal de que o Estado, por ora, não encontra valor suficiente no que ele tem a oferecer. A trajetória de um executivo construída em décadas agora se desdobra nos corredores da Justiça, sem atalhos à vista.

  • A PGR rejeitou a proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa, mantendo-o sem qualquer acordo com a Procuradoria enquanto permanece preso preventivamente.
  • Costa é o segundo investigado da Operação Compliance Zero a ter colaboração negada — Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu a mesma resposta semanas antes, revelando um padrão de recusa.
  • O ex-presidente do BRB é acusado de ter recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Vorcaro em troca de facilitar operações financeiras sem lastro.
  • O ministro André Mendonça, do STF, também negou o pedido de prisão domiciliar, mantendo Costa atrás das grades desde 16 de abril sem perspectiva imediata de alívio.
  • O que era uma negociação estratégica — Costa defendia a aquisição do Banco Master como saída para a crise da instituição — tornou-se o centro das apurações federais sobre governança inadequada.

Paulo Henrique Costa, que presidiu o Banco de Brasília por seis anos após ser indicado pelo governador Ibaneis Rocha em 2019, permanece preso desde meados de abril. Nesta quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por sua defesa, tornando-o o segundo investigado da Operação Compliance Zero a ter um pedido de colaboração negado — Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, havia recebido a mesma resposta semanas antes.

As investigações apontam que Costa teria permitido operações financeiras sem respaldo envolvendo o Banco Master e, em contrapartida, recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Vorcaro, dois deles localizados em Brasília. A negociação para aquisição do Banco Master, que Costa chegou a defender publicamente como solução para a crise da instituição privada, passou a integrar o escopo das apurações sobre práticas de governança inadequada.

Antes de presidir o BRB, Costa construiu carreira de mais de vinte anos no setor financeiro, passando pela Caixa Econômica Federal desde 2001, onde chegou a vice-presidente. No mesmo dia em que a PGR rejeitou sua delação, o ministro André Mendonça, do STF, negou também o pedido para converter sua prisão preventiva em domiciliar. Sem acordo e sem alívio imediato, Costa segue preso enquanto as investigações avançam.

Paulo Henrique Costa, que presidiu o Banco de Brasília durante seis anos, permanece atrás das grades desde meados de abril. A Procuradoria-Geral da República fechou a porta para qualquer acordo nesta quinta-feira, rejeitando a proposta de delação premiada que sua defesa havia apresentado. Com essa decisão, Costa se torna o segundo investigado na Operação Compliance Zero a ter um pedido de colaboração negado — Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, recebeu a mesma resposta semanas antes.

A prisão de Costa ocorreu durante a quarta fase da operação deflagrada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de que ele teria permitido operações financeiras sem respaldo envolvendo o Banco Master. Os investigadores apontam para algo mais: Costa é acusado de ter recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Vorcaro. Dois desses imóveis ficam em Brasília. Em troca, segundo a acusação, ele teria facilitado o esquema que agora é alvo das investigações federais.

Antes de sua prisão, Costa havia construído uma carreira sólida no setor financeiro. Indicado para a presidência do BRB pelo então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, em 2019, ele passou mais de vinte anos atuando no mercado. Sua formação incluía especializações em finanças no exterior, e antes de chegar ao banco brasiliense, trabalhou na Caixa Econômica Federal desde 2001, onde chegou a vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital. Durante sua gestão no BRB, coordenou a expansão digital da instituição e participou de negociações estratégicas.

Os autos da operação revelam que Costa havia defendido a aquisição do Banco Master como solução para a crise financeira que atingia a instituição privada. Essa negociação, junto com as circunstâncias que a cercam, agora integra o escopo das apurações conduzidas pela Polícia Federal. O que começou como uma estratégia de negócios transformou-se em investigação de práticas de governança inadequada.

Nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal também negou o pedido da defesa de Costa para converter sua prisão preventiva em prisão domiciliar. Vorcaro, por sua vez, foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar após decisão do mesmo ministro. A rejeição da delação premiada significa que Costa seguirá respondendo aos processos sem o benefício de um acordo com a Procuradoria, mantendo-se preso enquanto as investigações prosseguem.

Costa defendia a aquisição do Banco Master como alternativa para enfrentar a crise financeira da instituição privada
— Autos da Operação Compliance Zero
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a PGR rejeitou a delação? Havia algo específico que tornava o acordo inaceitável?

Model

A decisão acompanhou a posição da Polícia Federal. Quando você tem evidências de imóveis no valor de R$ 146 milhões sendo transferidos em troca de facilitar operações sem lastro, a acusação tende a ser forte demais para negociar.

Inventor

Costa tinha uma carreira respeitável antes disso — vice-presidente na Caixa, expansão digital bem-sucedida no BRB. Como alguém nessa posição acaba envolvido em algo assim?

Model

Às vezes a proximidade com poder e oportunidade muda o cálculo. Ele estava defendendo a aquisição do Banco Master como solução para a crise financeira. Talvez tenha visto a negociação como inevitável, necessária. Os imóveis podem ter parecido uma compensação razoável no momento.

Inventor

Vorcaro também teve sua delação rejeitada. Isso sugere que ambos estão em posições fracas?

Model

Ou que a acusação é tão sólida que nenhum deles tem muito a oferecer em troca. Se a Polícia Federal já tem os registros dos imóveis, as operações financeiras, os rastros — o que eles poderiam revelar que mudaria o resultado?

Inventor

E agora? Costa continua preso enquanto isso se desenrola?

Model

Sim. Prisão preventiva, sem a possibilidade de cumprir em casa. O STF negou isso também. Ele está esperando o processo avançar sem nenhuma saída negociada à vista.

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