PF acusa banqueiro de comandar 'milícia' para intimidar jornalistas e adversários

Jornalista Lauro Jardim foi alvo de ameaças de violência física e monitoramento ilegal; funcionários e outras pessoas foram intimidados como parte do esquema.
Quero dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.
Mensagem de Daniel Vorcaro orientando funcionários a agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do O Globo.

Em março de 2026, a Polícia Federal revelou que o poder financeiro pode construir muralhas de silêncio tão sólidas quanto cofres: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é acusado de ter erguido um núcleo de intimidação que monitorava jornalistas, ameaçava delatores e infiltrava sistemas sigilosos do Estado. A operação Compliance Zero expõe como a violência — física e institucional — pode ser instrumentalizada para proteger fortunas e sufocar a verdade. Quatro pessoas foram presas e até 22 bilhões de reais em bens foram sequestrados, num caso que questiona os limites entre o poder econômico e o Estado de direito.

  • Mensagens de WhatsApp mostram Vorcaro ordenando que um jornalista do O Globo fosse agredido num assalto forjado, com a instrução explícita de 'quebrar todos os dentes'.
  • O grupo 'A Turma' funcionava como uma central de espionagem privada, monitorando rotinas de jornalistas e coletando dados sigilosos com acesso ilegal a sistemas da PF, do MPF e da Interpol.
  • Funcionários, um chefe de cozinha e uma empregada doméstica também foram alvos de ameaças, revelando que o esquema de intimidação atingia qualquer pessoa percebida como risco ao banqueiro.
  • O ministro Flávio Dino decretou prisão preventiva de quatro investigados — incluindo o próprio Vorcaro — e autorizou o sequestro de bens de até R$ 22 bilhões e buscas em 15 endereços.
  • A investigação, em curso desde 2024, aponta quatro núcleos criminosos dentro do Banco Master: fraude financeira, corrupção institucional, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Na manhã de 4 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero com uma revelação que transcende o universo das fraudes financeiras: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria organizado um núcleo estruturado de intimidação para silenciar jornalistas, ameaçar potenciais delatores e obstruir investigações através da violência e da espionagem.

As provas centrais são mensagens de um grupo de WhatsApp chamado 'A Turma'. Numa delas, Vorcaro orienta funcionários a forjar um assalto contra Lauro Jardim, colunista do O Globo, com a ordem de 'quebrar todos os dentes'. Um dos investigados confirmou que iria 'olhar isso' — interpretado pela PF como aceite da ordem. O esquema ia além: funcionários e outras pessoas próximas ao banqueiro também foram mencionados em mensagens com linguagem violenta, como alvos a serem intimidados antes que pudessem colaborar com as autoridades.

O que elevou a gravidade do caso foi a descoberta de que o grupo havia obtido acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol. Diante disso, o ministro do STF Flávio Dino autorizou prisões preventivas de quatro pessoas: Vorcaro, apontado como líder; Fabiano Zettel, responsável por pagamentos e coordenação; Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado; e Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, membro ativo do grupo.

A operação, iniciada em 2024 a pedido do MPF, investiga fraudes no sistema financeiro nacional com o Banco Master no centro. A PF identificou quatro frentes criminosas: estruturação de fraudes, cooptação de funcionários do Banco Central, lavagem de dinheiro por empresas de fachada e o núcleo de intimidação. O ministro determinou o sequestro de bens de até R$ 22 bilhões e buscas em 15 endereços em São Paulo e Minas Gerais. A investigação segue em andamento.

Na quarta-feira, 4 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero com uma acusação que vai além das fraudes financeiras: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria comandado um núcleo de intimidação estruturado para silenciar jornalistas e adversários através da violência física e da espionagem.

As evidências repousam em mensagens de celular. Os investigadores identificaram um grupo de WhatsApp chamado "A Turma", que funcionava como central de coordenação para atos de intimidação. Em uma dessas conversas, Vorcaro orientava seus funcionários a forjar um assalto contra um jornalista e "quebrar todos os dentes". O alvo era Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, que havia publicado informações contrárias aos interesses do banqueiro. A mensagem de Vorcaro foi direta: "Quero dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Um dos investigados, Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, respondeu que iria "olhar isso" — uma confirmação, segundo a PF, de que cumpriria a ordem.

O esquema não se limitava a uma única vítima. O núcleo de intimidação monitorava sistematicamente jornalistas, acompanhando suas rotinas e coletando informações confidenciais. Vorcaro também visava pessoas que poderiam se tornar delatores: um funcionário e um chefe de cozinha foram mencionados em mensagens onde o banqueiro sugeria "dar uma sacudida" no chef primeiro, porque "o outro já vai assustar". Outra mensagem revelava a intenção de intimidar uma funcionária: "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda". As ordens eram claras e repetidas: "Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele" e "Puxa endereço tudo".

O ministro do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação, Flávio Dino, considerou que o grupo contratado por Vorcaro havia obtido acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol. Essa penetração em estruturas de segurança elevou o risco percebido, levando à decretação de prisão preventiva. Quatro pessoas foram presas: o próprio Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa; Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar o núcleo de intimidação; Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que participava do monitoramento; e Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, membro do grupo "A Turma".

A Operação Compliance Zero, que começou em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, investiga fraudes no sistema financeiro nacional. O Banco Master está no centro das investigações, junto com gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos. A PF identificou quatro núcleos principais de atuação: um núcleo financeiro responsável pela estruturação de fraudes; um núcleo de corrupção institucional voltado à cooptação de funcionários do Banco Central; um núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro através de empresas interpostas; e o núcleo de intimidação e obstrução de justiça que monitorava ilegalmente adversários, jornalistas e autoridades.

O ministro determinou o sequestro de bens no montante de até 22 bilhões de reais e autorizou buscas e apreensões em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. Na decisão, o magistrado observou que as estruturas jurídicas criadas por Vorcaro não apresentavam indicação de atividades econômicas lícitas reais, tendo sido engendradas exclusivamente para viabilizar a lavagem de dinheiro e dificultar a identificação do percurso dos recursos ilícitos. A operação segue em andamento, com a investigação ainda mapeando a extensão completa da rede de intimidação e das fraudes financeiras.

Vorcaro orientava que o grupo 'assustasse' seus adversários, como um funcionário e um chefe de cozinha, citados como delatores
— Polícia Federal, conforme representação na Operação Compliance Zero
As estruturas jurídicas foram engendradas exclusivamente para viabilizar a lavagem de dinheiro e dificultar a identificação do percurso dos recursos ilícitos
— Ministro Flávio Dino, em decisão que autorizou a terceira fase da operação
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como a Polícia Federal conseguiu acessar essas mensagens de WhatsApp? Elas foram obtidas de forma legal?

Model

A investigação começou em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, que solicitava verificação de fraudes financeiras. As mensagens foram obtidas durante essa investigação, e o ministro as considerou suficientemente robustas para fundamentar a prisão preventiva.

Inventor

O que torna esse caso diferente de outras acusações de corrupção? Por que a intimidação de jornalistas é tão grave aqui?

Model

Porque não é apenas corrupção financeira. Vorcaro estava usando violência e espionagem para silenciar quem poderia expor suas fraudes. Um jornalista do O Globo publicou algo contrário aos seus interesses e virou alvo de ameaça de morte. Isso é intimidação sistemática de testemunhas e da imprensa.

Inventor

Você mencionou que o grupo tinha acesso a sistemas da Polícia Federal e da Interpol. Como isso foi possível?

Model

Um dos investigados é um policial federal aposentado. Ele provavelmente mantinha contatos e credenciais que permitiam ao grupo acessar informações confidenciais. Isso é o que deixou o ministro mais preocupado — não era apenas um esquema de fraude, era uma infiltração em estruturas de segurança.

Inventor

Qual é o próximo passo? Vorcaro vai responder por todos esses crimes?

Model

Ele está preso preventivamente agora. A investigação continua mapeando a extensão da rede. O ministro sequestrou até 22 bilhões de reais em bens. Mas sim, ele vai responder por fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção institucional e intimidação de jornalistas e adversários.

Inventor

E o jornalista Lauro Jardim? Ele sabia que era alvo?

Model

Não está claro na investigação se ele foi informado das ameaças antes da operação ser deflagrada. Mas agora sabe que foi monitorado e que havia ordens explícitas para agredi-lo. Isso muda completamente a forma como ele vê aquele período.

Contact Us FAQ