Petróleo cai quase 10% com reabertura do Estreito de Ormuz e avanços nas negociações EUA-Irã

O Estreito de Ormuz está completamente aberto, mas o bloqueio americano segue em vigor
A reabertura temporária durante o cessar-fogo Israel-Líbano trouxe alívio aos mercados, mas a incerteza permanece.

No cruzamento entre a diplomacia e os mercados globais de energia, o anúncio de uma trégua de dez dias entre Israel e Líbano abriu, ainda que temporariamente, o Estreito de Ormuz — e os preços do petróleo responderam com uma das quedas mais expressivas em semanas. O WTI recuou quase 10% na sexta-feira, 17 de abril, sinalizando que boa parte do valor embutido nos barris era, na verdade, o peso do medo. Ainda assim, economistas e banqueiros centrais lembram que o alívio nos preços não apaga a pressão inflacionária já absorvida pelas economias do continente americano.

  • O petróleo despencou quase 10% em um único pregão, surpreendendo até operadores veteranos que haviam apostado na continuidade das tensões regionais.
  • O gatilho foi o anúncio iraniano de que o Estreito de Ormuz — artéria vital de cerca de 20% do petróleo mundial — estava 'completamente aberto' durante o cessar-fogo Israel-Líbano.
  • Operadores correram a desfazer posições, liquidando o prêmio de risco acumulado durante meses de escalada no Oriente Médio.
  • Trump sinalizou que o bloqueio naval americano no estreito permanece ativo, e a trégua tem prazo de apenas dez dias — mantendo a incerteza no horizonte.
  • O FMI e o Federal Reserve alertam que os danos inflacionários já estão incorporados nas economias latino-americanas, independentemente das oscilações semanais nas commodities.

Os preços do petróleo sofreram uma queda abrupta na sexta-feira, 17 de abril, com o WTI recuando 9,41% para US$ 82,59 o barril e o Brent cedendo 9,06% para US$ 90,38 — a segunda semana consecutiva de declínio para ambas as referências.

O estopim veio do Oriente Médio: o chanceler iraniano Seyed Abbas Araghchi declarou o Estreito de Ormuz 'completamente aberto' durante um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano iniciado na quinta-feira. A notícia esvaziou o prêmio de risco que os mercados haviam embutido nos preços ao longo de meses de tensão regional. O analista Phil Flynn, do Price Futures Group, descreveu a pausa nos combates envolvendo o Hezbollah como um alívio genuíno para os mercados de energia.

O alívio, porém, tem contornos precisos. Donald Trump deixou claro que o bloqueio naval americano no estreito permanece em vigor até um acordo definitivo, e a trégua expira em dez dias. Enquanto isso, Mary Daly, do Federal Reserve de São Francisco, advertiu que a alta anterior nos custos de energia ainda deve gerar mais pressão inflacionária do que crescimento econômico nos EUA. O FMI reforçou o alerta para a América Latina: os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação regional não se dissipam com uma semana de queda nas commodities. O que acontece a seguir dependerá menos do que se passa em Ormuz e mais da capacidade dos bancos centrais de ancorar as expectativas de preços.

Os preços do petróleo desabaram nesta sexta-feira, 17 de abril, numa queda que surpreendeu até os operadores mais experientes dos mercados globais. O WTI, a referência americana, caiu 9,41% e fechou em US$ 82,59 o barril — a primeira vez em semanas que a commodity operava confortavelmente abaixo da marca de US$ 90. O Brent, seu concorrente europeu, não ficou atrás: recuou 9,06% para US$ 90,38. Juntos, esses dois movimentos marcaram a segunda semana consecutiva de declínio, com o WTI perdendo 14,5% no período e o Brent cedendo 5,06%.

O gatilho para essa queda abrupta veio do Oriente Médio. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz — um dos pontos mais críticos do comércio global de energia — está "completamente aberto" durante um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano que começou na quinta-feira às 18 horas, horário de Brasília. A notícia ecoou pelos pregões de Nova York e Londres: se o estreito permanecia acessível, o risco de interrupção no fornecimento de petróleo diminuía significativamente. Os operadores reagiram vendendo posições, reduzindo o prêmio de risco que havia sido embutido nos preços durante meses de tensão regional.

Para Phil Flynn, analista do Price Futures Group, a pausa nos combates que envolvem o Hezbollah representou um alívio genuíno. A redução dos riscos imediatos de uma escalada mais ampla na região trouxe alguma tranquilidade aos mercados de energia, que haviam precificado cenários muito mais sombrios. Mesmo assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro que não há trégua total: ele afirmou ter "proibido Israel de bombardear o Líbano" e ressaltou que o bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz — que ele chamou de "Estreito do Irã" — permanecerá em vigor até que um acordo definitivo seja alcançado.

Mas a queda nos preços do petróleo traz consigo uma preocupação paralela que não desaparece com a trégua. Mary Daly, presidente do Federal Reserve de São Francisco, alertou nesta sexta que a alta nos custos de energia provavelmente gerará mais pressão inflacionária do que estímulo ao crescimento econômico dos EUA. O Fundo Monetário Internacional foi além: prevê que a guerra no Oriente Médio continuará empurrando a inflação para cima em toda a América Latina, independentemente das oscilações semanais nos preços das commodities. A realidade é que mesmo com o petróleo em queda, os danos inflacionários dos meses anteriores já estão incorporados nas economias, e a trajetória futura dependerá menos do que acontece em Ormuz e mais de como os bancos centrais conseguem ancorar as expectativas de preços.

A pausa nos combates ajudou a reduzir os riscos imediatos de uma escalada regional mais ampla e trouxe alívio aos prêmios de risco do mercado de petróleo
— Phil Flynn, analista do Price Futures Group
A alta nos custos de energia provavelmente terá efeito mais inflacionário do que sobre o crescimento dos EUA
— Mary Daly, presidente do Federal Reserve de São Francisco
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que uma queda de 10% no petróleo em um único dia é tão significativa?

Model

Porque o petróleo não é apenas uma commodity — é o termômetro de todo o sistema econômico global. Quando cai 10% de uma vez, significa que o mercado mudou sua avaliação do risco de forma dramática. Neste caso, a reabertura do Estreito de Ormuz eliminou de repente o cenário catastrófico que os operadores estavam precificando.

Inventor

Mas o Estreito continua sob bloqueio americano, certo? Como isso é uma vitória?

Model

É uma vitória parcial. O que mudou é que agora há um cessar-fogo, há negociações em andamento, e o Irã está sinalizando que não vai fechar o estreito unilateralmente. Antes, havia medo de que a escalada regional fechasse tudo. Agora há esperança de que as coisas se estabilizem.

Inventor

E quanto à inflação? Uma queda no petróleo não deveria ajudar?

Model

Deveria, teoricamente. Mas o Fed está dizendo que o dano já foi feito. Os preços altos de energia nos últimos meses já entraram nas expectativas de inflação das pessoas. Uma queda agora é bem-vinda, mas não vai reverter tudo que aconteceu.

Inventor

O FMI mencionou a América Latina especificamente. Por quê?

Model

Porque a região é importadora de petróleo e muito sensível a choques de preços. Quando o petróleo sobe, tudo fica mais caro — transporte, energia, produção. A inflação se espalha rapidamente. Uma guerra no Oriente Médio afeta o custo de vida em São Paulo tanto quanto em Nova York.

Inventor

Trump disse que mantém o bloqueio até um acordo. Isso significa que os preços podem voltar a subir?

Model

Absolutamente. Este é um cessar-fogo de dez dias, não um acordo permanente. Se as negociações fracassarem, voltamos ao cenário anterior — e o petróleo pode disparar novamente. O mercado está apostando que as coisas vão melhorar, mas essa aposta é frágil.

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