Petrobras e Pemex assinam memorando de cooperação em energia e refino este mês

Houve tentativa de apagar a Petrobras na imagem dos brasileiros
Chambriard descreveu a reabertura da sede como retomada do protagonismo da maior empresa da América Latina.

Em um gesto que une história e estratégia, a Petrobras reinaugurou sua sede histórica no Rio de Janeiro enquanto anunciava um memorando de entendimento com a Pemex mexicana — dois movimentos que, juntos, sinalizam a reafirmação do protagonismo da estatal brasileira no tabuleiro energético latino-americano e global. A aproximação entre as duas petroleiras estatais, impulsionada por um diálogo presidencial entre Lula e Sheinbaum, ocorre num momento em que as tensões no Oriente Médio redesenham rotas de abastecimento e abrem janelas para novos fornecedores. O Brasil, com seu petróleo do pré-sal e sua capacidade de refino, encontra-se bem posicionado para ocupar espaços deixados pela instabilidade geopolítica.

  • A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz criou uma urgência silenciosa: países asiáticos precisam de novos fornecedores de petróleo, e a Petrobras está na linha de frente para atendê-los.
  • A aliança com a Pemex não é apenas técnica — ela reflete uma reorientação política deliberada de dois governos de esquerda que buscam fortalecer a soberania energética regional.
  • A disputa tributária com o governo do Rio de Janeiro — um suposto débito de R$ 20 bilhões — lança uma sombra sobre a festa da reinauguração, revelando tensões entre a estatal e os entes federativos.
  • A reforma de R$ 1,3 bilhão no Edise, sede histórica da Petrobras, é lida pela liderança da empresa como um ato de restauração simbólica após anos de desmonte institucional.
  • Com vendas de coque verde para a operação chinesa da Saudi Aramco e crescente demanda do Japão, Coreia do Sul e Índia, a Petrobras amplia sua presença asiática num momento estratégico.

Na sexta-feira, durante a reinauguração da sede histórica da Petrobras no centro do Rio de Janeiro, a presidente Magda Chambriard anunciou que a estatal formalizará ainda em junho um memorando de entendimento com a Pemex, a petroleira estatal mexicana. O acordo prevê estudos conjuntos em tecnologia, exploração, produção e refino, com potencial de desdobramento em parcerias comerciais. O presidente da Pemex, Juan Carlos Carpio, virá ao Brasil para assinar os primeiros termos de cooperação — movimento que segue videoconferência entre Lula e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, na qual a cooperação energética foi tema central.

Chambriard também destacou o impacto das tensões no Oriente Médio sobre o mercado global. A instabilidade no Estreito de Ormuz levou países asiáticos a buscar novos fornecedores, beneficiando diretamente a Petrobras. A estatal ampliou vendas para China, Japão, Coreia do Sul e Índia, e fechou negócio de 40 mil toneladas de coque verde com a operação chinesa da Saudi Aramco. A executiva rebateu ainda declarações sobre um suposto débito tributário de R$ 20 bilhões ao estado do Rio, afirmando que há divergências jurídicas sobre parte dos valores e que a empresa pagou R$ 277 bilhões em tributos em 2025.

A cerimônia marcou o fim de uma reforma estrutural de quatro anos e R$ 1,3 bilhão no Edise — o primeiro grande trabalho no edifício desde sua inauguração, há 50 anos. Foram instalados 60 quilômetros de novas tubulações, renovada a fachada e modernizados os sistemas de climatização e impermeabilização. A diretoria retorna ao prédio na semana seguinte, com a ocupação plena prevista para 2028. Para Chambriard e para o prefeito em exercício Eduardo Cavaliere, a reabertura do edifício é mais do que logística: é a retomada simbólica do protagonismo da maior empresa da América Latina.

Na sexta-feira, enquanto reinaugurava a sede histórica da Petrobras no centro do Rio de Janeiro, a presidente Magda Chambriard anunciou que a estatal brasileira formalizará ainda em junho um memorando de entendimento com a Pemex, a petrolífera mexicana. O acordo abre caminho para estudos conjuntos e possíveis parcerias comerciais nas áreas de tecnologia, exploração, produção e refino.

Segundo Chambriard, o presidente da Pemex, Juan Carlos Carpio, virá ao Brasil para oficializar os primeiros acordos de cooperação. A executiva afirmou que a agenda inclui a assinatura de termos de confidencialidade e o início de estudos conjuntos entre as duas empresas. A aproximação ocorre após videoconferência realizada na quarta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, na qual o fortalecimento da cooperação energética entre os dois países foi tema central.

Chambriard explicou que os estudos iniciais envolverão as quatro áreas mencionadas e podem resultar em futuras oportunidades comerciais. "Vamos cooperar e esses estudos podem se desdobrar em negócios. Estamos desenhando isso, para entender o retorno econômico de possíveis negócios", declarou. A executiva também destacou os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre o mercado internacional de energia. A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz levou diversos países asiáticos a buscar novos fornecedores de petróleo e derivados, beneficiando a Petrobras. A Ásia é o principal cliente da estatal, com destaque para a China, mas também Japão, Coreia do Sul e Índia têm procurado a empresa. Chambriard informou que a Petrobras realizou a venda de 40 mil toneladas de coque verde para a operação chinesa da Saudi Aramco, ampliando sua presença no mercado asiático.

Durante o evento, Chambriard também comentou a declaração do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, sobre um suposto crédito tributário de R$ 20 bilhões devido pela estatal ao estado. Segundo ela, há divergências jurídicas sobre parte dos valores cobrados. A executiva afirmou que em 2025 a Petrobras pagou R$ 277 bilhões em tributos para União, estados e municípios, e que a empresa apura seus tributos regularmente. "Se há tributo não pago, é porque achamos que a tese não se enquadra ao nosso entendimento da aplicabilidade do tributo", afirmou.

A cerimônia marcou a reinauguração do Edise, edifício-sede da Petrobras no centro do Rio de Janeiro. O prédio passou pela primeira reforma estrutural completa desde sua inauguração há 50 anos, em uma obra que consumiu cerca de R$ 1,3 bilhão ao longo de quatro anos. O engenheiro Leandro Sereno, responsável pelo projeto, explicou que o edifício apresentava borrachas de janelas ressecadas, brises inoperantes, problemas hidrossanitários com tubulações com vazamentos frequentes e sistema de refrigeração obsoleto. A modernização incluiu a instalação de 60 quilômetros de novas tubulações, renovação da fachada, modernização do sistema de climatização e impermeabilização de 35 mil metros quadrados da estrutura.

O prefeito em exercício do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, associou a reabertura do edifício ao fortalecimento da Petrobras, afirmando que o fechamento anterior havia sido um projeto político de destruição da empresa. Chambriard ressaltou o significado simbólico da reabertura, descrevendo-a como uma retomada do protagonismo da maior empresa da América Latina. A ocupação do edifício será retomada gradualmente, com a diretoria retornando na próxima semana e novos andares sendo liberados a partir de novembro. A conclusão definitiva das obras está prevista para 2028.

Vamos cooperar e esses estudos podem se desdobrar em negócios. Estamos desenhando isso, para entender o retorno econômico de possíveis negócios
— Magda Chambriard, presidente da Petrobras
Houve tentativa de apagar o Edise e de apagar a Petrobras na imagem dos brasileiros, tornar esta empresa, a maior da América Latina, em insignificante
— Magda Chambriard
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que esse memorando com a Pemex importa agora, neste momento específico?

Model

Porque o Oriente Médio está fechado. Quando o Estreito de Ormuz fica tenso, a Ásia inteira procura por petróleo em outro lugar. A Petrobras está ali, pronta, e tem volume. Mas sozinha não é suficiente — uma parceria com a Pemex amplia a capacidade de fornecimento.

Inventor

Então é oportunismo de mercado?

Model

Não é só isso. É também política. Lula e Sheinbaum conversaram sobre isso. Há uma intenção de fortalecer a cooperação energética entre Brasil e México como bloco, não apenas como empresas.

Inventor

A Chambriard mencionou "retorno econômico". Isso significa que ainda não sabem se vai dar lucro?

Model

Exatamente. Os estudos vêm primeiro. Eles querem entender se há sinergia real — se explorar juntos, refinar juntos, vender juntos faz sentido financeiro. Pode não resultar em nada concreto.

Inventor

E aquela briga com o Rio de Janeiro sobre os R$ 20 bilhões? Como isso se encaixa?

Model

Não se encaixa. É uma disputa paralela. O estado cobra, a Petrobras contesta. Mas enquanto isso acontece, a empresa segue operando, assinando acordos, reinaugurando prédios. A empresa não está paralisada por isso.

Inventor

O Edise — aquele prédio de 50 anos — por que reabrir agora?

Model

Porque é simbólico. Fechou durante o governo anterior. Agora reabre como sinal de que a Petrobras está voltando ao centro da política energética brasileira. Não é só um prédio; é uma mensagem.

Inventor

Qual é o risco aqui?

Model

Que os estudos não resultem em negócios reais. Que a cooperação fique no papel. Ou que as tensões no Oriente Médio se resolvam e a demanda por petróleo brasileiro caia novamente.

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