Pepe Escobar: Ocidente em pânico ao perder influência na Eurásia

Escobar relata decapitações e degolas durante distúrbios no Irã, atribuindo violência extrema a grupos tipo ISIS importados de regiões fronteiriças para culpar governo iraniano.
Esse pânico de ser expulso da Eurásia explica tudo
Escobar resume o comportamento ocidental como resultado do medo de perder influência estratégica global.

Agências ocidentais (CIA, MI6, Mossad) carecem de inteligência real no terreno iraniano e instrumentalizaram protestos legítimos através de 'revoluções coloridas' coordenadas externamente. Bloqueio do Starlink com apoio russo-chinês desmantelou operação ocidental no Irã; porta-aviões USS Abraham Lincoln se posiciona para possível ataque militar iminente.

  • CIA, MI6 e Mossad carecem de inteligência real no terreno iraniano
  • Bloqueio do Starlink com apoio russo-chinês desmantelou operação ocidental
  • USS Abraham Lincoln posicionado para possível ataque militar iminente
  • Moscou suspeita de envolvimento americano em atentado a Putin
  • Decapitações e degolas durante distúrbios no Irã atribuídas a grupos tipo ISIS

Analista geopolítico Pepe Escobar afirma que operações de inteligência ocidentais no Irã revelam desespero do Ocidente diante da reorganização geopolítica global e risco iminente de confronto militar direto.

O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar sentou-se diante do juiz Andrew Napolitano para uma conversa que atravessaria continentes e crises — desde as ruas de Teerã até as águas do Golfo Pérsico, passando pelas suspeitas que pairam sobre Moscou. A entrevista, transmitida no programa Judging Freedom, partia de um ponto de partida claro: as tensões internacionais estão escalando, os protestos no Irã revelam fissuras profundas, e o risco de um confronto militar direto no Oriente Médio não é mais teórico.

Segundo Escobar, as agências de inteligência ocidentais — CIA, MI6 e Mossad — cometeram um erro fundamental ao tentar ler a situação iraniana. Elas não possuem o que ele chamou de "inteligência no terreno". Operam através de células infiltradas, informantes e estruturas que ele descreveu como "quinta coluna", mas carecem de compreensão real sobre como vive a população iraniana. Os protestos que começaram como reações legítimas ao aumento do custo de vida foram, na sua avaliação, capturados e instrumentalizados por essas estruturas externas. O padrão é familiar para quem acompanha conflitos recentes: trata-se do modus operandi das chamadas revoluções coloridas, o mesmo que Escobar presenciou em Hong Kong em 2019. Pessoas foram pagas para incendiar estações de metrô, ônibus, prédios públicos e instalações governamentais, tudo coordenado de fora.

Um detalhe técnico revelou-se decisivo: o Starlink. A rede de internet via satélite funcionou como espinha dorsal da operação ocidental, permitindo comunicações que escapassem ao controle estatal. Quando o Irã conseguiu bloqueá-la com apoio técnico da Rússia e da China, segundo Escobar, a operação desabou. "No minuto em que os iranianos conseguiram bloquear o Starlink, tudo acabou", afirmou. O monitoramento prévio dessas comunicações explica o grande número de prisões posteriores — um processo de triangulação de dados que permitiu às autoridades iranianas identificar os envolvidos.

Sobre o que aconteceu nas ruas, Escobar descreveu episódios de violência extrema: decapitações e degolas durante os distúrbios. Ele caracterizou isso como algo sem precedentes na história moderna do Irã e comparou o padrão ao manual do ISIS. Para ele, esses grupos foram importados de regiões de fronteira — áreas próximas ao Afeganistão, Tajiquistão e Baluchistão paquistanês — com o objetivo específico de provocar repulsa generalizada e culpar o governo iraniano desde o início. Quanto aos julgamentos, Escobar negou a existência de execuções públicas e caracterizou essas acusações como propaganda. Os envolvidos, disse, serão julgados e encarcerados, a maioria por prisão perpétua. O país, na sua leitura, caminha para um modelo de internet mais fechado e regionalizado, semelhante ao sistema chinês — "uma forma de sobrevivência".

Ao analisar Donald Trump, Escobar foi direto: o presidente não reconheceria fracassos em tentativas de mudança de regime no Irã ou na Venezuela porque é "um megalomaníaco narcisista" que nunca admitiria derrota. A mudança constante de narrativa — a ênfase repentina em temas como a Groenlândia — revela a ausência de uma estratégia consistente. As elites políticas da Otan, na sua avaliação, estão "absolutamente aterrorizadas". Ele também mencionou o desgaste político interno na França, onde, segundo suas palavras, "98% dos eleitores franceses gostariam que Macron estivesse fora desde ontem".

O risco militar é iminente. O porta-aviões USS Abraham Lincoln está em "modo fantasma", segundo Escobar, e poderia se posicionar no mar de Omã em poucos dias, a uma curta distância operacional do território iraniano. "Todas as apostas estão fora", afirmou. Em caso de ataque, a resposta iraniana seria imediata — contra Tel Aviv e bases norte-americanas no Golfo. Paralelamente, existe uma desconfiança profunda em Moscou. Escobar descreveu como "extremamente séria" a suspeita nos círculos de poder russos de que a inteligência norte-americana esteve envolvida em um ataque contra uma das residências de Vladimir Putin. O Ministério da Defesa russo apresentou evidências às autoridades militares dos EUA, embora sem torná-las públicas. "Há uma forte corrente em Moscou que acredita que tentaram matar o presidente", disse.

Esse episódio, na sua leitura, enterra qualquer ilusão sobre negociações de boa-fé entre Washington e Moscou. Ele citou o chanceler russo Sergey Lavrov para sustentar que os Estados Unidos são "não confiáveis para acordos". A proposta de Trump de criar um "conselho de paz" global foi ironizada por Escobar como "uma tentativa de criar uma ONU trumpista, um golpe financeiro" que envolveria cobrar US$ 1 bilhão por país participante — algo que dificilmente seria aceito por Rússia e China. Ao encerrar, Escobar resumiu sua leitura do momento: o comportamento do Ocidente decorre do medo de perder espaço estratégico. "Esse pânico de ser expulso da Eurásia explica tudo o que está acontecendo agora", concluiu, conectando conflitos regionais, disputas econômicas e a ofensiva geopolítica do que define como o "império do caos".

Eles não têm inteligência no terreno
— Pepe Escobar, sobre agências ocidentais no Irã
No minuto em que os iranianos conseguiram bloquear o Starlink, tudo acabou
— Pepe Escobar, sobre o colapso da operação ocidental
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que as agências ocidentais falharam tão completamente em ler a situação no Irã?

Model

Porque não têm inserção real na sociedade. Operam através de informantes e células infiltradas, mas não entendem a vida cotidiana das pessoas. É como tentar dirigir um país de olhos fechados.

Inventor

E o Starlink foi realmente o fio condutor de toda a operação?

Model

Foi a espinha dorsal. Quando bloquearam, tudo desabou. As comunicações que escapavam ao controle estatal desapareceram, e as autoridades iranianas conseguiram rastrear quem estava envolvido através dos dados que já tinham monitorado.

Inventor

Você acredita que grupos tipo ISIS foram realmente importados para provocar caos?

Model

O padrão é claro. Decapitações, degolas — isso não tem precedentes na história moderna do Irã. O objetivo era provocar repulsa e culpar o governo desde o início. É um manual conhecido.

Inventor

Trump vai reconhecer que falhou no Irã e na Venezuela?

Model

Nunca. Ele é um megalomaníaco narcisista. Vai mudar de narrativa, falar de Groenlândia, de qualquer coisa, mas nunca admitirá derrota.

Inventor

Qual é o risco real de um ataque militar agora?

Model

Extremo. O porta-aviões está em posição. Se atacarem, a resposta iraniana será imediata — contra Tel Aviv, contra bases americanas no Golfo. Não há espaço para ambiguidade.

Inventor

E as suspeitas sobre um atentado a Putin?

Model

Moscou acredita que Washington esteve envolvido. Apresentaram evidências aos militares americanos. Isso enterra qualquer ilusão sobre negociações de boa-fé. Os russos não confiam mais.

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