Ameaça do Mossad teria impedido assinatura de acordo EUA-Irã na Suíça

Ameaça de assassinato contra membros da delegação iraniana impediu encontro diplomático presencial.
O tabuleiro é um tabuleiro completamente diferente agora
Escobar descreve a mudança estrutural no equilíbrio de forças no Oriente Médio após os ataques contra o Irã.

Inteligência paquistanesa interceptou plano de assassinato contra delegação iraniana que viajaria à Suíça para assinar acordo bilateral. Irã enviou ultimato a Washington: se Israel continuar ações militares, memorando entrará em colapso e Teerã pode fechar Estreito de Hormuz.

  • Inteligência paquistanesa interceptou plano de assassinato contra delegação iraniana que viajaria à Suíça
  • Memorando deveria ser assinado em Genebra em 19 de junho, mas foi transferido para Versalhes
  • Irã estabeleceu ultimato até segunda-feira para que Estados Unidos contenham Israel
  • Ameaça de fechamento permanente do Estreito de Hormuz como instrumento de pressão
  • Acordo é bilateral, permitindo que Irã rompa se Estados Unidos ou Israel violarem termos

Jornalista Pepe Escobar afirma que ameaça de assassinato atribuída ao Mossad contra delegação iraniana impediu assinatura presencial de memorando entre EUA e Irã na Suíça, com acordo sendo assinado em Versalhes.

Na sexta-feira, 19 de junho, o jornalista Pepe Escobar apresentou uma narrativa extraordinária sobre os bastidores de uma negociação diplomática que poderia redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio. Segundo ele, uma ameaça de assassinato atribuída ao Mossad contra membros da delegação iraniana impediu que um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã fosse assinado presencialmente na Suíça. A informação, afirmou Escobar, foi interceptada pelos serviços de inteligência paquistaneses e repassada aos negociadores. O resultado foi que a cerimônia de assinatura, originalmente marcada para 19 de junho em Genebra, foi cancelada e transferida para Versalhes, na França — uma mudança que Escobar descreveu como uma solução de segunda categoria diante de uma ameaça imediata à vida dos diplomatas iranianos.

O memorando em questão vai muito além de questões nucleares, segundo a análise apresentada. Ele abrange um cessar-fogo regional, o controle do Estreito de Hormuz e uma reorganização geopolítica mais ampla que envolveria Irã, Estados Unidos, mediação paquistanesa, apoio velado da China e contribuições de Catar, Turquia, Arábia Saudita e membros do Conselho de Cooperação do Golfo. Após a interceptação da ameaça, o Irã teria enviado uma mensagem clara a Washington através do Paquistão: se Israel continuar suas operações militares no Líbano ou contra o Irã, o memorando entrará em colapso. A mensagem foi ainda mais direta quanto aos porta-aviões norte-americanos na região — o Irã exigiu que fossem contidos, caso contrário toda a estrutura diplomática desabaria.

O caráter bilateral do memorando marca uma mudança estrutural nas relações entre Washington e Teerã. Diferentemente dos padrões históricos de sanções unilaterais e rupturas impostas pelos Estados Unidos, este acordo estabelece que se uma parte o violar, a outra tem direito a fazer o mesmo. Escobar enfatizou que Washington ainda não teria compreendido plenamente essa mudança de paradigma. Se os Estados Unidos ou Israel violarem os termos, o Irã poderá responder com dureza ainda maior, inclusive contra aliados regionais. O comentarista Zulfiqar Ali reforçou que o Paquistão foi elevado a um papel muito mais significativo do que um intermediário convencional — Teerã, com apoio de Washington, o posicionou como canal central para comunicar alertas e exigências.

O Estreito de Hormuz emergiu como instrumento de pressão central nessa disputa. Ali afirmou que, se o memorando colapsar, o Irã poderia fechar permanentemente a passagem estratégica que controla grande parte do comércio global de petróleo. Essa ação teria impacto devastador na economia mundial. Segundo as fontes de Ali, o Irã estabeleceu um ultimato com prazo até segunda-feira para que os Estados Unidos contivessem Israel. Caso contrário, Teerã poderia atacar Israel a partir de terça-feira e avançar em capacidades nucleares inspiradas no modelo norte-coreano. A mensagem foi comunicada diretamente pelos paquistaneses aos norte-americanos e enfatizada ao vice-presidente J.D. Vance.

Escobar colocou Donald Trump no centro dessa encruzilhada. O presidente norte-americano teria a possibilidade de telefonar aos israelenses e exigir que recuassem, enquanto há ainda tempo. Mas Escobar também destacou a instabilidade das declarações públicas de Trump, deixando em aberto se o presidente compreenderia a dimensão do alerta. Ali descreveu Trump aos iranianos como um "animal enjaulado" — uma expressão para transmitir que o presidente estaria pressionado e com margem limitada de manobra. Escobar classificou o ultimato iraniano como uma "bomba enorme" e questionou se Washington finalmente entenderia a dimensão da ameaça.

A análise apresentada no programa insistiu que o memorando ainda poderia sobreviver, mas apenas se Israel interrompesse suas operações militares e os Estados Unidos respeitassem o entendimento. Caso contrário, toda a estrutura diplomática desapareceria antes mesmo de produzir efeitos concretos. Escobar argumentou que o tabuleiro geopolítico mudou fundamentalmente após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Washington e Tel Aviv teriam sofrido uma derrota estratégica autoinfligida e ainda não compreenderiam as novas condições da disputa. Para ele, não há em Washington figuras com a estatura de um Talleyrand ou Bismarck — apenas oportunistas e mediocridades incapazes de lidar com essa derrota. Zulfiqar Ali concluiu que o mundo mudou após a decisão de atacar o Irã, e já não é mais o mesmo. A resposta sobre a sobrevivência do memorando, segundo Escobar, viria clara na segunda-feira.

Houve uma ameaça crível, muito, muito crível, de o Mossad assassinar um ou talvez dois ou talvez toda a delegação iraniana que iria à Suíça
— Pepe Escobar
O memorando de entendimento é bilateral. Se um lado o rompe, o outro lado tem todos os motivos para rompê-lo também
— Pepe Escobar
O Paquistão foi elevado pelo Irã, com apoio de Trump e dos Estados Unidos, a um papel muito mais significativo
— Zulfiqar Ali
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como uma ameaça de assassinato interceptada consegue impedir um acordo diplomático de tão grande escala?

Model

Porque não é apenas sobre assinatura em um papel. É sobre confiança. Se a delegação iraniana não chega viva à Suíça, não há negociação. O Irã não assina nada enquanto seus diplomatas estão sob ameaça de morte.

Inventor

Por que o Paquistão ganhou tanta importância nessas negociações?

Model

Porque o Paquistão é o único que consegue falar com todos. Tem relações com o Irã, com os Estados Unidos, com a China. Quando o Irã quer enviar uma mensagem que precisa ser levada a sério, usa o Paquistão como garantidor.

Inventor

O ultimato de segunda-feira para terça-feira parece muito específico. Isso é real ou é retórica?

Model

A especificidade é o que torna isso perigoso. Não é uma ameaça vaga. É um prazo. Se você estabelece um prazo e depois não cumpre, perde credibilidade. O Irã não pode se dar ao luxo de fazer ameaças vazias.

Inventor

E se Trump realmente ligar para os israelenses e disser para recuarem?

Model

Então o memorando sobrevive por enquanto. Mas a questão real é se Israel obedece. Trump pode dar a ordem, mas não controla completamente as ações militares israelenses. Essa é a fragilidade do acordo.

Inventor

O que acontece com o Estreito de Hormuz se tudo desabar?

Model

O comércio global para. Não é hipérbole. Quarenta por cento do petróleo que move o mundo passa por ali. Se o Irã fecha, os preços explodem, as economias entram em choque. É por isso que essa ameaça é tão credível.

Inventor

Você acha que Washington realmente não entendeu que as regras mudaram?

Model

Washington está acostumado a impor sua vontade. Agora está diante de alguém que pode impor consequências reais e está disposto a fazê-lo. Essa é uma mudança que leva tempo para processar.

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