Operação policial no Rio deixa quatro mortos e 50 turistas retidos em favela

Pelo menos quatro pessoas morreram durante a operação policial; 50 turistas ficaram retidos e traumatizados; um passageiro foi ferido por bala perdida; desde o início da Operação Contenção, 137 pessoas morreram em confrontos.
Parecia uma guerra, com granadas sendo lançadas
O fotógrafo Ari Kaye descreveu o momento em que turistas foram apanhados no meio de confrontos armados no miradouro de Santa Marta.

Antes do amanhecer, a favela de Santa Marta tornou-se palco de mais um capítulo de uma guerra silenciosa que o Rio de Janeiro trava há décadas contra o crime organizado. Agentes da Polícia Civil entraram na comunidade de Botafogo para cumprir mandados contra o Comando Vermelho, e os confrontos que se seguiram deixaram pelo menos quatro mortos — enquanto, no alto do morro, mais de cinquenta turistas que esperavam ver o nascer do sol se viram deitados no chão, entre rajadas de tiros e explosões. A Operação Contenção, que já ceifou 137 vidas desde o seu início, levanta questões profundas sobre os limites entre segurança pública e o custo humano de combater o poder enraizado do tráfico.

  • Pouco depois das quatro da manhã, disparos e explosões rasgaram o silêncio de Santa Marta, transformando uma operação policial planeada numa cena descrita por testemunhas como 'uma guerra'.
  • Mais de cinquenta turistas que subiam ao miradouro Dona Marta para ver o amanhecer foram forçados a deitar-se no chão enquanto balas ecoavam pelas encostas — um passageiro de autocarro foi atingido por bala perdida na perna.
  • O fotógrafo Ari Kaye, ainda a tremer, descreveu pânico e impotência: 'Foi muito tiro, muito tiro' — e partilhou vídeos nas redes sociais que rapidamente circularam pelo mundo.
  • A Polícia Civil justificou a ação como parte da Operação Contenção, visando a logística do tráfico e o domínio territorial armado do Comando Vermelho na comunidade.
  • Com 137 mortos, 360 detidos e 480 armas apreendidas desde o início da campanha, a operação continua a expandir-se — e o Consulado Português confirmou ter verificado, sem ocorrências registadas, se cidadãos lusos foram afetados.

Antes do amanhecer chegar ao Rio de Janeiro, a favela de Santa Marta acordou para o som de disparos. Eram pouco depois das quatro da manhã quando agentes da Polícia Civil entraram na comunidade de Botafogo para executar dezenas de mandados contra suspeitos do Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais poderosas do Brasil. Pelo menos quatro pessoas morreram nos confrontos que se seguiram.

No topo da favela, mais de cinquenta turistas tinham subido ao miradouro Dona Marta para assistir ao nascer do sol — um dos pontos mais procurados do Rio, com vistas para o Cristo Redentor e a Baía de Guanabara. Quando os tiros começaram, foram forçados a deitar-se no chão. Rajadas e explosões sacudiam o ar. O fotógrafo Ari Kaye registou tudo em vídeo: 'Parecia uma guerra, com granadas sendo lançadas. Os turistas tiveram que deitar no chão. Eu ainda estou tremendo.' Entretanto, um passageiro de autocarro foi atingido por bala perdida na perna.

A operação insere-se na Operação Contenção, uma campanha mais ampla para travar a expansão territorial do Comando Vermelho — organização nascida nas prisões do Rio nos anos 1970 e hoje presente na maioria dos estados brasileiros. Numa fase anterior, em outubro de 2025, uma ofensiva nos complexos da Penha e do Alemão tornou-se a mais mortífera da história do Rio, com 122 mortos. Desde o início da campanha, os números são alarmantes: 137 mortos em confrontos, mais de 360 detidos e cerca de 480 armas apreendidas.

O Consulado Geral de Portugal no Rio, situado no bairro dos tiroteios, confirmou ter contactado as autoridades para verificar se cidadãos portugueses foram afetados — as respostas foram negativas, embora a possibilidade não tenha sido totalmente excluída. Para os turistas que estavam no miradouro naquela manhã, a experiência deixou marcas que vão muito além do susto do momento.

Antes do amanhecer chegar ao Rio de Janeiro, a favela de Santa Marta acordou para o som de disparos. Eram pouco depois das quatro da manhã quando agentes da Polícia Civil entraram na comunidade localizada na zona sul da cidade, no bairro de Botafogo, para executar dezenas de mandados de detenção e busca. O alvo era suspeitos ligados ao Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais poderosas do Brasil. Pelo menos quatro pessoas morreram nos confrontos que se seguiram.

No topo da favela, no miradouro Dona Marta, mais de cinquenta turistas tinham subido para assistir ao nascer do sol. É um dos pontos mais procurados do Rio, um lugar onde se veem as vistas panorâmicas do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara. Quando os tiros começaram, eles foram forçados a deitar-se no chão. Rajadas de tiros ecoavam pelas encostas. Explosões sacudiam o ar. Um fotógrafo que acompanhava o grupo registou tudo em vídeo e depois partilhou nas redes sociais.

"Parecia uma guerra, com granadas sendo lançadas", disse o fotógrafo Ari Kaye, descrevendo o que tinha visto. "Os turistas e guias tiveram que deitar no chão, foi muito assustador, desesperador. Eu ainda estou tremendo. É uma sensação de pânico e impotência, algo realmente muito agressivo. Foi muito tiro, muito tiro." Enquanto isso, um passageiro de um autocarro que circulava na principal via de acesso à favela foi atingido por uma bala perdida na perna.

A operação fazia parte da Operação Contenção, uma campanha mais ampla para travar a expansão territorial do Comando Vermelho. A organização nasceu nas prisões do Rio na década de 1970 e agora tem ramificações na maioria dos estados brasileiros e em alguns países vizinhos. A Polícia Civil divulgou um comunicado explicando que a ação tinha como objetivo identificar "integrantes responsáveis pela logística do tráfico de drogas, divisão de funções e manutenção do domínio territorial armado na comunidade".

Esta não foi a primeira fase da Operação Contenção. No final de outubro de 2025, a polícia tinha lançado uma ofensiva nos complexos de favelas da Penha e do Alemão que se tornou a mais mortífera da história do Rio de Janeiro, com um balanço de 122 mortos, incluindo cinco polícias. Desde o início da campanha, os números são ainda mais alarmantes: mais de 360 pessoas foram detidas, outras 137 morreram em confrontos e foram apreendidas cerca de 480 armas de fogo, entre as quais 190 espingardas automáticas, além de mais de 51 mil munições.

O Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro, situado no bairro onde ocorreram os tiroteios, confirmou que tinha questionado as várias polícias envolvidas sobre possíveis cidadãos portugueses afetados. As respostas foram negativas, embora o consulado não tenha excluído a possibilidade de ainda ser registada alguma ocorrência. Para os turistas que estavam no miradouro naquela manhã, a experiência deixou marcas que vão além do susto do momento.

Parecia uma guerra, com granadas sendo lançadas. Os turistas e guias tiveram que deitar no chão, foi muito assustador, desesperador. Eu ainda estou tremendo.
— Fotógrafo Ari Kaye
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
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Por que é que um miradouro turístico se tornou uma zona de guerra?

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Porque fica no topo de uma favela que é território controlado pelo Comando Vermelho. Os turistas não sabiam que a polícia estava a fazer uma operação naquela manhã. Subiram para ver o nascer do sol e encontraram-se apanhados no meio de um confronto armado.

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Quantas pessoas morreram?

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Pelo menos quatro durante esta operação específica em Santa Marta. Mas isto é parte de uma campanha maior que começou em outubro. Nessa primeira fase, morreram 122 pessoas. Desde o início, 137 morreram em confrontos.

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O que é que a polícia estava a procurar?

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Mandados de detenção e busca contra suspeitos ligados ao Comando Vermelho. Pessoas envolvidas na logística do tráfico de drogas, na divisão de funções, na manutenção do controlo armado da comunidade.

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E os turistas? Como é que saíram dali?

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O relato não diz explicitamente, mas um fotógrafo que estava com eles gravou vídeo do que acontecia. Descreveu como todos tiveram de se deitar no chão enquanto ouviam rajadas de tiros e explosões. Disse que ainda estava tremendo quando falou sobre isso.

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Isto vai continuar?

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A Operação Contenção está em curso. Esta foi a segunda fase. A polícia diz que quer travar a expansão territorial do Comando Vermelho. Já detiveram mais de 360 pessoas e apreenderam quase 500 armas de fogo.

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