Deixou espalhados os corpos de várias pessoas ao longo de uma ravina de mais de 200 metros
Na madrugada de 18 de junho, cinquenta trabalhadores mineiros seguiam pelos Andes peruanos quando o autocarro que os transportava desapareceu numa ravina de mais de duzentos metros. Dezassete não sobreviveram. O acidente, segundo acidente mortal grave em dez dias no Peru, não é uma anomalia — é o rosto visível de um problema estrutural antigo, onde a imprudência humana, o abandono das estradas e a brutalidade da geografia andina continuam a cobrar o seu tributo silencioso.
- Um autocarro com cerca de 50 trabalhadores mineiros perdeu o controlo às quatro da manhã e caiu numa ravina de mais de 200 metros numa zona montanhosa de difícil acesso a 450 quilómetros de Lima.
- O balanço chegou a 17 mortos e 14 feridos, com algumas vítimas a falecerem ainda durante o transporte para o hospital — uma corrida contra o tempo agravada pelo isolamento do local.
- As equipas de bombeiros de Nasca enfrentaram um resgate exigente numa encosta íngreme, recolhendo corpos dispersos ao longo da ravina antes de conseguirem evacuar os sobreviventes mais graves para Ica.
- Este é o segundo acidente com 17 mortos em apenas dez dias no Peru, repetindo em número e em circunstâncias o desastre de 8 de junho na região de La Libertad.
- Os especialistas apontam um padrão persistente: imprudência dos condutores, veículos e estradas em mau estado, e ravinas andinas sem barreiras de proteção — um cenário que mata cerca de 3.000 peruanos por ano.
Na madrugada de 18 de junho, um autocarro da empresa Palomino saiu da estrada ao quilómetro 40 da via que liga Nasca a Puquio, nos Andes peruanos, e caiu numa ravina com mais de 200 metros de profundidade. A bordo seguiam cerca de 50 trabalhadores mineiros. O condutor perdeu o controlo por razões ainda desconhecidas; o veículo capotou várias vezes ao descer a encosta íngreme do distrito de Leoncio Prado, na região andina de Ayacucho.
Quando as equipas de resgate conseguiram chegar ao local — de acesso difícil, a 450 quilómetros a sudeste de Lima — encontraram corpos dispersos pela ravina. O balanço final fixou-se em 17 mortos e 14 feridos. O diretor do hospital de Nasca, Víctor Núñez, confirmou à rádio RPP que alguns feridos morreram durante o transporte. Os dois casos mais graves foram transferidos para Ica para cuidados especializados.
O acidente foi o segundo de grande envergadura em apenas dez dias: a 8 de junho, outras 17 pessoas tinham morrido quando um autocarro caiu numa ravina na região de La Libertad. A coincidência no número de vítimas sublinha um padrão que os especialistas conhecem bem — imprudência, estradas degradadas e uma geografia andina que não perdoa erros. No Peru, cerca de 3.000 pessoas morrem anualmente em acidentes de viação, e as ravinas sem barreiras de proteção continuam a transformar cada perda de controlo numa tragédia coletiva.
Na madrugada de 18 de junho, um autocarro saiu da estrada nos Andes peruanos e desapareceu numa ravina de mais de 200 metros de profundidade. Quando as equipas de resgate conseguiram chegar ao local — uma zona montanhosa de acesso difícil a 450 quilómetros a sudeste de Lima — encontraram pelo menos 14 corpos espalhados ao longo da encosta. O balanço final seria ainda mais pesado: 17 mortos e 14 feridos, alguns deles falecendo durante o transporte para o hospital mais próximo.
O acidente ocorreu por volta das quatro da manhã, ao quilómetro 40 da estrada que liga as cidades turísticas de Nasca e Puquio, numa região montanhosa do distrito de Leoncio Prado, na zona andina meridional de Ayacucho. O veículo pertencia à empresa de transportes Palomino e levava a bordo cerca de 50 trabalhadores de uma empresa mineira, num trajeto de 50 quilómetros em direcção a Arequipa. Pelas razões que ainda permanecem desconhecidas, o condutor perdeu o controlo. O autocarro saiu da estrada e capotou várias vezes ao descer a ravina, deixando um rasto de vítimas ao longo da encosta íngreme.
O diretor do hospital Ricardo Cruzado Rivarola, em Nasca, Víctor Núñez, revelou à rádio RPP que alguns dos feridos morreram durante o transporte para a unidade hospitalar. Entre os sobreviventes, dois feridos em estado grave foram transferidos para a cidade de Ica, capital da região homónima a que Nasca pertence, para receberem cuidados mais especializados. As equipas de bombeiros de Nasca participaram nas operações de resgate, recolhendo os corpos dispersos pela ravina num trabalho que só foi possível após conseguirem acesso a um local de difícil alcance.
Este foi o segundo acidente mortal de grande envergadura em apenas dez dias. A 8 de junho, 17 pessoas tinham morrido quando outro autocarro caiu numa ravina na região de La Libertad, a 500 quilómetros a norte de Lima. A coincidência no número de vítimas — 17 em ambos os casos — sublinha um padrão preocupante nas estradas peruanas.
Os acidentes desta magnitude não são exceção no Peru. Segundo o Conselho Nacional de Segurança Rodoviária, cerca de 3.000 pessoas morrem anualmente em acidentes de viação no país, a maioria atropeladas, enquanto aproximadamente 55.000 ficam feridas. Os especialistas apontam três factores principais: a imprudência dos condutores, o estado deficiente das estradas e dos veículos, e a geografia adversa das regiões montanhosas. As ravinas dos Andes, com declives abruptos e sem barreiras de protecção, transformam qualquer perda de controlo numa tragédia. Este acidente, como tantos outros antes dele, é um reflexo de um problema estrutural que continua a cobrar vidas nas estradas peruanas.
Citações Notáveis
Algumas das pessoas que ficaram feridas no acidente morreram durante o transporte para o hospital— Víctor Núñez, diretor do hospital Ricardo Cruzado Rivarola
Cerca de 3.000 pessoas morrem anualmente em acidentes de viação no Peru, a maioria por atropelamento, e cerca de 55.000 ficam feridas— Conselho Nacional de Segurança Rodoviária do Peru
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
O que torna estas estradas tão perigosas? É apenas a geografia?
A geografia é parte da história, mas não é tudo. Uma ravina de 200 metros é mortal, sim, mas há estradas montanhosas seguras no mundo. No Peru, o problema é a combinação: condutores cansados ou imprudentes, autocarros velhos, estradas mal mantidas, e nenhuma barreira de protecção. Tudo junto.
Porque é que isto acontece duas vezes em dez dias? É coincidência?
Não é coincidência. São 3.000 mortes por ano nas estradas peruanas. Isto significa que a cada dia morrem oito pessoas. Dois acidentes graves em dez dias não é excepcional — é apenas o que fica nos jornais porque mata muita gente de uma vez.
Os trabalhadores mineiros — sabemos algo sobre eles?
Eram cerca de 50 pessoas num trajeto de 50 quilómetros. Provavelmente cansados, talvez viajando de madrugada para chegar ao trabalho. O autocarro era da empresa Palomino, uma transportadora. Nada de especial — apenas pessoas a ir trabalhar que nunca chegaram.
E os que sobreviveram?
Catorze feridos. Alguns morreram a caminho do hospital. Dois em estado grave foram levados para Ica, a capital regional. Mas a maioria? Não sabemos. O relato termina aí.
Isto vai mudar algo?
Provavelmente não. Isto é a segunda tragédia em dez dias com o mesmo número de mortos. Se a primeira não mudou nada, porque mudaria a segunda?