Pedreiro morre soterrado em obra da prefeitura baiana; moradores denunciam falta de EPI

Trabalhador Idinaldo de Oliveira morreu soterrado durante obra pública, deixando filha que presenciou o acidente e tentou resgatá-lo.
Trabalhava sem equipamentos de proteção em uma ribanceira muito alta, muito íngreme
Descrição das condições de risco extremo onde Idinaldo de Oliveira morreu soterrado em obra da prefeitura.

Na tarde de uma sexta-feira de março, um trabalhador chamado Idinaldo de Oliveira foi soterrado pelo próprio chão que escavava em nome da prefeitura de Baixa Grande, na Bahia. Sua morte, testemunhada pela própria filha, revela uma ferida antiga no tecido das obras públicas brasileiras: a distância entre o que a lei exige e o que o trabalhador encontra no canteiro. O caso chega às mãos do Ministério Público do Trabalho carregando perguntas que vão além do acidente — sobre contratos, fiscalização e o valor que o poder público atribui à vida de quem constrói suas obras.

  • Um pedreiro foi soterrado vivo enquanto escavava uma ribanceira íngreme sem qualquer estrutura de proteção instalada ao redor.
  • A filha de Idinaldo tentou resgatar o pai com as próprias mãos, e a cena marcou a comunidade de Baixa Grande de forma irreversível.
  • Moradores denunciam que os operários trabalhavam sem capacetes, sem cintos de segurança e sem nenhum EPI — em uma obra de alto risco reconhecido.
  • Há suspeitas de que Idinaldo não tinha carteira assinada, recebendo pagamento semanal em dinheiro, o que aponta para uma contratação irregular pela prefeitura.
  • O Ministério Público do Trabalho afirmou desconhecer o caso e prometeu investigar; se confirmado acidente de trabalho, um inquérito poderá ser aberto para apurar responsabilidades.

Na tarde de 20 de março, Idinaldo de Oliveira — conhecido na cidade como Bia Pedreiro — morreu soterrado enquanto escavava uma ribanceira em Baixa Grande, no interior da Bahia. Ele trabalhava em uma obra de contenção de barranco contratada pela prefeitura municipal quando o solo cedeu sobre ele. O resgate foi feito por moradores que passavam pelo local, entre eles a própria filha de Idinaldo, que tentou retirar o pai com as mãos.

O que a tragédia expôs vai além do acidente em si. Segundo relatos de moradores, a obra apresentava riscos evidentes: uma encosta alta e íngreme, sem estruturas de proteção e sem equipamentos de segurança para os trabalhadores. Nenhum capacete, nenhum cinto — nada que pudesse reduzir o risco de um colapso como aquele. Além disso, moradores afirmam que nenhuma das obras da prefeitura conta com fiscalização do CREA, e há suspeitas de que Idinaldo trabalhava de forma irregular, sem registro em carteira, recebendo pagamento semanal em dinheiro.

A Prefeitura de Baixa Grande confirmou a morte em nota oficial, mas sem detalhar as circunstâncias ou as condições da obra. Como gesto de respeito, cancelou um evento público programado para o período. O Ministério Público do Trabalho informou que não tinha conhecimento do caso e que irá apurar os fatos — se a morte for caracterizada como acidente de trabalho, um inquérito poderá ser instaurado. A Polícia Civil, por sua vez, disse não ter localizado registro formal da ocorrência. A comunidade de Baixa Grande aguarda respostas e cobra medidas concretas para que outras obras públicas não repitam o mesmo destino.

Na tarde de sexta-feira, 20 de março, um homem conhecido como Bia Pedreiro morreu soterrado em uma ribanceira na cidade de Baixa Grande, no interior da Bahia, enquanto trabalhava em uma obra de contenção de barranco para a prefeitura municipal. Seu nome era Idinaldo de Oliveira. Ele estava escavando o terreno para a instalação de pilares que sustentariam a encosta quando o solo cedeu e o sepultou.

O resgate foi feito por moradores que passavam pelo local. Entre eles estava a filha de Idinaldo, que tentou retirar o corpo do pai com as próprias mãos. A cena deixou marcas profundas na comunidade e abriu uma série de questionamentos sobre as condições de segurança nas obras públicas do município.

Segundo relatos de moradores ouvidos após o acidente, o local da obra apresentava características de alto risco: uma ribanceira muito alta, muito íngreme e muito profunda, sem nenhuma estrutura de proteção instalada. Mas o que mais chamou atenção foi a ausência quase total de equipamentos de proteção individual. Os operários trabalhavam sem EPI — sem capacetes, sem cintos de segurança, sem nada que pudesse minimizar os riscos de um acidente como aquele que matou Idinaldo.

A falta de segurança não se limitava aos equipamentos. Moradores apontam que nenhuma das obras em execução pela prefeitura de Baixa Grande conta com inspeção do CREA, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia. Essa ausência de fiscalização técnica significa que não há um profissional qualificado acompanhando as intervenções, verificando se os procedimentos estão sendo seguidos corretamente. Além disso, há suspeitas de que Idinaldo não tinha carteira assinada — estava trabalhando de forma irregular, recebendo pagamento semanal em dinheiro direto.

A Prefeitura de Baixa Grande divulgou uma nota confirmando a morte do trabalhador, mas sem detalhar as circunstâncias do acidente ou as condições da obra. O município anunciou o cancelamento do evento "Verão na Praça" em sinal de respeito aos familiares e à comunidade, reforçando seu compromisso com a responsabilidade diante da situação.

O Ministério Público do Trabalho informou que não tinha conhecimento do caso até então e que irá verificar as informações. Se a morte for confirmada como resultado de acidente de trabalho, um inquérito poderá ser instaurado para apurar as responsabilidades. A Polícia Civil da Bahia, por sua vez, informou que até o momento não localizou registro formal da ocorrência. O caso gerou repercussão entre os moradores de Baixa Grande, que agora cobram explicações e medidas concretas para garantir mais segurança nas obras públicas do município.

Ele estava trabalhando em uma obra de contenção, escavando um buraco em uma ribanceira. Só que esse local é muito alto, muito íngreme, muito profundo e não tinha nenhuma estrutura para dar segurança
— Morador de Baixa Grande que prefere não se identificar
Os operários não têm EPI, então eles trabalham sem equipamentos de proteção individual, que é outra coisa gritante nesse contexto
— Morador de Baixa Grande
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um acidente como esse acontece em uma obra pública, onde deveria haver mais controle?

Model

Porque não há fiscalização. Sem o CREA acompanhando, sem inspetor de obra, sem ninguém verificando se as coisas estão sendo feitas direito, o risco fica invisível até o momento em que alguém morre.

Inventor

E quanto aos equipamentos de proteção? Por que não havia EPI?

Model

Equipamento custa dinheiro. Se você está pagando um trabalhador por semana, em dinheiro, sem carteira assinada, você não está investindo em segurança. É mais barato deixar o homem trabalhar sem proteção do que comprar capacete, cinto, luvas.

Inventor

A filha dele estava lá quando aconteceu?

Model

Estava passando pelo local e viu o barranco ceder. Tentou tirar o pai com as mãos. Isso é o que fica — não é só um acidente de trabalho, é uma família destruída.

Inventor

O que muda agora que o Ministério Público está envolvido?

Model

Talvez nada, talvez tudo. Depende se conseguem provar que houve negligência. Se provarem, alguém responde. Mas o trabalhador já está morto.

Inventor

E as outras obras da prefeitura? Estão todas assim?

Model

Segundo os moradores, sim. Nenhuma tem inspeção técnica. Se uma ribanceira matou um homem, quantos outros estão em risco neste momento?

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