Sempre me posicionar ao que é de interesse público, mesmo que seja impopular
Em Lençóis Paulista, cidade do interior paulista onde nasceu e escolheu permanecer por toda a vida, Paulo Lydio Temer Feres construiu uma trajetória que atravessou o ensino da matemática, a advocacia e o serviço público, partindo de um começo humilde aos 12 anos numa fábrica de macarrão. Faleceu aos 77 anos deixando não apenas uma família — esposa, três filhos e quatro netos — mas uma geração de alunos, colegas e cidadãos marcados por sua convicção de que o conhecimento e o interesse coletivo são inseparáveis. Seu velório no plenário da Câmara Municipal foi, ao mesmo tempo, despedida e reconhecimento: a cidade honrando quem nunca quis ser de outro lugar.
- Um homem que começou limpando banheiros aos 12 anos cursou quatro faculdades e recusou transferências bancárias para não abandonar a cidade que amava.
- A tensão entre ambição pessoal e enraizamento local definiu suas escolhas: ele poderia ter ido embora, mas ficou — e Lençóis Paulista foi o palco de tudo que construiu.
- Como vereador, ia à Câmara todos os dias mesmo sem sessões, elaborando projetos, numa postura que seu filho Glauco descreve como modelo de comprometimento com o interesse público.
- Complicações de saúde encerraram uma vida de 77 anos, e a Prefeitura decretou três dias de luto oficial — sinal de que sua ausência deixa um vazio institucional e humano.
- O legado continua vivo: Glauco, advogado e vereador como o pai, carrega os valores aprendidos em casa para o mesmo espaço público onde Paulo Lydio serviu.
Paulo Lydio Temer Feres aprendeu cedo o valor do esforço. Aos 12 anos, trabalhava numa fábrica de macarrão em Lençóis Paulista, cidade do interior de São Paulo onde passaria toda a vida. Filho de descendentes de libaneses e italianos, transformou aquele começo humilde em uma trajetória marcada pela sede de conhecimento: cursou quatro faculdades — matemática, ciências, direito e teologia — enquanto trabalhava como bancário no Banco do Brasil e lecionava para adolescentes e universitários.
A matemática era sua paixão genuína. Mesmo anos depois de parar de dar aulas, quando as netas chegavam com dúvidas, ele alcançava as fórmulas com a rapidez de quem nunca deixou o raciocínio enferrujar. No Banco do Brasil, recusou transferências para outras cidades — sua identidade estava fincada em Lençóis Paulista. No início dos anos 1990, ingressou no direito e tornou-se advogado, integrando o conselho regional de prerrogativas da OAB.
Em 2001, foi eleito vereador. Ocupava o cargo com seriedade incomum: ia à Câmara todos os dias, mesmo sem sessões, para elaborar projetos de interesse público. Por essa atuação — como parlamentar, advogado e educador — recebeu a Ordem do Mérito Lençoense. Seu filho Glauco, hoje advogado e vereador, aprendeu com ele a se posicionar pelo interesse coletivo mesmo quando impopular.
Fora da vida pública, Paulo Lydio era caseiro e ordenado. Às sextas-feiras, cuidava do sítio. Era devoto de Nossa Senhora Aparecida, torcedor do São Paulo e conversador fácil sobre política, cultura e esportes. Casado por 54 anos com Vera Lúcia, também professora, teve três filhos: Michel, Gabriel e Glauco.
Morreu em 12 de junho, aos 77 anos, após complicações de saúde, deixando esposa, filhos, três netas e um neto. A Prefeitura decretou luto oficial de três dias. Seu corpo foi velado no plenário da Câmara Municipal — o mesmo espaço onde serviu à cidade que nunca quis deixar.
Paulo Lydio Temer Feres começou cedo a entender que a educação era o caminho. Aos 12 anos, enquanto ainda era adolescente, já trabalhava limpando banheiros numa fábrica de macarrão em Lençóis Paulista, interior de São Paulo — a cidade onde passaria toda a sua vida. Filho de pais descendentes de libaneses e italianos, ele transformaria aquele começo humilde em uma trajetória que tocaria centenas de pessoas através do ensino, da lei e do serviço público.
Paulo Lydio cursou quatro faculdades: matemática, ciências, direito e teologia. Essa sede de conhecimento não era mera ambição pessoal — era método. Ele conciliava tudo: trabalho como bancário no Banco do Brasil, onde recusou transferências para outras cidades porque se identificava profundamente com Lençóis Paulista, com a docência de matemática para adolescentes e universitários, e depois com a advocacia. Seu filho Glauco Temer Feres, hoje com 51 anos, lembra que o pai "sempre conciliou trabalho com estudos". A matemática era sua paixão genuína — mesmo anos depois de parar de lecionar, quando as netas o procuravam com dúvidas, ele chegava rápido às fórmulas, movido por um raciocínio que nunca enferrujou.
No início dos anos 1990, prestou vestibular para direito. Tornou-se advogado e permaneceu na profissão até o final de sua vida, integrando o conselho regional de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil. Em 2001, foi eleito vereador. Não era um cargo que ocupava apenas formalmente — ia todos os dias à Câmara Municipal, mesmo quando não havia sessões, para elaborar projetos de interesse público. Glauco, que também é advogado e vereador pelo Podemos, aprendeu com o pai a "sempre me posicionar ao que é de interesse público, mesmo que seja uma decisão impopular". Por sua atuação parlamentar, como advogado e educador, Paulo Lydio recebeu a Ordem do Mérito Lençoense. Não se reelegeu — o coeficiente eleitoral não permitiu, e ele não quis se candidatar novamente.
Sua vida era simples e ordenada. Caseiro, saía cedo para o escritório de advocacia. Às sextas-feiras, ia ao sítio cuidar da plantação e dos animais. Era devoto de Nossa Senhora Aparecida e acompanhava as missas regularmente. De fala fácil, conversava sobre política, cultura e esportes — especialmente sobre o São Paulo, seu time. Era uma pessoa mais de razão que de emoção, e encarava a morte com naturalidade.
Paulo Lydio foi casado por 54 anos com Vera Lúcia, também professora. O casal teve três filhos: Michel, Gabriel e Glauco. Treze anos antes de sua morte, havia feito uma cirurgia na aorta e se recuperado, mas complicações de saúde voltaram a aparecer recentemente. Morreu em 12 de junho, aos 77 anos, deixando a esposa, os três filhos, três netas e um neto. A Prefeitura de Lençóis Paulista decretou luto oficial de três dias. Seu corpo foi velado no plenário da Câmara Municipal — um reconhecimento final de alguém que dedicou sua vida à cidade e às pessoas que nela viviam.
Citas Notables
Ele sempre conciliou trabalho com estudos— Glauco Temer Feres, filho de Paulo Lydio
Ele ensinou a sempre me posicionar ao que é de interesse público, mesmo que seja uma decisão impopular— Glauco Temer Feres
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
O que fez Paulo Lydio diferente de outros educadores que passaram por Lençóis Paulista?
Ele não separava a vida da lição. Enquanto ensinava matemática, vivia a disciplina, a precisão, o raciocínio — não apenas na sala de aula, mas como bancário, como advogado, como vereador. As pessoas viam isso.
Quatro faculdades é incomum. Por que ele fez isso?
Não era vaidade. Era curiosidade genuína. Matemática, ciências, direito, teologia — cada uma respondia a uma pergunta diferente sobre como viver e como servir. Ele queria entender o mundo por ângulos diferentes.
Ele parece ter recusado promoções no banco. Por quê?
Lençóis Paulista era sua raiz. Transferências significariam deixar a comunidade que o formou. Para Paulo Lydio, estar onde você é necessário era mais importante que subir na carreira.
Como um homem tão racional encarava a morte?
Com naturalidade. Ele não dramatizava. Viveu bem, trabalhou bem, deixou filhos que continuam o trabalho. Para ele, isso era suficiente.
Seu filho Glauco seguiu o mesmo caminho — advogado, vereador. Isso foi planejado?
Não acho que Paulo Lydio planejou. Mas ensinou pelo exemplo. Glauco viu o pai colocando interesse público acima de popularidade, e isso marcou. O legado não é um plano — é uma forma de estar no mundo.
O que a cidade perdeu quando ele morreu?
Perdeu alguém que estava lá todos os dias, pensando em projetos, conversando, ensinando. Não era um personagem público distante. Era presença constante, razão pela qual a Câmara Municipal o velou.