Modelo matemático alemão prevê Países Baixos campeões em 2026, com Portugal na final

É completamente irracional. É como jogar na lotaria.
O próprio criador do modelo matemático adverte contra levar as previsões demasiado a sério.

Há algo de profundamente humano na tentativa de domesticar o acaso com equações. Joachim Klement, matemático alemão, construiu um modelo que acertou os campeões dos últimos três Mundiais — Alemanha, França e Argentina — e agora aponta os Países Baixos como vencedores de 2026, com Portugal na final. O próprio criador, porém, é o primeiro a lembrar que entre a matemática e o relvado existe um abismo onde vivem o imprevisto, o acidente e a genialidade.

  • Um modelo que acertou três Mundiais consecutivos voltou a falar — e desta vez aponta os Países Baixos, a seleção que chegou a três finais sem nunca vencer, como campeã do mundo em 2026.
  • Portugal é colocado na final, enquanto Espanha e Inglaterra são eliminadas nas semifinais, numa previsão que contraria as hierarquias mais convencionais do futebol mundial.
  • O modelo alimenta-se de variáveis como minutos jogados, ranking FIFA e PIB per capita, combinando dados concretos com um elemento deliberado de aleatoriedade.
  • O próprio Klement desmonta a seriedade da previsão ao compará-la a jogar na lotaria — a ciência aponta um caminho, mas admite não controlar o destino.

Dezasseis anos depois de um polvo chamado Paul se tornar celebridade ao adivinhar resultados do Mundial de 2010, a ideia do profeta improvávelevolui para algo mais rigoroso. Joachim Klement, matemático alemão, transformou essa fantasia em cálculos: um modelo alimentado por minutos em campo, ranking mundial, PIB per capita e uma dose assumida de aleatoriedade. O resultado foi notável — três previsões, três acertos. Alemanha em 2014, França em 2018, Argentina em 2022.

Quando a primeira previsão se confirmou, o próprio Klement confessou estar chocado. O modelo ignorara a convenção de que uma equipa europeia não venceria em solo sul-americano e simplesmente calculou. Para 2026, a ousadia é maior: os Países Baixos — três vezes finalistas, nunca campeões — serão os vencedores, enfrentando Portugal na final após a eliminação de Espanha e Inglaterra nas meias.

Mas Klement é o primeiro a travar o entusiasmo. Admite que o exercício é "completamente irracional" e equivale a jogar na lotaria. É nessa tensão que reside a honestidade do modelo: os números podem desenhar um mapa, mas o futebol continua a ser decidido onde nenhuma equação chega — num momento de inspiração, numa lesão, num árbitro.

Há dezasseis anos, um polvo chamado Paul tornou-se famoso ao "prever" corretamente os resultados da Alemanha no Mundial de 2010, na África do Sul. O que começou como uma brincadeira evoluiu para algo mais rigoroso. Joachim Klement, um matemático alemão, desenvolveu um modelo de probabilidades que transformou a ideia do polvo profeta em cálculos sofisticados — e os números têm sido notavelmente precisos.

O modelo de Klement funciona alimentando-se de variáveis concretas: os minutos que cada jogador acumula em campo, a posição de cada seleção no ranking mundial, o PIB per capita do país, e um elemento deliberado de aleatoriedade que o próprio criador insiste em sublinhar. Não é magia. É matemática. E durante três torneios consecutivos, funcionou. A Alemanha venceu em 2014, no Brasil. A França ganhou em 2018, na Rússia. A Argentina sagrou-se campeã em 2022, no Catar. Três acertos em três tentativas.

Quando a primeira previsão se confirmou, em 2014, Klement confessou estar chocado. Tinha razão em estar — os especialistas desportivos tinham praticamente descartado a possibilidade de uma equipa europeia vencer um Mundial em solo sul-americano. Mas o modelo não se deixou intimidar por convenções. Simplesmente calculou as probabilidades e acertou.

Agora, para 2026, o modelo faz uma previsão ousada. Os Países Baixos serão campeões do mundo. Não é uma escolha óbvia — a seleção holandesa chegou a três finais mas nunca conquistou o troféu. Segundo as projeções de Klement, enfrentarão Portugal na final. O caminho até lá passa pela eliminação de Espanha e Inglaterra nas semifinais. A previsão foi divulgada pela rede ESPN.

Mas Klement tem o cuidado de temperar as expectativas. Ele próprio adverte que as suas previsões não devem ser levadas demasiado a sério. "É completamente irracional", admitiu. "É como jogar na lotaria." A ironia é evidente — um homem que construiu um modelo matemático sofisticado reconhece que o exercício tem tanto de ciência quanto de sorte. Os números podem apontar um caminho, mas o futebol continua a ser jogado em campo, onde variáveis imprevistas — uma lesão, um árbitro, um momento de inspiração — podem desmantelar qualquer previsão.

Da primeira vez, fiquei chocado quando a Alemanha se sagrou campeã mundial no Brasil, também porque todos os especialistas tinham salientado que nunca nenhuma equipa europeia tinha ganho um Mundial na América do Sul
— Joachim Klement
É completamente irracional. É como jogar na lotaria.
— Joachim Klement
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é que um modelo matemático consegue prever resultados de futebol com tanta precisão? Parece impossível.

Model

Klement não está a prever o resultado de cada jogo. Está a calcular probabilidades usando dados reais — quantos minutos jogam os melhores jogadores, como se classifica cada país, até a riqueza relativa da nação. Três acertos em três torneios sugere que há padrões que a matemática consegue captar.

Inventor

Mas o próprio Klement diz que é como jogar na lotaria. Porque é que alguém deveria acreditar?

Model

Porque acertou. Três vezes. Isso não é lotaria — é consistência. Mas Klement é honesto: o futebol tem demasiadas variáveis humanas para ser completamente previsível. O modelo é uma ferramenta, não um oráculo.

Inventor

Portugal na final é uma previsão surpreendente. Não é uma das favoritas tradicionais.

Model

Exatamente. É por isso que o modelo é interessante. Não segue o senso comum. Vê padrões que os comentadores desportivos não veem — talvez a qualidade dos jogadores portugueses, o seu ranking, a sua consistência.

Inventor

E se o modelo errar desta vez?

Model

Então volta ao ponto de partida. Três acertos não garantem o quarto. Mas até lá, é uma previsão digna de atenção.

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