Há bandeiras vermelhas em toda parte para nós
Em meio a uma das maiores consolidações da história do entretenimento global, a Paramount Skydance pede ao Cade brasileiro que aprove, sem restrições, sua fusão de 110 bilhões de dólares com a Warner — invocando precedentes da Austrália e da China como espelhos de um mercado que, segundo a empresa, não seria prejudicado pela operação. O que está em jogo vai além de marcas e canais: trata-se de quem controlará o imaginário audiovisual de milhões de pessoas, dos direitos do futebol sul-americano às franquias que moldaram gerações. A decisão do Cade é apenas uma peça de um quebra-cabeça regulatório que se estende por múltiplos continentes, com o prazo de 30 de setembro pressionando cada jurisdição a se posicionar.
- A Paramount quer fechar a maior fusão do entretenimento mundial até setembro, mas reguladores em três continentes ainda não deram sinal verde.
- No Brasil, a aprovação sem condições consolidaria em uma única empresa os direitos de transmissão da Libertadores, Copa Sul-Americana e Champions League — uma concentração sem precedentes no esporte nacional.
- O procurador-geral da Califórnia alertou publicamente para 'bandeiras vermelhas em toda parte', citando risco de preços mais altos, salários menores e menos escolha para consumidores.
- A Paramount argumenta que aprovações já concedidas na Austrália e na China provam que a fusão não ameaça a concorrência — e que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho.
- Com o prazo original de 15 de julho já ultrapassado, a viabilidade de concluir a operação dentro do calendário estabelecido por David Ellison permanece incerta.
A Paramount Skydance apresentou ao Cade um pedido formal para que a fusão com a Warner seja aprovada no Brasil sem qualquer restrição. A empresa apoia seu argumento em decisões já tomadas na Austrália e na China — ambas favoráveis e sem condições —, sustentando que as dinâmicas concorrenciais nesses mercados se assemelham às do Brasil, tornando limitações desnecessárias.
Se aprovada, a operação criaria um colosso do entretenimento com portfólio que inclui TNT, HBO, CNN, CBS, MTV, Paramount+, DC Studios, Nickelodeon e Cartoon Network, além de franquias como Harry Potter, Game of Thrones, Missão Impossível e O Senhor dos Anéis. No campo esportivo, a nova empresa reuniria os direitos de transmissão da Libertadores, Copa Sul-Americana, Champions League e Campeonato Paulista — uma concentração expressiva no mercado brasileiro de esportes ao vivo.
A fusão, avaliada em 110 bilhões de dólares, já recebeu aval do Departamento de Justiça dos EUA e dos próprios acionistas das duas companhias. A Paramount venceu uma disputa acirrada pela Warner contra a Netflix, oferecendo mais de 30 dólares por ação após acusar a Warner de favorecer a concorrente durante o processo.
O caminho regulatório, porém, ainda é tortuoso. No Reino Unido, a análise está em curso. Na Califórnia, o procurador-geral Rob Bonta abriu investigação em março e declarou ver 'bandeiras vermelhas em toda parte', preocupado com possíveis aumentos de preços, redução de empregos e menos concorrência. A Paramount também aguarda aprovação da FCC para a participação estrangeira de 49,5% no capital da nova empresa.
David Ellison, líder da Paramount, afirmou publicamente que a operação deve ser concluída até 30 de setembro. O prazo inicial de 15 de julho já ficou para trás, e a decisão do Cade permanece como uma das peças centrais desse intrincado quebra-cabeça regulatório global.
A Paramount apresentou ao Cade um pedido direto: aprovar a fusão com a Warner no Brasil sem qualquer restrição. A empresa, segundo informações da coluna F5 da Folha de S.Paulo, argumenta que reguladores em outros países já abriram caminho para a operação. A Austrália aprovou o negócio em junho sem condições. A China também deu sinal verde. Ambas as decisões, sustenta a Paramount, refletem mercados com dinâmicas concorrenciais semelhantes às do Brasil, o que tornaria desnecessária qualquer limitação à fusão.
O que está em jogo é uma consolidação de poder no entretenimento brasileiro. Se aprovada, a Paramount controlará três dos principais direitos de transmissão de futebol no país: a Libertadores, a Copa Sul-Americana e a Champions League, além do Campeonato Paulista. A TNT Sports, que já integra esse portfólio, possui forte presença digital com mais de 13 milhões de inscritos no YouTube e alto engajamento. A empresa afirmou que continuará investindo no Brasil e que não pretende se desfazer de ativos esportivos ou dos canais lineares da Warner na TV por assinatura.
O tamanho dessa operação é monumental. A aquisição da Warner pela Paramount foi avaliada em 110 bilhões de dólares. Em maio de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia aprovado a transação, entendendo que ela não representaria ameaça à concorrência no streaming, na TV tradicional ou no cinema. A nova empresa resultante controlaria um portfólio impressionante: TNT, CBS, CNN, MTV, TCM, Showtime, Adult Swim, DC Studios, Paramount+, Nickelodeon, HBO e HBO Max, Comedy Central e Cartoon Network. Aos direitos de transmissão se somariam as franquias cinematográficas e televisivas de Star Trek, Gremlins, Beetlejuice, DC Comics, Harry Potter, Transformers, Um Lugar Silencioso, Looney Tunes, Mortal Kombat, Game of Thrones, Missão Impossível, O Senhor dos Anéis, Bob Esponja, Avatar: A Lenda de Aang e Tartarugas Ninja, além dos direitos de distribuição de Duna 3, Minecraft e do MonsterVerse.
Mas o caminho até aqui foi acirrado. A Paramount Skydance venceu uma disputa feroz pela Warner contra a Netflix. Durante o processo, a Paramount questionou a lisura da venda e acusou a Warner Bros. Discovery de favorecer a Netflix. Grupos políticos republicanos nos EUA também expressaram preocupação pública com a expansão da Netflix sobre operações de TV e cinema. Depois de diversas rodadas de ofertas, a Paramount apresentou uma proposta superior à da Netflix, que anunciou que não igualaria o lance. A Paramount ofereceu mais de 30 dólares por ação, consolidando sua vitória inicial.
Agora, porém, a operação enfrenta obstáculos regulatórios em múltiplas frentes. Os acionistas das duas empresas já aprovaram a fusão, mas a aprovação regulatória ainda é necessária. Reguladores do Reino Unido se preparam para iniciar a análise do negócio, com prazo para comentários públicos encerrado no mês anterior. A Paramount também pediu que a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos aprove o investimento estrangeiro na operação, já que investidores de fora do país responderão por 49,5% do capital da nova empresa.
Na Califórnia, o procurador-geral Rob Bonta abriu investigação sobre a fusão em março. Em maio de 2026, o democrata expressou suas preocupações de forma clara: "Há bandeiras vermelhas em toda parte para nós. Estamos analisando preços mais altos, salários mais baixos, menos empregos, menos qualidade, menos escolha, menos concorrência". Essas palavras resumem o tipo de escrutínio que a operação enfrenta em diferentes jurisdições.
Publicamente, David Ellison, líder da Paramount, afirmou que o negócio de 110 bilhões de dólares deve ser fechado até o terceiro trimestre, com prazo até 30 de setembro. Inicialmente, a empresa trabalhou com a data de 15 de julho para concluir a fusão, mas essa timeline parece agora mais distante. A decisão do Cade no Brasil é apenas uma das peças desse quebra-cabeça regulatório global. Conforme as análises avançam em diferentes países, a viabilidade de fechar a operação dentro do prazo estabelecido continua incerta.
Notable Quotes
Há bandeiras vermelhas em toda parte para nós. Estamos analisando preços mais altos, salários mais baixos, menos empregos, menos qualidade, menos escolha, menos concorrência— Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Paramount acha que aprovações na Austrália e China importam para o Brasil?
Porque argumenta que as condições de mercado são semelhantes. Se reguladores em países com dinâmicas concorrenciais parecidas já aprovaram sem restrições, a lógica é que o Brasil deveria fazer o mesmo. É um precedente persuasivo.
Mas o que muda de verdade se essa fusão for aprovada aqui?
A Paramount passa a controlar praticamente todo o futebol que importa: Libertadores, Copa Sul-Americana, Champions League. Isso é poder de mercado concentrado em um único ator. A TNT Sports já tem 13 milhões de inscritos no YouTube. Essa escala é difícil de ignorar.
A Netflix perdeu essa disputa. Como isso aconteceu?
A Paramount ofereceu mais dinheiro. Mais de 30 dólares por ação contra a proposta anterior. A Netflix simplesmente não quis igualar. Às vezes o lance mais alto vence, mesmo que haja questionamentos sobre a lisura do processo.
Qual é o maior risco regulatório agora?
Provavelmente a Califórnia. O procurador-geral está investigando desde março e fala abertamente sobre preços mais altos, menos empregos, menos escolha. Isso é uma bandeira vermelha clara. Se ele conseguir bloquear ou impor restrições significativas, toda a operação fica em risco.
Até quando isso precisa estar resolvido?
30 de setembro. É o prazo que a Paramount estabeleceu publicamente. Mas com investigações em andamento no Reino Unido, na Califórnia e agora no Brasil, esse prazo parece cada vez mais apertado. A situação está mais distante de se resolver do que estava há alguns meses.