A empresa quer manter o ativo e completar a fusão sem concessões
No Brasil, a Paramount apresentou ao Cade um pedido que revela a lógica das grandes fusões midiáticas: crescer sem ceder. A empresa americana busca unir-se à Warner sem abrir mão de nenhum ativo — incluindo os direitos de transmissão da Libertadores, da Copa Sul-Americana e da Liga dos Campeões. A decisão do regulador brasileiro não é apenas burocrática; ela desenhará, por anos, quem controla o que os brasileiros assistem e quanto isso custa.
- A Paramount entrou com um pedido de aprovação total ao Cade, sem oferecer concessões — uma postura incomum e deliberadamente agressiva diante de um regulador antitruste.
- O que está em disputa são os direitos de transmissão das competições esportivas mais assistidas do continente, ativos que valem bilhões em publicidade e assinaturas.
- A empresa se recusa a vender o canal esportivo, apostando que precedentes internacionais de fusões permissivas convencerão o Cade a seguir o mesmo caminho.
- O órgão regulador enfrenta uma escolha de três vias — aprovar sem restrições, aprovar com condições ou bloquear — e cada opção remodela o mercado de mídia esportiva no país.
- Emissoras menores, plataformas de streaming e a TV aberta observam o processo com apreensão: uma aprovação irrestrita criaria um conglomerado com poder desproporcional sobre os eventos mais valiosos.
A Paramount comunicou ao Cade, nas últimas semanas, que deseja concluir sua fusão com a Warner no Brasil sem qualquer restrição. A empresa citou precedentes internacionais para embasar o pedido, segundo documentos obtidos pela coluna Outro Canal, e deixou uma posição explícita: não venderá seu canal esportivo como parte de nenhuma negociação com o regulador.
O que está em jogo vai além de uma transação corporativa. O conglomerado resultante passaria a controlar a TNT Sports e, com ela, os direitos de transmissão da Libertadores, da Copa Sul-Americana e da Liga dos Campeões — competições que movem audiências massivas e receita publicitária substancial no país.
O Cade agora precisa escolher entre três caminhos: aprovar a fusão sem condições, aprová-la com exigências específicas — como desinvestimentos ou limitações operacionais — ou bloqueá-la. Cada opção carrega consequências duradouras para a estrutura da mídia esportiva brasileira.
A aposta da Paramount é que o Brasil seguirá a tendência mais permissiva observada em outros mercados. Mas o cenário local tem particularidades: poucos grupos já concentram a distribuição de conteúdo esportivo no país, e a aprovação irrestrita criaria um player dominante capaz de alterar o equilíbrio competitivo para emissoras menores, plataformas de streaming e a televisão aberta.
A Paramount apresentou sua posição ao Cade nas últimas semanas, e a mensagem foi clara: quer fusionar com a Warner sem qualquer restrição no Brasil. A empresa de mídia americana citou precedentes em outros países para fundamentar seu pedido, segundo documentos obtidos pela coluna Outro Canal.
O que está em jogo é considerável. Se o Cade der sinal verde, o conglomerado resultante da fusão controlará a TNT Sports e, com ela, os direitos de transmissão de algumas das competições esportivas mais valiosas do planeta. Estamos falando da Libertadores, da Copa Sul-Americana e da Liga dos Campeões — eventos que movem audiências massivas e receita publicitária substancial.
A Paramount deixou claro que não pretende vender seu canal esportivo como parte de qualquer negociação com o órgão regulador. Essa é uma posição firme: a empresa quer manter o ativo e, simultaneamente, completar a fusão com a Warner sem ter de fazer concessões que reduzissem seu poder de mercado no segmento.
O Cade, por sua vez, está diante de uma decisão que vai além de um simples voto de aprovação ou rejeição. A autarquia precisa decidir se permite a fusão sem restrições, se a aprova com condições específicas, ou se a bloqueia. Essa escolha terá implicações diretas sobre como a mídia esportiva brasileira se estrutura nos próximos anos.
O contexto internacional que a Paramount invocou é relevante. Em outros mercados, fusões similares entre gigantes de mídia foram aprovadas com diferentes graus de restrição — algumas sem qualquer condição, outras com obrigações de desinvestimento ou limitações operacionais. A empresa americana está apostando que o Brasil seguirá um caminho mais permissivo.
O que torna essa negociação particularmente sensível é a concentração que ela representaria. Poucos grupos controlam a distribuição de conteúdo esportivo no país, e a entrada de um novo player dominante — resultado dessa fusão — poderia alterar significativamente o equilíbrio competitivo. Emissoras menores, plataformas de streaming e até mesmo a televisão aberta enfrentariam um cenário onde um único conglomerado teria poder desproporcional sobre os direitos dos eventos mais procurados.
Citas Notables
A Paramount citou exemplos de outros países para fundamentar seu pedido de fusão sem restrições— Documentos obtidos pela coluna Outro Canal
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Por que a Paramount insiste em não vender o canal esportivo? Não seria mais fácil ceder nesse ponto?
Porque o canal esportivo é onde está o dinheiro de verdade. Libertadores, Champions, Copa Sul-Americana — esses direitos geram receita publicitária contínua e audiência garantida. Vender significaria abrir mão da principal moeda de troca no mercado de mídia.
E o Cade vai aceitar essa posição?
Depende de como o órgão avalia o risco de concentração. A Paramount está apostando que precedentes internacionais a favorecem, mas o Brasil tem suas próprias preocupações com poder de mercado.
Qual é o cenário mais provável?
O Cade provavelmente vai impor algumas restrições — talvez não a venda do canal, mas limitações sobre como a fusão pode operar. Aprovação total sem condições é menos provável do que parece.
E se o Cade disser não?
Aí a Warner e a Paramount precisam repensar toda a estratégia. Mas ambas têm interesse demais em consolidar posição para desistir facilmente.
Quem sai prejudicado nesse jogo?
Os competidores menores e, potencialmente, os consumidores. Um conglomerado com controle sobre os maiores eventos esportivos tem poder para ditar preços de transmissão e publicidade.